Saúde
Nova pílula emagrecedora reduz 14% do peso e diminui 12 cm de cintura em mulheres na menopausa
Orforglipron, já aprovado para uso fora do país, reforça necessidade de discutirmos o ganho de peso e soluções nessa fase de vida da mulher
BATANEWS/VEJA
O ganho de peso é uma queixa frequente durante a transição para a menopausa. Não deve ser tratado como problema estético nem respondido apenas com recomendações genéricas do tipo “coma menos” e “se exercite mais”. Mudanças hormonais podem favorecer o acúmulo de gordura abdominal e tornar o controle do peso ainda mais difícil.
Por essas e outras, o ginecologista tem um papel importante na identificação da obesidade e no encaminhamento da paciente para tratamento adequado.
Até porque, em breve, vamos contar com novas soluções para gerenciar esse problema, inclusive durante o climatério.
Uma análise de dois estudos englobando mais de 1 500 mulheres acima do peso em diferentes fases da menopausa demonstrou o impacto do orforglipron, um comprimido análogo de GLP-1 (mesmo princípio de canetas emagrecedoras), na balança e na circunferência abdominal. O trabalho foi apresentado em primeira mão no congresso da Associação Americana de Diabetes.
Essa pílula de uso diário já foi aprovada para comercialização nos Estados Unidos, mas ainda aguarda parecer da Anvisa no país.
No estudo batizado de ATTAIN-1, realizado com participantes sem diabetes, mulheres que receberam a dose mais alta do medicamento apresentaram redução média de peso de 12,8% antes da menopausa, 14,4% na perimenopausa e 14,1% após a menopausa, ao longo de 72 semanas. A circunferência abdominal diminuiu até 12,5 centímetros.
Já em outro braço de pesquisa, o ATTAIN-2, que incluiu pessoas com diabetes tipo 2, também houve perda de peso em todas as fases da menopausa.
Os resultados, porém, devem ser interpretados com cautela. A avaliação por fase da menopausa foi feita após a conclusão dos estudos. Isso significa que os dados ajudam a orientar a prática clínica e novas pesquisas, mas não permitem afirmar que uma fase da vida apresenta resposta superior à outra. Alguns subgrupos também reuniram poucas participantes.
Quem é o orforglipron
Desenvolvido pela Eli Lilly, a mesma fabricante do Mounjaro, ele foi aprovado pela FDA, o órgão regulatório americano, em abril de 2026 para adultos com obesidade ou com sobrepeso associado a pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso.
O medicamento deve ser utilizado com alimentação de menor aporte calórico e atividade física. É ingerido uma vez ao dia, com ou sem alimentos, sem as restrições de água e jejum exigidas por outros tratamentos da classe.
Para o ginecologista, há um ponto adicional de atenção: medicamentos para obesidade podem interferir em questões diretamente relacionadas à saúde reprodutiva. A bula americana do orforglipron orienta que mulheres que utilizam anticoncepcionais adotem um método não oral ou acrescentem um método de barreira durante 30 dias após o início do tratamento e por 30 dias após cada aumento de dose. O medicamento deve ser interrompido quando a gravidez for identificada.
Também é necessário investigar contraindicações e riscos. Entre os possíveis efeitos adversos estão náusea, constipação, diarreia e vômitos com frequência semelhante aos dos demais tratamentos que temos hoje.
Quando o assunto é ganho de peso na menopausa, é preciso ponderar sobre uma série de questões com o ginecologista. Nem toda mulher precisará de medicamento. Mas toda queixa requer avaliação, orientação e acolhimento.





