Agronegócios
Piscicultura encerra 2025 fortalecida e mira avanços estratégicos em 2026
Após um ano de oscilações, o setor registra retomada de preços, consolidação do consumo e mobilização política em temas críticos como tarifaço, espécies invasoras e importaçõesCompartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp Clique para compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
BATANEWS/OPR
A piscicultura brasileira encerra 2025 com um cenário marcado por desafios relevantes, avanços estruturais e fortalecimento do mercado consumidor. A avaliação é do presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, que destaca um ano de contrastes e transformações para a atividade.
Segundo Medeiros, 2025 foi marcado por dois momentos distintos. “Tivemos um primeiro semestre com grande oferta de produto, o que pressionou os preços para baixo. As indústrias também reduziram valores no food service e no atacado', explica.
O movimento se inverteu no segundo semestre, quando a demanda voltou a crescer. “No último trimestre, houve uma recuperação significativa dos preços pagos ao produtor. A indústria, no entanto, teve dificuldade em repassar esses valores imediatamente ao mercado', destaca.
Apesar das oscilações, o setor fecha o ano com perspectiva positiva. A entrada de peixes de cultivo na cesta básica da reforma tributária é considerada um marco. “Essa inclusão representa um ganho estratégico para a competitividade no mercado interno', afirma.
O consumidor também se tornou um aliado importante. “O período de preços mais baixos trouxe novos consumidores, que se fidelizaram. Hoje, em busca de saudabilidade e sabor, preferem o peixe de cultivo, em especial a tilápia', completa.
Sobre o tarifaço imposto às exportações, Medeiros reconhece que os efeitos foram desiguais. “O volume exportado pelo Brasil representa apenas de 3% a 5% da produção total, então o impacto geral foi limitado. Mas, para as empresas exportadoras, que têm investimentos dedicados, o efeito no fluxo de caixa foi muito significativo', pondera.
A migração obrigatória de produto para o mercado interno exigiu ajustes. “Transferir 3% a 5% não é difícil. Mas transferir 30% é um desafio grande. Ainda assim, o setor conseguiu se adaptar e enfrentar esse cenário', avalia.
Um dos temas mais sensíveis de 2025 foi a inclusão da tilápia em uma proposta de lista de espécies invasoras. Para Medeiros, o tema exige máxima atenção. “Essa é uma grande preocupação. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) postergou a decisão para 2026, e estamos trabalhando intensamente para evitar a inclusão. Isso é fundamental para o negócio', realça.
De acordo com o presidente da associação, a Peixe BR atua junto ao setor produtivo, à sociedade e, principalmente, ao Congresso, para levar informações técnicas sobre a atividade e ampliar a competitividade da espécie.
“A tilápia foi a proteína animal que mais cresceu na última década e é a mais promissora para os próximos 30 anos', reforça. A entidade defende que tilápias, peixes nativos fora de bacia e híbridos não entrem na lista do MMA.
Outro ponto crítico foi o aumento das importações de pescado do Vietnã. Medeiros aponta distorções no processo. “A importação deve ocorrer quando há falta de produto, o que não é o caso da tilápia. Isso aconteceu justamente no ano de maior safra e de menores preços ao produtor', observa.
Segundo ele, o episódio trouxe preocupação em relação a riscos sanitários e à falta de isonomia competitiva. “Há protocolos permitidos no Vietnã que não são autorizados no Brasil. Também não há equivalência tributária, ambiental ou trabalhista. Estamos cobrando das autoridades a correção dessas não conformidades para garantir concorrência justa', reforça.
Apesar do cenário adverso, o presidente da Peixe BR mantém confiança: “O produto brasileiro é resiliente. Tenho certeza de que venceremos mais essa batalha'.
Para 2026, a associação mantém como norte a competitividade. “Nosso objetivo sempre foi melhorar o acesso a mercados da piscicultura nacional. O produtor precisa sentir esses ganhos na propriedade – e isso vem acontecendo ao longo dos últimos 11 anos', diz Medeiros.
Na pauta do setor, a regulação governamental ainda é o maior entrave. Para enfrentar esse desafio, a Peixe BR está atuando nos âmbitos estadual e federal com foco na redução de impactos regulatórios sobre a atividade.
Além das ações políticas e regulatórias, a associação trabalha em frentes técnicas cruciais. “Temos projetos acelerados em genética, mercado e tecnologia, desde a produção até o processamento, todos voltados a ampliar a eficiência e fortalecer o setor', conclui.



