Com patroa presa, corpo de empregada segue desaparecido há 2 semanas

BATANEWS/REDAçãO


Foto: Reprodução/Metrópoles

Na última terça-feira (14/7), completam-se duas semanas desde que Berenice Ramos de Aguiar Faria, de 60 anos, desapareceu após pegar uma carona com a patroa, Eliane Alves dos Santos, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que a cozinheira tenha sido assassinada. O corpo da mulher ainda não foi localizado.

Equipes fazem buscas na divisa entre Ubatuba e Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, após receberem uma denúncia anônima de que os restos mortais de Berenice teriam sido ocultados naquela região.

Eliane é considerada a principal suspeita do crime. Ela foi presa temporariamente na última sexta (10/7). A empresária foi a última pessoa a ver a cozinheira com vida.

A versão sobre a carona é, inclusive, questionada pelo filho de Berenice Faria. “Ela fala que tava dando uma carona pra minha mãe pro centro. Só que ela para no meio do caminho, por qual motivo? Cheia de mala, ela iria parar cheio de mala?', declarou José Carlos de Faria Filho, filho da cozinheira, em entrevista ao Metrópoles.

Imagens de uma câmera de segurança flagraram um trecho do trajeto feito pela caminhonete de Eliane na tarde de 30 de junho, dia do desaparecimento de Berenice.

De acordo com informações apuradas pela reportagem, a cozinheira e a patroa teriam tido um desentendimento pouco antes. Os valores devidos pela empresária pela rescisão do contrato de trabalho da cozinheira seriam o motivo da discussão.

Berenice Faria trabalhou cerca de quatro meses no restaurante de Eliane sem registro na carteira de trabalho. A cozinheira esperava receber entre R$ 4 mil e R$ 5 mil após ter sido dispensada. A patroa, no entanto, teria oferecido apenas R$ 900. Berenice não aceitou.

O namorado de Eliane ainda teria aconselhado Berenice Faria a aceitar o valor e depois procurar os direitos na Justiça. Um advogado trabalhista, inclusive, teria tentado mediar uma negociação entre as duas, mas sem sucesso.

Entenda o caso

Berenice Ramos de Aguiar Faria, de 60 anos, desapareceu no dia 30 de junho, após aceitar uma carona da patroa, proprietária do restaurante onde trabalhava, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo.

Um dia antes do desaparecimento, a cozinheira informou à família que havia sido dispensada do trabalho. Segundo os parentes, ela pretendia retornar para Igaratá, cidade onde morava.

Inicialmente, o caso foi registrado como desaparecimento. No entanto, com o avanço das investigações, a Polícia Civil passou a tratar o episódio como homicídio. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Sebastião concluiu que Berenice foi assassinada, embora o corpo da cozinheira ainda não tenha sido localizado.

A patroa da vítima foi presa temporariamente e é apontada pela Polícia Civil como a principal suspeita do crime. Conforme as investigações, uma das principais linhas apuradas é que o assassinato tenha sido motivado por questões relacionadas ao pagamento da rescisão trabalhista da funcionária.

A investigação também revelou que a suspeita teria contado com a ajuda de dois homens para ocultar o corpo da cozinheira após o crime. Ambos foram presos temporariamente e respondem pelo envolvimento na ocultação de cadáver. A Polícia Civil segue com as diligências para localizar o corpo de Berenice e esclarecer todos os detalhes do caso.

Em depoimento, a empresária afirmou que teria pago R$ 2,6 mil em espécie para a funcionária. “Vai pagar em espécie? E se você tem uma empresa e você vai pagar seu funcionário, ele tá indo embora, você precisa pelo menos ter algum tipo de recibo, algo comprobatório que o acordo tá se encerrando e também não tem isso', contesta José Carlos, filho de Berenice.

Além do restaurante/pizzaria, Eliane Alves dos Santos também é dona de um mercado e uma casa de ração no bairro Ubatumirim, em Ubatuba. Mesmo com todos os empreendimentos, ela registrou na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) capital social de R$ 5 mil.

O Metrópoles não conseguiu localizar a defesa da empresária. O espaço permanece aberto.

(Informações Metrópoles)