Três fatores do estilo de vida na meia-idade são ligados a 13 anos a mais livres de Alzheimer na velhice

Novo estudo mostra que mudar hábitos e controlar problemas na faixa dos 50 anos pode resguardar o cérebro lá na frente

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Demência: intervenção na meia-idade pode afastar declínio cognitivo (Foto: GI/Getty Images)

A ciência reúne cada vez mais provas de que a mudança de hábitos e o tratamento de problemas de saúde crônicos são valiosos para a redução do risco de demência, um diagnóstico que engloba a doença de Alzheimer e leva ao colapso da cognição e de outras funções cerebrais. E novas evidências disso vieram à tona em um estudo que traz uma conclusão bastante prática: não fumar, controlar a pressão arterial e evitar o diabetes na meia-idade estão associados a mais tempo de vida livre da desordem neurológica.

Os pesquisadores do centro NYU Langone Health, nos Estados Unidos, avaliaram dados de mais de 12 000 americanos que vêm recebendo acompanhamento médico desde 1986. Ao longo dessas quatro décadas, puderam analisar como o estado de saúde de pessoas na faixa dos 55 anos influenciaria a suscetibilidade à demência com o avançar do tempo.

O estudo, publicado na revista acadêmica Neurology Open Access, descobriu que três fatores na meia-idade se mostraram cruciais para prevenir ou atrasar o problema no cérebro na casa dos 80 anos.

Foram eles: não ter diabetes, estar com a pressão controlada e não fumar. Pessoas que se encaixavam nesse perfil viviam 13 anos adicionais livres de demência, segundo os cálculos dos especialistas.

O trabalho realizou um comparativo entre os pacientes que preenchiam ou não esses critérios. Aqueles que os atendiam aos 55 anos viveram, em média, 30 anos sem demência. Já os que fumavam e tinham hipertensão e diabetes nessa faixa etária viveram no máximo 17 anos extras sem o quadro cognitivo – daí a diferença significativa encontrada pelos cientistas.

No geral, as mulheres viveram mais tempo que os homens sem o diagnóstico de condições como Alzheimer. Pacientes com o gene APOE4, ligado a maior risco da doença, apresentaram de fato menos tempo de vida livre do problema.

Os autores do estudo afirmam que a análise soma pontos à ideia de que é possível intervir no estilo de vida e na saúde na meia-idade para ao menos retardar o surgimento da demência, cujo principal fator de risco é o envelhecimento.

Também existe plausibilidade biológica para os achados. Hoje se sabe que situações que ameaçam as artérias e o coração – como tabagismo, pressão alta e diabetes – também deixam o cérebro em maus lençóis, não só financiando AVCs como também o Alzheimer.

Especula-se que a redução no fluxo de sangue para a massa cinzenta e a inflamação crônica no organismo favoreçam a degradação neurológica com a idade.