Economia
Justiça dos EUA considera ilegais tarifas de Trump e impõe revés à política comercial
Corte de apelações questiona fundamentos jurídicos do presidente Donald Trump, mas prorroga vigência das tarifas até outubro.Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp Clique para compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
BATANEWS/OPR
Um tribunal de apelações dos Estados Unidos decidiu na última sexta-feira (29) que a maioria das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump não tem amparo legal. A decisão, aprovada por 7 votos a 4 no Tribunal de Apelações do Circuito Federal, em Washington, coloca em xeque um dos pilares da política econômica externa do republicano.
Apesar de considerar as medidas ilegais, a Corte determinou que as tarifas permaneçam em vigor até 14 de outubro, prazo que dá ao governo Trump a oportunidade de recorrer à Suprema Corte.
As tarifas foram aplicadas em diferentes frentes durante pelo governo de Trump, que as utilizou como ferramenta de pressão para renegociar acordos comerciais com países como China, Canadá e México. A estratégia garantiu espaço de negociação, mas também aumentou a volatilidade nos mercados.
Segundo o parecer, a base legal utilizada por Trump não autoriza a aplicação de tarifas. “O estatuto confere ao presidente autoridade significativa para tomar diversas ações em resposta a uma emergência nacional declarada, mas nenhuma dessas ações inclui explicitamente o poder de impor tarifas, tributos ou similares, nem o poder de taxar', afirmou a decisão.
A defesa de Trump estava ancorada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), criada em 1977, que permite ao presidente reagir a ameaças incomuns e extraordinárias em situações de emergência nacional. Até então, a legislação havia sido usada para impor sanções e congelar ativos, mas nunca para justificar tarifas comerciais. “Parece improvável que o Congresso tenha pretendido, ao promulgar a IEEPA, romper com sua prática anterior e conceder ao presidente autoridade ilimitada para impor tarifas', registraram os juízes, acrescentando: “O estatuto não menciona tarifas (nem sinônimos) e tampouco possui salvaguardas processuais que estabeleçam limites claros ao poder do presidente de impor tarifas.'
A medida de fevereiro contra China, Canadá e México foi amparada no argumento de que os três países não estariam atuando de forma eficaz contra o contrabando de fentanil, justificativa rejeitada por eles. Já em abril, Trump declarou emergência nacional alegando que o déficit comercial comprometia a indústria e a capacidade militar dos EUA.
O Departamento do Tesouro, o Escritório do Representante de Comércio e o Departamento de Comércio dos EUA não comentaram a decisão.
A contestação à política tarifária chegou aos tribunais por meio de ações movidas por pequenas empresas e por 12 estados liderados por democratas. As petições sustentaram que a Constituição reserva ao Congresso a competência de criar tarifas e impostos, e que qualquer delegação ao Executivo deve ser claramente delimitada.
O caso não é isolado. Em maio, a Corte de Comércio Internacional de Nova York já havia decidido contra Trump, considerando que o republicano excedeu sua autoridade ao impor tarifas com base na IEEPA. Outros processos ainda tramitam em diferentes instâncias, inclusive um movido pelo Estado da Califórnia.
Com a decisão desta semana, cresce a pressão sobre a Suprema Corte, que poderá definir se Trump extrapolou sua autoridade presidencial ao transformar uma lei emergencial em instrumento de política comercial.






