MP já tem 10 operações contra corrupção no ano, mas última delação foi em 2024

Colaboração premiada foi na Tromper, que mostrou o caminho da propina em Sidrolândia

BATANEWS/CGNEWS


Tiago Basso, ex-servidor do setor de Compras e Licitações de Sidrolândia, durante depoimento. (Foto: Reprodução)

Em 2026, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) já deflagrou dez operações contra corrupção, mas a última delação premiada, recurso bastante comum em ações pelo País afora, data de 2024, na Tromper, palavra francesa que significa “enganar'.

A primeira fase foi deflagrada em maio de 2023 por meio do Gaeco ( Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e da 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia. A ofensiva foi contra organização criminosa que atuava desde 2017 fraudando licitações públicas na cidade. Os delatores chegaram em 2023 e 2024

Primeiro, o ex-servidor municipal Tiago Basso mostrou como empresários operavam contratos e pagamentos relacionados ao grupo de Cláudio Jordão de Almeida Serra Filho (PSDB). Claudinho Serra foi secretário de Fazenda em Sidrolândia e vereador em Campo Grande.

Preso na 2ª fase, Basso admitiu ter recebido propina por fazer parte do esquema de corrupção instalado na Prefeitura de Sidrolândia e devolveu R$ 80 mil. O delator também se livrou da prisão e de ser denunciado pelo MPMS. Ele era funcionário do setor de compras e licitações.

Em 2024, o empresário e advogado Milton Matheus Paiva Matos também fez acordo de delação premiada na Tromper. Ele era proprietário da empresa 3M Produtos e Serviços e foi apontado como um dos responsáveis por sacar propina que seria destinada a Claudinho.

Em 2020, a Operação Laços Ocultos, que investigou fraudes em licitação e desvio de recursos públicos na Prefeitura de Amambai, teve a colaboração premiada de uma engenheira. Imagens extraídas do computador da delatora mostravam investigados ostentando maços de vultosas quantias de dinheiro.

No ano de 2019, empresário fez acordo de delação premiada na segunda fase da Operação Purificação, realizada em parceria entre o MPMS e a PF (Polícia Federal). O alvo era desvio de dinheiro público em Dourados, segunda cidade mais populosa de Mato Grosso do Sul.

Ele sacava dinheiro em espécie da conta bancária da empresa e entregava em mãos a diretor financeiro da Secretaria de Saúde.

A reportagem questionou o MPMS sobre as dificuldades para se fazer acordo de colaboração premiada e aguarda resposta.

Operações contra corrupção

 21 de janeiro de 2026 - Collusion 

Investiga organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública, em especial fraudes a licitações e contratos públicos, mediante conluio entre os investigados para a obtenção de contratos relacionados a materiais e serviços gráficos firmados com a prefeitura e a Câmara Municipal de Terenos.

21 de janeiro de 2026 - Simulatum

Apura a existência de organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública, mediante fraude em contratos de publicidade e locação de equipamentos de som firmados com a Câmara Municipal de Terenos, desde 2021.

10 de fevereiro de 2026 – Cartas Marcadas

A ofensiva cumpriu 76 ordens judiciais (46 buscas, 5 afastamentos de cargos, 22 proibições de contratar com o poder público e 3 suspensões de contratos). A investigação apura organização criminosa voltada ao direcionamento de licitações e fraudes em contratos públicos nos municípios de Corguinho e Rio Negro, com medidas também em Aquidauana, Campo Grande, Rochedo e Terenos.

12 de fevereiro - Lucro Certo

A investigação constatou a existência de contratos celebrados, sem licitação, entre o município de Coxim e empresa de advocacia nos anos de 2021, 2022 e 2023, que previam pagamentos a serem feitos em caso de vitória na recuperação de créditos de ICMS.

26 de fevereiro de 2026 – Camuflagem 

Investigação sobre lavagem de dinheiro relacionada às fases anteriores da Operação Tromper, em Sidrolândia. Foram cumpridos 8 mandados de busca e apreensão e 5 mandados de prisão. A ação apura ocultação de patrimônio e movimentação financeira por meio de terceiros e empresas.

31 de março de 2026 - Mão Dupla

A operação cumpriu  23 mandados de busca e apreensão, 13 mandados de medidas cautelares diversas e 2 mandados de suspensão do exercício de função pública nas cidades de Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó.

23 de abril de 2026 – Oncojuris

 O MPMS integrou ofensiva contra fraudes envolvendo medicamentos oncológicos. A ação verificou mortes de pacientes em tratamento contra o câncer, faz pente-fino em dez mil processos desde 2023 e aponta que a organização criminosa movimentou R$ 78 milhões.

 12 de maio de 2026 – Buraco Sem Fim 

 Operação contra esquema de fraude em contratos de manutenção de vias públicas de Campo Grande. Foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão. A investigação aponta fraudes em contratos que somam mais de R$ 113 milhões, com apreensão de aproximadamente R$ 429 mil em dinheiro vivo

19 de maio de 2026 – Rota Desviada

 Cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. A investigação apura desvio de recursos públicos destinados ao transporte universitário por meio da Associação dos Estudantes Universitários de Nova Alvorada do Sul, envolvendo suspeitas de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.

7 de julho de 2026 – Gutenberg 

Investigação aponta que organização criminosa subornava servidores públicos para direcionar licitações e até condicionar vagas em hospitais. Foram 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).