Policial
Alvo de operação, empresário é preso por cárcere e tráfico em clínica
Autos apontam paciente impedido de sair e estoque irregular de psicotrópicos
BATANEWS/CGNEWS
O empresário preso nesta terça-feira (18), em Glória de Dourados, foi acusado de manter um paciente contra a vontade em uma clínica e de ter estoque irregular de medicamentos controlados. A Polícia Civil enquadrou os dois fatos como cárcere privado e tráfico de drogas. Fábio Garcia do Amaral, de 45 anos, foi detido durante buscas na Clínica Vila Bethânia.
A documentação obtida pelo Campo Grande News esclarece o motivo da prisão, informada mais cedo durante a operação. O auto registra Fábio e Marcos Pereira de Matos, de 48 anos, pelas mesmas duas acusações.
A acusação de cárcere surgiu durante entrevista da Defensoria Pública com um jovem, de 22 anos. Ele afirmou que permanecia na Vila Bethânia contra a vontade, não tinha autorização para deixar o estabelecimento e enfrentava dificuldades para falar com familiares. Ele pediu para continuar o relato em uma sala reservada.
O rapaz contou que passou cerca de dois anos ligado à outra clínica, em Fátima do Sul, e depois foi transferido para a Vila Bethânia. Durante o período de ressocialização, a família alugou e mobiliou um apartamento para que ele morasse fora da unidade. Ele também trabalhava como estagiário para a clínica sem receber pagamento.
Segundo o relato, uma recaída no uso de drogas levou Fábio e Marcos ao apartamento para exigir seu retorno. O jovem afirmou que os dois tentavam convencê-lo a permanecer na instituição sempre que ele manifestava intenção de sair. Em algumas dessas ocasiões, segundo o jovem, ele era obrigado a tomar medicamentos.
Já a acusação de tráfico decorreu dos medicamentos encontrados na Vila Bethânia. A fiscalização localizou um estoque de psicotrópicos sujeitos a controle especial, entre eles alprazolam, clonazepam, diazepam, estazolam e midazolam. A clínica não tinha licença sanitária necessária para guardar, utilizar e administrar esses produtos.
Um fiscal relatou que alguns medicamentos eram restritos a unidades hospitalares e que não havia profissional de saúde de nível superior habilitado para aplicá-los. A fiscalização apontou risco de superdosagem e intoxicação, além da falta de estrutura para socorro imediato. Os responsáveis também não apresentaram documentação que comprovasse a origem regular dos remédios.
Entenda - A Operação Cura Terapêutica investiga empresas que prestavam serviços de internação de dependentes químicos custeados pelo Poder Público. Como o Campo Grande News mostrou mais cedo, foram cumpridos 14 mandados em Dourados, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados e Ponta Porã.
A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 1 milhão em bens e valores ligados à investigação.
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