Saúde
Deficiência de uma vitamina é associada a um risco 62% maior de varizes | Letra de Médico
É o que revela estudo com dados de mais de 500 000 pacientes. Especialista comenta a relação
BATANEWS/VEJA
Além de contribuir para o fortalecimento ósseo e o funcionamento do sistema imunológico, por exemplo, a vitamina D também pode estar relacionada à saúde vascular. Em estudo publicado no periódico científico Frontiers in Nutrition, a deficiência do nutriente foi associada a um risco 62% maior de desenvolvimento de varizes.
A pesquisa analisou dados de mais de 514 000 adultos a partir dos 40 anos que realizaram pelo menos duas dosagens de vitamina D entre 2010 e 2023. Os participantes foram divididos em dois grupos: o primeiro incluía pacientes com deficiência de vitamina D, definida por níveis iguais ou inferiores a 19,9 ng/mL; o outro agrupava indivíduos com concentrações consideradas suficientes, a partir de 30 ng/mL.
Além do risco aumentado para varizes, os autores da investigação também observaram uma associação entre a carência da substância e um risco 122% maior para varizes com úlceras, 171% para varizes com inflamação e 45% para outras complicações.
Uma das hipóteses envolve a atuação da vitamina D sobre o endotélio, camada que reveste internamente os vasos sanguíneos. O nutriente também participa de mecanismos relacionados ao controle da inflamação, do estresse oxidativo e da disponibilidade de óxido nítrico, substância que auxilia na regulação dos vasos.
Como as varizes são resultado de uma combinação entre enfraquecimento da parede venosa, dilatação das veias, alterações nas válvulas responsáveis por conduzir o sangue de volta ao coração e um processo inflamatório local, faz sentido investigar se níveis baixos de vitamina D poderiam contribuir, direta ou indiretamente.
O estudo avaliou ainda pessoas com níveis considerados insuficientes de vitamina D, entre 20 e 29,9 ng/mL, que também apresentaram risco 56% maior de desenvolver varizes em comparação com indivíduos que apresentavam concentrações a partir de 30 ng/mL.
Apesar de relevante para ampliar a investigação sobre prevenção e tratamento de varizes, o estudo aponta uma associação que precisa ser mais investigada. Ainda não podemos afirmar que a deficiência de vitamina D seja uma causa direta das varizes.
Pessoas com deficiência do nutriente podem compartilhar outros fatores que também interferem na circulação, como menor exposição solar, sedentarismo, obesidade, doenças crônicas e hábitos de vida menos saudáveis. E informações sobre exposição solar, prática de atividade física e hábitos de vida, por exemplo, não estavam disponíveis na base de dados analisada.
Vale ressaltar que os resultados não significam que repor vitamina D evitará o aparecimento de varizes ou que toda pessoa com varizes precise realizar a dosagem do nutriente para, necessariamente, iniciar suplementação. A indicação deve considerar histórico clínico, fatores de risco e avaliação médica individual.
Da mesma forma, corrigir uma eventual deficiência com suplementação não substitui o diagnóstico e tratamento de problemas de circulação. Pessoas com veias dilatadas, dor, peso, inchaço, coceira ou feridas nas pernas não devem hesitar em procurar um cirurgião vascular.
* Aline Lamaita é cirurgiã vascular, mestre em ciências pela Santa Casa de São Paulo e especialista e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV)





