Política
'Qualquer um pode ser a próxima vítima', diz Lula sobre ataques pelo mundo
Em tempos de guerra contra Irã e série de ameaças do governo Trump, presidente cobra regras
BATANEWS/CGNEWS
Ao concluir o discurso no Segmento de Alto Nível da COP15, realizado neste domingo (22), em Campo Grande, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta sobre os riscos da instabilidade internacional. “Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima', disse.
A declaração marcou o tom mais duro da fala, quando Lula deixou a pauta ambiental e passou a abordar diretamente o cenário geopolítico global. Sem citar Estados Unidos ou governo Trump, personagens centrais da instabilidade hoje, ele pediu atenção ao que vem ocorrendo no mundo.
Diante de chefes de Estado e representantes de diversos países, o presidente lembrou que a conferência ocorre em um contexto de tensão internacional. “Esta COP15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra', afirmou.
Ao abordar o papel das instituições internacionais, o presidente fez uma defesa da Organização das Nações Unidas, destacando sua atuação histórica. “Nos seus oitenta anos, a ONU teve atuação importante nos processos de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na recomposição da camada de ozônio, na erradicação da varíola, na afirmação dos direitos humanos e no amparo aos refugiados e imigrantes', disse.
Apesar disso, apontou falhas no cenário atual. “Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de conflitos', afirmou, em crítica direta ao principal órgão de mediação internacional.
Ao ampliar o argumento, Lula relacionou a crise geopolítica à própria ideia de mobilidade e convivência entre povos. “A história da humanidade também é uma história de migrações, deslocamentos, vínculos e conexões', disse.
Na sequência, defendeu uma mudança de postura diante desse cenário. “No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado', afirmou.
Ao encerrar, o presidente voltou a conectar o tema ambiental ao contexto global. “Que esta COP15 seja um espaço de avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade', concluiu.



