Agricultura
Super El Niño coloca manejo nutricional das lavouras no centro das estratégias contra perdas climáticas
Com alta probabilidade de persistir até 2027, fenômeno deve intensificar extremos climáticos no Brasil. Engenheiro agrônomo explica como a nutrição das plantas pode reduzir os impactos sobre a produção.
BATANEWS/OPR
Toda safra começa sob influência de um fator que escapa ao controle do produtor: o clima. Seca prolongada, ondas de calor ou excesso de chuvas podem comprometer o desenvolvimento das lavouras e reduzir a produtividade. Com a previsão de um Super El Niño nos próximos meses, especialistas reforçam que o planejamento da próxima safra deve incluir estratégias para aumentar a capacidade das plantas de enfrentar condições climáticas adversas.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico tem 97% de probabilidade de permanecer ativo até o início de 2027 e 81% de chance de atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão no Hemisfério Sul.
Embora não seja possível evitar os efeitos do fenômeno climático, é possível tornar as lavouras mais preparadas para enfrentá-los. “Não conseguimos modificar o El Niño nem impedir períodos de seca, calor intenso ou excesso de chuva. O que podemos fazer é preparar melhor as plantas para responder a esses diferentes cenários climáticos”, afirma o engenheiro agrônomo Valter Casarin.
Impactos variam conforme a região Embora o El Niño seja um fenômeno global, seus efeitos não são uniformes no território brasileiro. De acordo com nota técnica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), episódios de El Niño costumam reduzir o volume de chuvas em áreas das regiões Norte e Nordeste e em parte do Centro-Oeste e Sudeste, aumentando o risco de déficit hídrico e afetando o desenvolvimento das culturas.
No Sul do país, por outro lado, a tendência é de aumento das precipitações. O excesso de umidade pode dificultar as operações no campo, prejudicar o manejo das lavouras e favorecer a ocorrência de doenças e outros problemas fitossanitários.
Esse comportamento reforça a necessidade de estratégias adaptadas à realidade de cada região para reduzir os riscos associados ao clima.
Nutrição fortalece a resposta das plantas ao estresse Além de contribuir para maiores produtividades, a adubação equilibrada exerce papel importante na resposta fisiológica das plantas diante de situações de estresse ambiental. Estudos em fisiologia vegetal indicam que o manejo adequado dos nutrientes favorece o desenvolvimento do sistema radicular, melhora o aproveitamento da água disponível no solo, contribui para a manutenção da atividade fotossintética e acelera a recuperação das plantas após períodos de seca ou temperaturas elevadas.
Segundo Casarin, esses benefícios são potencializados quando a fertilização é integrada a ferramentas como análise de solo, monitoramento climático e agricultura de precisão. “A nutrição das plantas não substitui um clima favorável, mas aumenta sua capacidade de reação quando as condições deixam de ser ideais. Assim como uma pessoa bem alimentada tende a enfrentar melhor uma doença ou uma onda de calor, uma planta equilibradamente nutrida desenvolve mecanismos naturais que ampliam sua resistência aos estresses ambientais”, explica.
Agricultura mais resiliente A frequência crescente de eventos climáticos extremos tem ampliado o desafio da agricultura brasileira. Mais do que buscar altas produtividades, produtores e técnicos precisam adotar práticas que reduzam a vulnerabilidade das lavouras diante das oscilações do clima.
Nesse contexto, a construção da resiliência passa por um conjunto de medidas que inclui planejamento agronômico, monitoramento meteorológico, manejo adequado do solo e nutrição equilibrada das plantas. Essas estratégias contribuem para reduzir perdas, preservar o potencial produtivo das culturas e aumentar a segurança da produção em diferentes condições climáticas.



