Fogo amigo e crise desgastam pré-campanha de Flávio Bolsonaro

Aliados apontam falhas na estratégia de comunicação e disputas internas que ampliam o desgaste nos bastidores da pré-campanha. A crise envolvendo Michelle Bolsonaro e a carta do senador pedindo aos Estados Unidos o adiamento do tarifaço para depois das eleições intensificaram o incômodo.

BATANEWS/G1


Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República — Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta resistência e críticas de aliados devido à condução de Rogério Marinho. Nos bastidores, reclama-se da falta de integração.

Apoiadores apontam centralização nas decisões e dificuldades na estratégia de comunicação. Há problemas na criação de fatos políticos e na conquista de espaço na imprensa.

Decisões estratégicas estariam sendo influenciadas pelo núcleo de apoio nos Estados Unidos. A participação de Eduardo Bolsonaro gera ruídos e lentidão no processo decisório.

A crise se intensificou após carta de Flávio Bolsonaro ao governo norte-americano sobre tarifas comerciais. O documento acabou favorecendo politicamente o presidente Lula.

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tem enfrentado resistência entre aliados, com críticas à condução do senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável por articular a candidatura presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, aumenta a insatisfação com a falta de integração entre os diferentes grupos que atuam na campanha. Segundo apurou o blog, aliados e integrantes afirmam que há excesso de centralização nas decisões e dificuldade para acomodar lideranças políticas e partidárias, o que estaria alimentando disputas internas em vez de fortalecer a organização da pré-candidatura.

Outro ponto de desgaste envolve a estratégia adotada pela campanha. De acordo com esses relatos, a campanha teria dificuldade para criar fatos políticos, produzir conteúdo, conquistar espaço na imprensa e pautar o debate público.

A avaliação de parte dos apoiadores é que Flávio Bolsonaro continua sustentando sua presença política principalmente por meio de suas redes sociais e da mobilização espontânea da militância, mais do que por uma estratégia profissional de comunicação.

As críticas também alcançam o chamado "comitê dos EUA". Segundo integrantes da campanha, decisões estratégicas estariam sendo influenciadas ou até definidas pelo núcleo que atua nos Estados Unidos, do qual faz parte o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).

Na avaliação desses interlocutores, essa dinâmica gera ruídos na comunicação interna, torna o processo decisório mais lento e alimenta a percepção de perda de protagonismo da equipe responsável pelo dia a dia da campanha.

O ambiente de tensão se intensificou após a divulgação do vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o anúncio das tarifas comerciais pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A carta enviada por Flávio Bolsonaro ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos também ajudou a piorar o cenário.

No documento, o senador não pede o cancelamento das tarifas estudadas pelo governo norte-americano e solicita apenas que sua eventual implementação seja adiada para depois das eleições presidenciais brasileiras de 2026.

Integrantes do governo federal avaliam que a iniciativa acabou favorecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.