Saúde
O sódio que você não vê: pesquisa revela ranking de alimentos com maior teor e traz alertas sobre os rótulos
Após avaliar mais de 7 000 produtos embalados, estudo nacional joga luz sobre o sódio oculto na dieta
BATANEWS/VEJA
Uma das principais recomendações para prevenir e controlar a pressão alta – condição que afeta ao menos três em cada dez brasileiros – é maneirar no sódio. Na prática, isso significa reduzir o uso do sal de cozinha, mas também tomar cuidado com os produtos industrializados que levam o mineral na composição (e são muitos).
Trata-se de uma questão de saúde pública: a hipertensão e a alimentação desequilibrada contribuem diretamente para as principais causas de adoecimento e morte na população, como infarto e AVC.
“Por isso, além de prestar atenção no sal adicionado no preparo dos alimentos ou à mesa, é importante observar as informações que estão nos rótulos dos produtos embalados, como a tabela de informação nutricional, a lista de ingredientes e a presença do selo de advertência ‘alto em sódio'”, contextualiza a nutricionista Lívia C. Horácio, pesquisadora do Observatório de Rotulagem de Alimentos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
De olho nesse desafio, a cientista, ao lado de colegas da Unifesp, avaliou mais de 7 000 produtos embalados comercializados no país. Os dados reunidos integram o Banco Brasileiro de Rótulos de Alimentos, mantido pela instituição paulista, e os resultados da análise foram publicados na revista acadêmica Food Research International.
“Um dos principais achados é que o sódio também aparece em ingredientes e aditivos como bicarbonato de sódio, glutamato monossódico e fosfato de sódio”, diz Horácio. “Assim, para diminuir o consumo do nutriente, não basta observar os termos ‘sal’ ou ‘cloreto de sódio’ na lista de ingredientes. É preciso identificar outras formas de sódio presentes nos produtos industrializados.”
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o valor diário recomendado de sódio para adultos não deve ultrapassar 2 000 mg por dia. Mas não é nada difícil exceder esse limite.
A nutricionista da Unifesp conta que uma porção de 20 g de azeitonas pode corresponder de 9,5% a 21% do total recomendado, enquanto salsichas e linguiças, em porções de 50 g a 100 g, podem contribuir com cerca de 9,1% a 64,2% do sódio diário.
“A rotulagem nutricional frontal, com o selo de advertência ‘alto em sódio’, tornou-se uma aliada para o consumidor. A legislação prevê o selo para alimentos com 600 mg de sódio por 100 g, no caso dos sólidos, ou 300 mg por 100 mL, no caso dos líquidos. Apesar desse avanço, produtos sem selo também podem contribuir para o consumo excessivo de sódio, especialmente quando a porção consumida é maior”, destrincha a pesquisadora.
Um exemplo claro são os macarrões instantâneos. Quando avaliados com base em 100 g, não ultrapassam o limite de 600 mg/100 g para o selo. “No entanto, quando preparados e consumidos com o tempero completo, podem fornecer mais de 80% do valor diário recomendado de sódio em uma única refeição”, destaca Horácio.
Como os dados utilizados no estudo foram coletados antes da implementação da rotulagem nutricional frontal no Brasil – com o famoso símbolo da lupa -, também foi realizada uma estimativa de quantos produtos precisariam exibir o selo de advertência caso não fossem reformulados. “Os resultados indicaram que aproximadamente 19% dos produtos ultrapassavam os limites estabelecidos para sódio”, revela a nutricionista.
A investigação também mostrou que 5,6% dos produtos apresentavam níveis de sódio próximos aos limites regulatórios. Como exemplo, foram encontrados produtos que contêm entre 594 e 599 mg de sódio/100 g, como biscoito do tipo cream crackers, molho de tomate, salsicha e salgadinhos à base de milho.
“Os resultados mostram que o excesso de sódio nos alimentos embalados é uma questão complexa. A grande variação do teor desse nutriente entre os produtos e o uso de diferentes ingredientes e aditivos à base de sódio reforçam a necessidade de ações combinadas, como rotulagem clara, monitoramento contínuo, aprimoramento das legislações, reformulação pela indústria e educação alimentar e nutricional”, concluíram as autoras do trabalho, que foi orientado pelas professoras Vanessa Dias Capriles e Veridiana Vera de Rosso e teve a colaboração de Caroline Monnerat e Camille Coutinho.
Na prática, algumas categorias merecem maior atenção do consumidor, especialmente produtos semiprontos ou prontos para o consumo, como embutidos, carnes temperadas ou empanadas, sopas e macarrões instantâneos. Os temperos prontos também contribuem significativamente para a ingestão diária de sódio, mesmo quando utilizados em pequenas quantidades.
“Nesse sentido, a leitura crítica dos rótulos é essencial. Observar o selo de advertência, comparar produtos da mesma categoria, conferir a tabela nutricional, o tamanho das porções e a lista de ingredientes ajuda a identificar fontes ocultas de sódio”, recomenda Horácio.
“Ou seja, a ausência do selo na embalagem não garante baixo teor de sódio, especialmente se a porção consumida for maior que 100 g”, reforça a pesquisadora.
O ranking do sódio
Depois de analisar mais de 7 000 produtos embalados, o estudo chegou a um top 10 dos alimentos com maiores teores de sódio no mercado. As quantidades se referem a porções de 100 g. Confira a lista, lembrando que a OMS recomenda não ultrapassar a ingestão de 2 000 mg de sódio por dia:





