Política
Os ‘órfãos’ de Michelle Bolsonaro caso ela abandone a política
Ex-primeira-dama é a principal aposta de uma série de candidatos para vencer a eleição em outubro
BATANEWS/VEJA
Em 2022, poucas pessoas em Brasília acreditavam que Damares Alves pudesse ser eleita senadora, pois ela não aparecia nas pesquisas eleitorais como uma candidata competitiva. Apesar disso, Damares conquistou a vaga com 714.000 votos, ou 44,98% dos votos válidos. Por trás da campanha vitoriosa, estava a então primeira-dama Michelle Bolsonaro, que serviu de cabo eleitoral para a amiga.
Considerada um dos ativos eleitorais mais valiosos do PL, principalmente pela suposta capacidade para conquistar o eleitorado feminino e evangélico, Michelle renunciou à presidência do PL Mulher, disse a amigas que não pretende mais concorrer ao Senado em outubro e insinuou que pode abandonar por completo o processo eleitoral, para se dedicar exclusivamente ao marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em regime domiciliar e enfrenta sérios problemas de saúde.
Se ela realmente sair de cena, deixará uma legião de candidatos órfãos. O mais conhecido deles será o enteado Flávio Bolsonaro, que não consegue reduzir a desvantagem que tem para Lula entre as mulheres. Outro nome que pode ser prejudicado é a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que tentará renovar o mandato em outubro. Ela pediu a Michelle que dispute o Senado. “O Brasil precisa dela”, declarou Celina a VEJA.
Há dezenas de outros concorrentes preocupados Brasil afora. Casos de Luíza Cunha, a “Luíza do Clezão”, filha de um manifestante do 8 de Janeiro que morreu no presídio da Papuda, e Mariana Naime, esposa do coronel da PM Jorge Eduardo Naime, que também foi condenado e preso pelos atos golpistas. Mariana concorre a vaga de deputada federal e e Luíza de deputada distrital.
No Ceará, o senador Eduardo Girão (Novo) conta com a ex-primeira-dama em sua campanha ao governo. O estado é um dos motores da cizânia entre Michelle e Flávio Bolsonaro, já que o Zero Um preferiu anunciar apoio ao concorrente Ciro Gomes (PSDB), ex-ministro de Lula conhecido por desancar Jair Bolsonaro e a família do ex-presidente.






