Política
O candidato que pode ameaçar Flávio Bolsonaro na direita, segundo cientista político
No Ponto de Vista, Elias Tavares avalia que crescimento entre eleitores insatisfeitos com o bolsonarismo pode mexer no tabuleiro presidencial
BATANEWS/VEJA
A manutenção da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a segunda colocação do senador Flávio Bolsonaro mostram estabilidade na corrida presidencial, mas é o desempenho de Renan Santos que merece atenção especial no novo levantamento da AtlasIntel analisado no Ponto de Vista. A avaliação é do cientista político Elias Tavares, que vê potencial para o candidato do Missão avançar sobre uma parcela do eleitorado de direita hoje insatisfeita com o bolsonarismo (este texto é um resumo do vídeo acima).
Na pesquisa exibida no programa, apresentado por Laísa Dall’Agnol, Lula aparece com 44,9% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35,8%. Renan Santos registra 7,8%, à frente de Ronaldo Caiado, com 3,1%, e Romeu Zema, com 2,8%. Em um eventual segundo turno, Lula marca 49,2%, contra 42,9% de Flávio.
Tavares avalia que os dois líderes apresentam pouca movimentação. “O Lula está num teto, a gente entende dessa forma, assim como o Flávio Bolsonaro também.” Ele considera, porém, que Lula está mais consolidado, enquanto Flávio tenta recuperar terreno depois da queda observada nos levantamentos anteriores.
Por que os 7,8% de Renan Santos chamam atenção?
Para Tavares, o desempenho de Renan é o elemento mais relevante da pesquisa justamente por se tratar de um candidato com menor experiência eleitoral e grau de conhecimento inferior ao de adversários mais tradicionais. Segundo o cientista político, o resultado indica que sua candidatura deixou de ser apenas uma presença marginal na corrida. “Não é uma candidatura virtual.”
Tavares destacou ainda o contraste com Caiado e Zema. Os dois, apesar da experiência política e da passagem por governos estaduais, aparecem individualmente na faixa dos 3%.
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Renan pode tirar votos de Flávio Bolsonaro?
Essa é uma das principais hipóteses levantadas pelo especialista. Na avaliação de Tavares, o crescimento de Renan tende a ocorrer especialmente dentro do eleitorado de direita, o que pode representar um problema para Flávio. “Ela vai acabar incomodando aí, muito provavelmente até incomodando a candidatura do Flávio.”
Para o analista, esse movimento também favoreceria Lula, uma vez que poderia fragmentar votos atualmente concentrados no principal candidato da direita.
O diferencial de Renan, segundo Tavares, está justamente na disposição de confrontar o próprio bolsonarismo, em vez de tentar disputar o eleitor conservador reivindicando proximidade com o grupo político. “Ele é um opositor ao bolsonarismo. Ele põe o dedo na ferida do bolsonarismo. Ele não tenta surfar numa onda de Bolsonaro.”
De onde pode vir o crescimento de Renan?
Segundo o cientista político, parte desse avanço ocorre de forma orgânica nas redes sociais e alcança um segmento com o qual outros candidatos de direita encontram dificuldade para se comunicar. “Ele fala com uma parcela de um eleitorado que esses outros candidatos também não falam.”
Na avaliação de Tavares, eleitores de direita que se afastarem de Flávio diante dos desgastes da candidatura podem encontrar em Renan uma alternativa. “Eu percebo que o Renan pode vir a ser esse candidato, que essa direita que talvez fique inconformada ou que sinta no Flávio um desgaste comece a migrar.”
Há espaço para uma terceira via na eleição?
Para Tavares, a campanha eleitoral e, especialmente, os primeiros debates podem ser decisivos para testar o alcance da candidatura de Renan. O cientista político considera possível que a maior exposição faça o candidato avançar além do atual patamar.
Se esse movimento ocorrer, segundo Tavares, a eleição passaria a contar com uma nova força relevante dentro do campo da direita, capaz de desafiar a polarização que até agora mantém Lula e Flávio Bolsonaro nas duas primeiras posições. “Aí a gente pode começar a pensar em terceira via, vamos dizer assim, embora ligada à direita.”
A análise de Tavares, portanto, aponta menos para uma mudança imediata na liderança da corrida e mais para uma possível reorganização do eleitorado oposicionista: enquanto Lula aparece consolidado e Flávio tenta recuperar terreno, Renan surge como o nome que pode alterar a distribuição de forças dentro da direita.




