Justiça
Ex-deputado Neno Razuk tem prisão decretada
DOURADOS AGORA/FLáVIO VERãO
O caso envolvendo o ex-deputado estadual Neno Razuk ganhou um novo e dramático capítulo nesta semana. Poucas semanas após perder oficialmente o seu cargo na Assembleia Legislativa, o político do PL teve a sua prisão preventiva decretada pelo Poder Judiciário sob a acusação de liderar uma suposta estrutura criminosa que comandava o monopólio do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
Diante da decisão judicial, equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, montaram uma operação e foram até a residência do ex-parlamentar para cumprir o mandado de prisão. No entanto, o político não foi localizado em sua casa durante a investida dos agentes e passam a considerá-lo foragido pelas autoridades locais.
As investigações, que correm no âmbito da Operação Sucessione, revelam que o suposto esquema ilícito funcionava como um verdadeiro negócio de família, onde a cúpula da organização contava com a participação direta de parentes do ex-deputado. Seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, já se encontram atrás das grades, assim como o advogado Rhiad Abdulahad, apontado como parte do braço estratégico do grupo. Enquanto isso, o pai do ex-político, Roberto Razuk, que já cumpria prisão domiciliar, está com o quadro de saúde bastante debilitado e precisou ser internado às pressas em uma Unidade de Terapia Intensiva.
Esta nova ordem de prisão se soma a um histórico recente de derrotas nos tribunais. No final do ano passado, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul já havia condenado o então deputado a uma pena superior a 15 anos de reclusão. Na ocasião, o magistrado do caso foi enfático ao declarar que os crimes de roubo, exploração de jogos de azar e organização criminosa armada não possuíam a mais remota ligação com o exercício das atribuições constitucionais esperadas de um parlamentar. O político recorreu da sentença para tentar reverter a decisão em instâncias superiores.
Ao todo, o Ministério Público Estadual denunciou 20 pessoas ligadas ao grupo por utilizarem suposta corrupção, lavagem de dinheiro e violência para assegurar o controle da atividade ilegal no Estado. Além das penas de reclusão, a Promotoria exige o pagamento de 36 milhões de reais como reparação por danos morais e materiais, baseando-se na Lei de Lavagem de Dinheiro para sufocar o patrimônio financeiro construído pelo clã.




