Telemarketing abusivo revolta consumidores: ligações insistentes invadem a privacidade e tiram a paz dos brasileiros

Chamadas repetitivas, inclusive aos finais de semana, fazem crescer as reclamações e o debate sobre a necessidade de regras mais rígidas

BATANEWS/REDAçãO


Foto: Divulgação

O telefone toca. A pessoa atende e a ligação cai. Minutos depois, outro número liga. Em seguida, mais um. Essa cena tem se repetido diariamente na vida de milhões de brasileiros e já se transformou em um dos principais motivos de reclamações entre consumidores.

As chamadas de telemarketing, que deveriam servir para apresentar produtos e serviços, passaram a ser vistas por muitos como uma prática abusiva. Há relatos de pessoas que recebem dezenas de ligações por dia, vindas de números diferentes, dificultando qualquer tentativa de bloqueio.

O problema não se limita aos dias úteis. Muitos consumidores afirmam que as ligações continuam aos sábados, domingos e feriados, interrompendo momentos de descanso e convivência familiar.

"Não é apenas uma ligação. São várias durante o dia inteiro. Quando você bloqueia um número, outro aparece logo em seguida", relata uma consumidora da região do Vale do Ivinhema.

Quando a insistência ultrapassa os limites
Especialistas em direito do consumidor destacam que oferecer produtos e serviços é uma atividade legítima, mas ela deve respeitar limites e não comprometer o direito à privacidade e ao sossego das pessoas.

Entre as reclamações mais comuns estão:

Ligações sucessivas em poucos minutos;
Chamadas que caem assim que são atendidas;
Contatos em horários inadequados;
Ligações durante finais de semana e feriados;
Utilização de diversos números para evitar o bloqueio.
Em muitos casos, consumidores deixam de atender chamadas importantes por medo de que sejam apenas mais uma tentativa de venda.

Tecnologia aumentou o alcance das ligações
Com sistemas automatizados, empresas conseguem realizar milhares de chamadas diariamente. Embora essa tecnologia tenha reduzido custos para as centrais de atendimento, ela também contribuiu para o aumento da sensação de invasão de privacidade.

O excesso de ligações afeta trabalhadores, aposentados, comerciantes, profissionais autônomos e até idosos, que frequentemente são interrompidos por chamadas indesejadas ao longo do dia.

Consumidores cobram fiscalização
As reclamações crescem em órgãos de defesa do consumidor e nas redes sociais. Muitos brasileiros defendem punições mais severas para empresas que insistem em ligar repetidamente, mesmo após o consumidor demonstrar que não deseja receber novas ofertas.

Para especialistas, o relacionamento entre empresas e clientes deve ser baseado no respeito. Quando a insistência se torna exagerada, a estratégia de vendas pode produzir o efeito contrário, afastando consumidores e prejudicando a imagem das próprias empresas.

O que fazer para reduzir as ligações
Quem enfrenta esse problema pode adotar algumas medidas para diminuir o número de chamadas:

Bloquear os números diretamente no celular;
Solicitar à empresa a exclusão do cadastro para ações de marketing;
Registrar reclamações nos órgãos de defesa do consumidor;
Evitar informar o telefone em cadastros sem necessidade;
Utilizar serviços disponíveis para reduzir chamadas de telemarketing.
Enquanto isso, cresce entre os consumidores a expectativa por uma fiscalização mais eficiente e por medidas que garantam o equilíbrio entre a atividade comercial das empresas e o direito do cidadão à privacidade.

O telefone celular tornou-se uma ferramenta indispensável para o trabalho, a comunicação e as emergências. Por isso, o respeito ao tempo e à tranquilidade das pessoas também deve fazer parte da relação entre empresas e consumidores.