Saúde
Nova pílula ‘prima’ do Mounjaro bota o controle do diabetes dentro da meta
Orforglipron, já aprovado no exterior para o excesso de peso, demonstra bons efeitos em pessoas com diabetes tipo 2
BATANEWS/VEJA
Em meio à febre das canetas para o tratamento da obesidade e do diabetes, um comprimido pediu passagem e ganhou destaque no último congresso da Associação Americana de Diabetes.
Três estudos de fase 3 – a que antecede a aprovação regulatória – avaliaram o orforglipron em diferentes perfis de pacientes e apontaram reduções relevantes da hemoglobina glicada — exame que indica a média da glicose no sangue nos últimos meses —, além de perda de peso.
O orforglipron é um agonista do receptor de GLP-1 criado pela Eli Lilly, a mesma fabricante do Mounjaro. Essa classe de medicamentos imita a ação de um hormônio produzido pelo organismo e ajuda a controlar a glicemia, o apetite e a saciedade. A diferença é que o novo fármaco é uma molécula pequena, desenvolvida para uso oral uma vez ao dia. O comprimido pode ser tomado sem restrições relacionadas ao horário das refeições ou ao consumo de água.
Nos Estados Unidos, o medicamento já foi aprovado para o tratamento da obesidade e do sobrepeso associado a problemas de saúde relacionados ao peso, sob o nome comercial Foundayo. A indicação específica para diabetes tipo 2 ainda depende de análise regulatória. A fabricante informou que pretende encaminhar o pedido à Food and Drug Administration (FDA) até o fim do segundo trimestre de 2026.
Comparação a semaglutida oral
Um dos destaques apresentados no evento em Nova Orleans, nos EUA, foi o estudo ACHIEVE-3, que comparou o orforglipron com a semaglutida oral de 14mg (dose máxima) em 1.698 adultos com diabetes tipo 2 que não atingiam o controle adequado apenas com metformina – comprimido prescrito como base do tratamento.
Após 52 semanas, a maior dose de orforglipron reduziu a hemoglobina glicada, em média, em 2,2 pontos percentuais. Com a maior dose de semaglutida oral avaliada, a redução foi de 1,4 ponto percentual. Entre os participantes que receberam orforglipron, 85,4% alcançaram hemoglobina glicada abaixo de 7%, uma meta frequentemente utilizada no acompanhamento do diabetes.
Também houve diferença na balança. A maior dose de orforglipron levou a uma perda média de 9,2% do peso corporal, ante 5,3% com a semaglutida oral.
Em diferentes fases
O estudo ACHIEVE-2 acompanhou 962 pessoas que utilizavam metformina e comparou o orforgliproncom a dapagliflozina, medicamento de outra classe empregado no tratamento do diabetes tipo 2. Em 40 semanas, a redução da hemoglobina glicada chegou a 1,7 ponto percentual com o novo comprimido, ante 0,8 ponto percentual com a dapagliflozina. Na maior dose, a perda média de peso foi de 7,3%.
Já o ACHIEVE-5 incluiu 546 participantes que utilizavam insulina, associada ou não a outros medicamentos. A queda da hemoglobina glicada chegou a 2,1 pontos percentuais em 40 semanas, ante 0,8 ponto percentual no grupo placebo. A perda média de peso alcançou 6,1% na maior dose.
Os efeitos adversos mais frequentes foram gastrointestinais, como náusea, diarreia, vômitos, má digestão e redução do apetite. Por isso, mesmo que o medicamento venha a ser aprovado para diabetes, a indicação deverá ser individualizada e acompanhada por um profissional de saúde.
O que muda para o acesso ao tratamento?
O formato oral pode ser especialmente interessante para pessoas que têm receio de injeções ou dificuldade para manter tratamentos injetáveis. Outro ponto relevante é o custo. Nos Estados Unidos, o orforglipron já é oferecido para controle do peso por meio do programa de redução de preço. Pacientes elegíveis com seguro de saúde podem pagar valores ainda menores, sujeitos às regras do programa.
Isso não significa que o medicamento será automaticamente barato em todos os países. Mas a combinação de comprimido diário, logística mais simples e preço potencialmente mais acessível pode ampliar o alcance das terapias baseadas em GLP-1.
No Brasil, o orforglipron ainda não está aprovado nem disponível. Também não há definição pública sobre prazo de chegada ou preço no país. Caso obtenha registro futuramente e seja comercializado com custo mais viável, poderá ajudar mais brasileiros com diabetes tipo 2 a melhorar o controle da glicemia e do peso.





