Governo Lula repudia falas de Flávio em audiência nos EUA: 'claro objetivo eleitoreiro'

O pré-candidato à Presidência do PL participou nesta terça-feira de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR)

BATANEWS/CARTA CAPITAL


O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Fotos: Evaristo Sá/AFP e Leandro Lozada/AFP

O governo federal se manifestou, nesta terça-feira 7, contra a participação do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a proposta de um novo tarifaço de 25% contra produtos brasileiros.

Segundo o governo Lula (PT), entre os brasileiros inscritos na audiência, apenas Flávio Bolsonaro não se posicionou contra as medidas, “optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro'.

“O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro', diz o documento, que acusa Flávio de propor subordinar o Pix aos interesses norte-americanos.

Ainda sobre a participação de Flávio, a nota assinada pela secretaria de Comunicação Social diz que o senador omitiu as ligações do caso Master com o governo de Jair Bolsonaro (PL) e o caso ‘Dark Horse’. “Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio País é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao País e ao povo brasileiro', completa o texto.

Em um discurso de cerca de cinco minutos, proferido em inglês, Flávio pediu aos integrantes da comissão que “não imponham as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do Pix e cancelem esta medida para que possamos negociar'.

O senador também retomou o principal argumento apresentado na manifestação de 86 páginas que enviou ao USTR na semana passada. Segundo Flávio, como faltam cerca de 90 dias para as eleições presidenciais no Brasil, uma tarifa aplicada agora acabaria fortalecendo politicamente Lula. “Seria o pior momento possível para agir', afirmou, ao defender que a medida seja suspensa.

A audiência pública é a etapa final da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana. As manifestações servirão de base para a recomendação do USTR ao governo Trump, que deve decidir até 15 de julho se mantém ou não a proposta de impor a sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras.