Policial
Menina de 3 anos foi atingida antes do pai durante execução
Criança tinha costume de ficar atrás do banco do motorista quando ele estacionava o carro
BATANEWS/CGNEWS
A menina de 3 anos morta junto com Márcio Aparecido da Silva Filho, 27 anos, foi a primeira a ser atingida pelos disparos efetuados por Joabi Gonçalves Andrade da Silva, o “Sucuri'. A criança era filha do alvo e a execução aconteceu no último sábado (1º), em Cassilândia, a 418 quilômetros de Campo Grande. A enteada do rapaz, menina de 12 anos, foi atingida por estilhaços e socorrida.
Durante coletiva de imprensa, o comandante do Choque, major Cleyton da Silva Santos, explicou que a menina tinha o costume de se posicionar atrás do banco do pai assim que ele estacionava o carro para descer. Por isso, quando o autor chegou, ela foi a primeira a ser atingida.
“O disparo pegou na cabeça da criança e passou na parte traseira, na nuca. Foi um crime que teve uma comoção social muito grande', disse Cleyton.
Segundo o major, ainda no sábado um suspeito foi preso e confessou ter pilotado a motocicleta que levou Sucuri até o local do crime. Os policiais deram início às investigações e descobriram que Joabi estava escondido na área rural da cidade, junto com um foragido.
A equipe foi até o local na noite de terça-feira (4) e conseguiu localizar os dois suspeitos. Foi feita a abordagem na casa e, quando os policiais entraram no primeiro cômodo, Sucuri apontou a arma e foi baleado.
No local também estava Pedro Henrique Silva Barbosa, o “Pedrinho', que chegou a atirar e atingir o colete de um dos policiais. Ele também foi baleado. Ambos foram socorridos, mas não resistiram aos ferimentos. O terceiro homem, Kewerson Borges Viana, de 23 anos, foi preso. Ele estava com mandado em aberto por homicídio expedido pela Justiça do Mato Grosso.
De acordo com o comandante, o crime foi motivado por inimizade entre os envolvidos por conta de disputa por tráfico de drogas. “Havia um registro anterior no qual o Márcio teria sido o autor de uma tentativa de homicídio na cidade de Paranaíba contra um rapaz (possivelmente chamado Heitor), que era comparsa do indivíduo conhecido como 'Sucuri'. A inimizade vinha dessa relação', afirmou Cleyton.
Duplo homicídio
O atentado ocorreu quando as vítimas estavam no interior de um veículo na esquina das ruas Nestor Alves Barbosa e João Cristino da Silva, na Vila Pernambuco. Márcio e a criança não resistiram aos ferimentos e morreram no local. Uma segunda criança também acabou atingida por estilhaços durante os disparos, sendo socorrida.
A Polícia Civil e o BPMChoque (Batalhão de Choque da Polícia Militar) investigam o caso para apurar a autoria dos disparos e a veracidade das notas que circulam nas redes sociais. A principal linha de investigação aponta para o conflito e disputa de território entre facções criminosas na região do Bolsão.
Histórico policial dos dois mortos
Joabi acumulava registros policiais desde 2018. As ocorrências incluíam tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, ameaça, lesão corporal, violência doméstica, adulteração de sinal identificador de veículo, tentativa de homicídio, homicídio qualificado e favorecimento à organização criminosa. Ao todo, havia 3 registros por tráfico de drogas, 3 por dano em contexto de violência doméstica, 2 por porte ilegal de arma e 2 por ameaça, além de outras ocorrências.
Pedro tinha registros policiais desde 2007. O histórico reunia ocorrências por furto, furto qualificado, tráfico de drogas, porte de drogas para consumo pessoal, lesão corporal, dano, vias de fato, sequestro e cárcere privado, desobediência a decisão judicial e direção sem habilitação com risco de dano. Ele também aparecia em registros operacionais de abordagens, escoltas de presos, averiguações e apoios ao Poder Judiciário. Os registros policiais não significam, por si só, condenações judiciais.



