As preocupações dos adversários de Lula com a própria segurança

Presidenciáveis detalham estratégias e temores sobre segurança nas eleições -- de recusa à proteção da Polícia Federal a escoltas reforçadas

BATANEWS/VEJA


Flávio Bolsonaro durante lançamento de sua proposta de governo para a segurança pública, 'Brasil Sem Medo' (Vittor Sales/Divulgação)

As pesquisas mais recentes são unânimes em apontar o combate à violência e à criminalidade como a grande prioridade dos brasileiros nas eleições de outubro. Os dados dos levantamentos se refletem não só nas narrativas difundidas durante a campanha mas, também, na preocupação dos candidatos com sua própria proteção. Adversários do presidente Lula no pleito citam razões variadas para o receio com o risco de sofrer ataques ou algum tipo de sabotagem.

Principal rival do petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou ter recusado a escolta que a Polícia Federal oferece a todos os candidatos ao Palácio do Planalto por temer que a corporação infiltre espiões em sua campanha. “Não confio no atual chefe da PF”, disse, referindo-se a Andrei Rodrigues como “pau-mandado do Lula”. O Zero Um afirmou que declarações do presidente estariam por trás de um aumento das ameaças contra a sua vida no último mês, que o levaram a triplicar o número de agentes da Polícia Legislativa do Senado em sua equipe e fazer uso permanente de colete à prova de balas.

O empresário Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) que apareceu em terceiro lugar na última pesquisa Real Time Big Data, antecipou a convenção que oficializou seu nome na disputa pelo recém-criado Missão e passou a contar com proteção da PF, sustentando que a decisão era “ questão de sobrevivência” depois de sofrer ameaças do PCC e do Comando Vermelho em visitas ao Ceará e ao Rio de Janeiro.

No início do mês, atendendo a um pedido do Ministério Público, a Justiça de Goiás determinou a redução do efetivo de segurança do ex-governador Ronaldo Caiado de 51 para quatro policiais militares. O presidenciável do PSD, o que mais ostenta a bandeira da linha-dura contra criminosos, reclamou da decisão, dizendo que o combate a facções violentas no estado durante seus governos impunha um custo sobre sua segurança pessoal. Em nota a VEJA, declarou que, “em função dos riscos e ameaças a que está sujeito, por ter desbaratado 272 quadrilhas e enfrentado o PCC e o Comando Vermelho”, tem usado a proteção garantida a ex-governadores de Goiás e seus familiares e, uma vez oficializada sua candidatura, pedirá a proteção da Polícia Federal.

O escritor Augusto Cury, pré-candidato pelo Avante, disse que, desde o anúncio de sua postulação à Presidência, passou a receber ameaças, que foram imediatamente comunicadas à Polícia Federal para as providências cabíveis. “Esse cenário evidenciou como o ambiente político pode se tornar extremamente tóxico”, apontou. 

Enquanto sua legenda não realiza a convenção para confirmar sua candidatura, o autor best-seller conta com agentes de segurança particular. Durante a campanha, acionará a prerrogativa de ser escoltado pela PF, afirmou, acrescentando que seu relacionamento com a corporação “também decorre do fato de que, ao longo de muitos anos, Augusto Cury contribuiu para programas voltados à gestão da emoção e à qualidade de vida de agentes da Polícia Federal”.