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Cidadãos que querem entrar ou permanecer na política 'desaparecem' por dois ou quatro anos e reaparecem na época da eleição
BATANEWS/NEY OLEGáRIO
A cada período eleitoral, a cena se repete em diversas cidades do Brasil. Candidatos e pré-candidatos que passaram anos longe dos debates públicos voltam a aparecer nas redes sociais, gravando vídeos em obras inacabadas, ruas esburacadas, asfaltos com defeitos e denunciando problemas que, muitas vezes, já eram conhecidos pela população.
A crítica é legítima quando busca cobrar soluções. O problema é quando essa fiscalização só acontece em período de campanha. Durante dois ou quatro anos, muitos dos que hoje se apresentam como fiscais da gestão pública ocuparam cargos, exerceram mandatos, atuaram na iniciativa privada, em organizações da sociedade civil ou tiveram influência política. Ainda assim, permaneceram em silêncio diante de problemas que agora utilizam como discurso eleitoral.
A população tem o direito de questionar, onde estavam essas vozes durante todo esse tempo? Por que a cobrança ganha força apenas quando as eleições se aproximam?
Outro ponto que merece reflexão é que muitos candidatos apontam falhas em municípios vizinhos, mas deixam de exercer o mesmo rigor na fiscalização da própria cidade, onde poderiam contribuir de forma mais efetiva. A fiscalização deve ser permanente, imparcial e voltada ao interesse público, e não apenas uma estratégia de campanha.
Também chama a atenção que, quando uma obra é concluída, um serviço melhora ou uma política pública apresenta resultados positivos, muitos dos que hoje aparecem criticando simplesmente desaparecem. A democracia precisa tanto da crítica responsável quanto do reconhecimento quando algo dá certo.
Esse comportamento não é exclusivo de uma cidade, de um partido ou de Mato Grosso do Sul. Situações semelhantes podem ser observadas em diversas regiões do Brasil. Por isso, cabe ao eleitor analisar não apenas os vídeos publicados durante a campanha, mas principalmente o histórico de atuação de cada candidato, quais propostas apresentou, quais ações desenvolveu, quais fiscalizações realizou ao longo do tempo e quais resultados efetivamente entregou à população.
Mais do que discursos de ocasião, o Brasil e Mato Grosso do Sul precisam de representantes presentes durante os quatro anos de mandato, e não apenas nos meses que antecedem as eleições. A verdadeira fiscalização acontece diariamente, e o compromisso com a população deve existir antes, durante e depois do período eleitoral.
Na avaliação de um cidadão de Batayporã, o eleitor está cada vez mais informado. "A internet já faz parte da realidade há muitos anos. Hoje, praticamente toda residência possui de dois a quatro celulares. As pessoas viajam mais, acompanham notícias de diferentes fontes e conseguem observar por conta própria o que está certo, o que está errado e o que ainda pode melhorar."
O morador também levanta outro questionamento: "Por que essas cobranças aparecem somente agora? Será que, antes disso, buscaram entender os motivos para o atraso de obras, a recuperação de rodovias, o pagamento de programas sociais, os impactos do tarifaço ou até mesmo das disputas políticas motivadas por interesses e vaidades? A população espera que o debate eleitoral vá além das críticas e apresente soluções concretas para os problemas do país."
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