Brasil elimina transmissão do HIV da mãe para o bebê e reduz taxa de mortalidade, diz ministério

BATANEWS/FOLHA


Autotestes e medicamentos que previnem a infecção pelo HIV são distribuídos no metrô de São Paulo - Rubens Cavallari - 25.ago.2025/Folhapress

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (1º) que o Brasil eliminou a transmissão vertical do HIV, da mãe para o bebê.

Em 2024, a taxa de transmissão ficou abaixo de 2% e a incidência da infecção em crianças foi inferior a 0,5 caso por mil nascidos vivos. Os dados foram divulgados no Dia Mundial da Luta Contra a Aids.

'Isso significa que o país interrompeu, de forma sustentada, a infecção de bebês durante a gestação, o parto ou a amamentação, atingindo integralmente as metas internacionais. Os resultados estão em linha com os critérios da OMS (Organização Mundial da Saúde)', afirma o Ministério da Saúde.

O ministério aguarda a OMS (Organização Mundial da Saúde) certificar a eliminação da transmissão vertical, o que deve se confirmar ainda neste mês, segundo a pasta.

O número de mortes por Aids no Brasil também caiu cerca de 13%, para 9.100 no último ano. Pela primeira vez em três décadas, o país registrou menos de 10 mil mortes.

Ao divulgar dados do boletim epidemiológico de HIV e Aids, nesta segunda-feira, o ministro Alexandre Padilha disse que o governo deseja produzir no Brasil o lenacapavir, medicamento injetável de prevenção ao vírus do HIV lançado neste ano pela farmacêutica Gilead Sciences.

A ideia do ministério é que um laboratório público fabrique a droga, por meio de processo de transferência de tecnologia, mas o preço ainda é uma barreira, segundo Padilha. O tratamento, feito com aplicações a cada seis meses, hoje custa US$ 25,3 mil por pessoa ao ano (cerca de R$ 133,6 mil), podendo chegar a US$ 44,8 mil (R$ 240 mil) em algumas situações.

'O que está sendo proibitivo é que a empresa quer um preço que é absolutamente impraticável para programas de saúde pública. Nós não concordamos que uma inovação que é fruto de subsídios estatais, e que enfrenta um problema de saúde pública mundial, que se venha a praticar um preço como esse', disse o ministro.

Segundo o boletim do ministério, o país também atingiu mais de 95% de cobertura em pré-natal, testagem para HIV e oferta de tratamento às gestantes que vivem com o vírus, segundo o Ministério da Saúde.

'Os dados refletem os avanços em prevenção, diagnóstico e, principalmente, no acesso gratuito pelo SUS a terapias de ponta capazes de tornar o vírus indetectável e intransmissível. Combinação que levou também a eliminação, como problema de saúde pública, da transmissão vertical da doença, quando ocorre da mãe para o bebê', afirma a Saúde.

Os casos de Aids também caíram cerca de 1,5% no último ano, passando de 37,5 mil em 2023 para 36,9 mil registros. No componente materno-infantil, o país registrou queda de 7,9% nos casos de gestantes com HIV (7.500) e de 4,2% no número de crianças expostas ao vírus (6.800).

O Brasil tem cerca de 1 milhão de pessoas que vivem com HIV, segundo dados do SUS.

O Brasil adota a estratégia de Prevenção Combinada, que reúne diferentes métodos para reduzir o risco de infecção pelo HIV, segundo o ministério.

'Antes centrada principalmente na distribuição de preservativos, a política incorporou ferramentas como a PrEP [Profilaxia Pré-Exposição] e a PEP [Profilaxia Pós-Exposição], que reduzem o risco de infecção antes e depois da exposição ao vírus', afirma a pasta. O ministério ainda comprou camisinhas texturizadas e sensitivas para 'dialogar com o público jovem, que vem reduzindo o uso de preservativos'.

Desde 2023, o número de usuários da PrEP cresceu mais de 150%. Atualmente, 140 mil pessoas utilizam a profilaxia diariamente.

O SUS ainda mantém oferta gratuita de terapia antirretroviral e acompanhamento a todas as pessoas diagnosticadas com HIV.

'Mais de 225 mil utilizam o comprimido único de lamivudina mais dolutegravir, combinação de alta eficácia, melhor tolerabilidade e menor risco de efeitos adversos a longo prazo', diz o ministério. 'Esses avanços aproximam o Brasil das metas globais 95-95-95, que preveem que 95% das pessoas vivendo com HIV conheçam o diagnóstico, 95% delas estejam em tratamento e 95% das tratadas alcancem supressão viral. Duas das três metas já foram cumpridas pelo país.'