Governo Lula diz ver com 'preocupação' anúncio de Ortega e apela a autoridades da Nicarágua que garantam eleições livres

Presidente do país da América Central disse que não haverá mais eleições na Nicarágua. Anúncio foi feito por Daniel Ortega em comício alusivo aos 27 anos da Revolução Sandinista.

BATANEWS/G1


Foto de arquivo: Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e a sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, em 5 de setembro de 2018. — Foto: AP Photo/Alfredo Zuniga

O governo brasileiro divulgou nesta quinta nota com 'preocupação' sobre o anúncio de Daniel Ortega de que não haverá eleições na Nicarágua.

O Itamaraty apelou por eleições livres. No último domingo, Ortega declarou que partidos colocados por opositores jamais voltarão ao governo.

Ortega acusou a oposição de tentar 'tomar o poder'. Ele governa o país há quase duas décadas e as próximas eleições estavam previstas para 2027.

A OEA e líderes internacionais criticaram o presidente da Nicarágua. Ele assumiu em 2007 e reescreveu a constituição, controlando os ramos do governo.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou nesta quinta-feira (23) uma nota em que diz ver com "preocupação" o anúncio feito pelo presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de que não haverá eleições no país da América Central.

No comunicado, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro também faz um apelo a autoridades da Nicarágua para que garantam a realização de eleições livres no país.

Durante um comício dos 27 anos da Revolução Sandinista no último domingo (19), Ortega afirmou: "Não pensem que porque não há guerra, estamos em paz. Eles continuam conspirando, conspirando, acabou a história de que partidos colocados pelos ianques, colocados pelos somozistas, voltarão ao governo. Jamais, jamais, jamais".

Ortega também acusou a oposição de tentar usar as eleições "para tomar o poder". Ele governa a Nicarágua há quase duas décadas. As próximas eleições presidenciais estavam previstas para 2027.

No comunicado divulgado pelo Itamaraty, o governo brasileiro diz "que a realização de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes é um dos esteios da democracia, valor com que o Brasil tem um profundo compromisso".

"[O governo brasileiro] conclama as autoridades do país, por isso, a assegurarem ao povo nicaraguense o livre exercício do direito soberano de escolha dos seus governantes", completa a nota da diplomacia brasileira.

Após as declarações de Ortega, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e líderes internacionais criticaram a fala do presidente da Nicarágua.

O ex-guerrilheiro sandinista voltou à presidência em 2007 e, junto com a primeira-dama e vice-presidente Rosario Murillo, reescreveu a constituição, esmagou a oposição política e consolidou controle sobre praticamente todos os ramos do governo.