Sem citar Trump, Cármen Lúcia defende democracia e diz que ninguém deve interferir no país

Ex-presidente do TSE, a ministra do STF afirmou que cabe aos brasileiros decidir os rumos do Brasil e disse que urnas eletrônicas são 'confiáveis, transparentes e auditáveis'.

BATANEWS/G1


Ministra Cármen Lúcia em evento no Rio — Foto: Reprodução/GloboNews

A ministra Cármen Lúcia, ex-presidente do TSE, defendeu a democracia brasileira nesta segunda-feira (27). Ela afirmou que ninguém deve interferir nas decisões do país.

Sem citar diretamente Donald Trump, acusado pelo governo Lula de tentar interferir nas eleições, a ministra declarou que os brasileiros devem definir os próprios rumos. Ela alertou contra tentativas de 'fragilização' institucional.

No evento da SBPC, a ministra relembrou a ditadura militar brasileira. Ela destacou a entidade como espaço de resistência e debate em períodos de repressão política.

Cármen associou a democracia ao voto e defendeu a urna eletrônica como um sistema 'confiável, transparente e auditável' pelo povo brasileiro. Ela não citou os recentes ataques de Flávio Bolsonaro (PL) à urna.

A ministra mencionou o prazo de 70 dias para as eleições, defendendo a escolha livre de representantes. Ela abordou ainda a participação histórica feminina na sociedade.

Em evento no Rio de Janeiro, a ministra Cármen Lúcia defendeu nesta segunda-feira (27) a democracia brasileira e afirmou que ninguém deve interferir nas decisões tomadas pelo país.

Sem mencionar diretamente líderes ou governos estrangeiros, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusado de tentar interferir nas eleições do Brasil, a ministra disse que os brasileiros devem definir os próprios rumos e alertou contra tentativas de fragilização das instituições democráticas.

A declaração foi feita durante participação na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói, na Região Metropolitana do RJ, em um discurso marcado por referências ao período da ditadura militar, à importância da participação popular e à defesa do sistema eleitoral brasileiro.

"Há que haver espaços como este, reuniões como essa, que dão a demonstração daqueles vetores, daqueles temas mais importantes para que a gente caminhe e fortaleça a democracia no Brasil e em todos os lugares do mundo, para que ninguém queira também interferir e fragilizar a nossa democracia."

Em seguida, a ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçou que cabe aos próprios brasileiros decidir o que desejam para o país:

"Somos nós que temos que falar o que é para nós no Brasil, o que nós queremos", disse.

Ao longo do discurso, Cármen Lúcia relembrou sua experiência durante a ditadura militar e afirmou que instituições como a SBPC funcionavam como espaços de resistência e debate em um período de restrições às liberdades.

"Eu, no período em que fui estudante, algumas instituições eram nossa voz, porque estávamos com a boca amordaçada. Proibidas de pensar", declarou.

Segundo a ministra, as eleições da entidade científica mobilizavam a sociedade porque representavam uma oportunidade de manifestação em um período de repressão política.

"As eleições da SBPC eram aguardadas por nós, eram de conhecimento do Brasil inteiro. Cumpria a voz de ser daqueles que não podiam levantar sua voz", afirmou.

Defesa das urnas eletrônicas

Cármen também associou a democracia ao exercício do voto e voltou a defender a confiabilidade da urna eletrônica.

Ao comentar o lançamento de um livro sobre a Constituição, ela disse que, diferentemente dos regimes em que as decisões eram tomadas por monarcas, na democracia a vontade popular se manifesta por meio das eleições.

"Antes era por um rei. Hoje o povo, pela sua mão, diz o que quer", afirmou. "Aqui na democracia, a urna brasileira precisa só de um dedo na urna eletrônica confiável, transparente e auditável. Feita pelo Brasil e pelo povo."

A ministra não citou as recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, com acusações às urnas eletrônicas já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).