Influenza, VSR e covid-19 voltaram a circular com força antes do esperado, mostrando que os vírus respiratórios já não seguem um calendário previsível. O aumento de casos e internações tem sido registrado em diversas regiões, levando autoridades de saúde a anteciparem medidas preventivas, como campanhas de vacinação.
O movimento começou ainda no Hemisfério Norte, com a disseminação da chamada “gripe K”, e rapidamente se repetiu no Hemisfério Sul. Dessa vez, além do vírus Influenza, outros agentes conhecidos também ganharam espaço, como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por bronquiolite em bebês e pneumonia em idosos, além do coronavírus Sars-CoV-2, hoje considerado endêmico.
No Brasil, o crescimento das internações já havia sido sinalizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ainda na primeira quinzena de março, antes mesmo do início oficial da campanha nacional de imunização voltada aos grupos mais vulneráveis. O pico de infecções é esperado para abril, reforçando a necessidade de proteção antecipada.
Especialistas apontam que a circulação precoce dos vírus está ligada a fatores como o aumento do fluxo de viajantes, as mudanças climáticas e a queda nas coberturas vacinais. Esse cenário cria condições ideais para a disseminação das doenças, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.
A infectologista Rosana Richtmann destaca que, com a chegada das temperaturas mais baixas, há uma combinação favorável à circulação viral. Já a pediatra Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, ressalta que os vírus deixaram de seguir padrões sazonais rígidos. Segundo ela, o VSR pode circular ao longo de todo o ano, enquanto a covid-19 nunca apresentou sazonalidade definida e a Influenza se comporta de forma menos previsível em países tropicais.
Esse novo cenário tem levado a ajustes no calendário vacinal em diferentes regiões do país. Em algumas localidades, a campanha contra a gripe já começou, com forte adesão inicial — somente no primeiro dia, cerca de 1,6 milhão de doses foram aplicadas no público prioritário.
Entre os vírus em circulação, o VSR tem chamado atenção por seu impacto. Ele é hoje um dos principais responsáveis pelos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente entre crianças pequenas. Prematuros estão entre os mais vulneráveis, acumulando dezenas de milhares de hospitalizações nos últimos anos.
Como resposta, o Brasil passou a incorporar novas estratégias de proteção, como a vacinação de gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, garantindo proteção aos bebês nos primeiros meses de vida, além do uso de anticorpos monoclonais para recém-nascidos de maior risco. Também foi aprovado um novo medicamento injetável voltado ao tratamento de casos em bebês.
A covid-19, embora em estágio endêmico, ainda representa risco significativo, principalmente para idosos. Mesmo com vacinas disponíveis nos postos de saúde, a baixa adesão preocupa especialistas, que reforçam a importância da imunização não apenas para proteção individual, mas também para reduzir a transmissão.
Diante desse cenário, autoridades e especialistas reforçam que, apesar da antecipação da temporada viral, ainda há tempo para agir. A vacinação segue sendo a principal ferramenta para conter o avanço das doenças e evitar complicações mais graves.