Cotidiano
Sem filtro nas férias: o direito de Juliano Ferro de viver, descansar e se divertir
BATANEWS/NEY OLEGáRIO
Enquanto alguns defendem que homem público precisa manter uma postura quase solene 24 horas por dia, até mesmo durante as férias, o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, parece pensar diferente. E, goste-se ou não do estilo, há uma verdade simples que precisa ser dita, férias são um direito.
Em pleno mês de agosto, Juliano resolveu aproveitar seus dias de descanso sem esconder de ninguém. Foi para a Festa do Peão de Barretos, curti os shows, encontrou amigos, gritou, apareceu sem camisa, tomou sua bebida e publicou vídeos mostrando momentos de pura diversão.
E foi justamente esse jeito irreverente e espontâneo de viver que voltou a dividir opiniões nas redes sociais. Como costuma compartilhar abertamente seus momentos de descontração, os comentários não demoraram a surgir.
Enquanto alguns seguidores defendem que o prefeito merece aproveitar o período de descanso e se divertir, outros consideram que, em determinados momentos, ele acaba extrapolando na exposição.
Não faltaram, é claro, as brincadeiras bem-humoradas. Teve quem o chamasse de “adolescente de 50 anos”, numa referência à energia e à disposição com que aproveita cada momento. Outros resumiram sua presença no Barretão como uma verdadeira demonstração de carisma, irreverência e presença marcante.
Entre elogios, críticas e muita repercussão, uma coisa é certa, quando Juliano Ferro decide aproveitar as férias, dificilmente passa despercebido.
A internet, como sempre, não perdoa. Mas talvez a discussão precise ir além do vídeo, da camisa tirada, da bebida na mão ou da gritaria.
Prefeito também tem direito a férias
Existe uma diferença entre fiscalizar a vida pública e querer determinar como uma pessoa deve viver sua vida particular.
Juliano Ferro é prefeito, sim. Tem responsabilidades, cobranças e o dever de prestar contas à população. Mas também é ser humano. Trabalha durante o ano inteiro sob pressão, toma decisões que afetam milhares de pessoas e vive uma rotina em que praticamente tudo o que faz vira assunto.
Quando chegam as férias, descansar e se divertir não é um favor que a população concede. É um direito. E cada pessoa descansa de um jeito.
Tem quem prefira viajar para um lugar tranquilo. Tem quem desapareça das redes sociais. Tem quem aproveite para dormir. E tem quem, como Juliano, prefira música alta, festa, amigos, rodeio, bebida e muita energia.
Não existe um manual determinando que um prefeito, ao entrar de férias, precise passar seus dias sentado em silêncio, lendo um livro e olhando para o horizonte.
Se o cidadão quer aproveitar intensamente os dias de descanso, desde que respeite a lei e não abandone suas responsabilidades institucionais, a vida particular continua sendo dele.
O que ninguém vê também existe
E talvez esteja aí o principal ponto.
As redes sociais mostram os minutos de diversão. Mostram o vídeo engraçado. Mostram a bebida. Mostram a gritaria. Mostram a camisa fora do corpo. Mostram aquilo que rende comentário, compartilhamento e crítica.
Mas não mostram tudo.
Por trás das férias, existem também os momentos em que Juliano acompanha situações, conversa com pessoas, recebe informações, atende demandas e mantém contato com quem precisa resolver problemas em Ivinhema.
Mesmo durante o período de descanso, há trabalho de bastidor que não aparece em vídeo e, justamente por isso, pouca gente vê.
Quem olha apenas para alguns segundos publicados nas redes sociais pode imaginar que o prefeito desligou completamente da cidade. Mas a realidade de quem ocupa um cargo público raramente funciona assim. O telefone continua tocando, mensagens continuam chegando e situações importantes continuam exigindo atenção.
É fácil enxergar o copo na mão.
Mais difícil é enxergar o celular sendo usado para tratar de assuntos da administração.
É fácil compartilhar o vídeo da festa.
Mais difícil é acompanhar as conversas, os contatos e as demandas que seguem sendo tratadas longe das câmeras.
E isso também precisa entrar na conta.
Juliano nunca vendeu a imagem de um prefeito engessado
Talvez parte do incômodo venha justamente daí:, Juliano Ferro nunca pareceu interessado em construir a imagem tradicional do político sério, distante e permanentemente preocupado em parecer perfeito.
Seu estilo sempre foi mais direto, espontâneo e irreverente.
Ele fala alto, brinca, provoca, responde críticas e expõe uma personalidade que foge do padrão que muitos esperam de um homem público.
E nas férias, aparentemente, não vê motivo para fingir ser outra pessoa.
Pode-se gostar ou não. Pode-se considerar exagerado. Pode-se criticar. Tudo isso faz parte da vida pública, principalmente para alguém que escolheu se expor tanto nas redes sociais.
Mas uma coisa é discordar do jeito dele.
Outra, completamente diferente, é querer negar seu direito de descansar e se divertir.
Juliano não precisa pedir autorização para rir, cantar, beber, viajar ou aproveitar as próprias férias simplesmente porque é prefeito.
A cobrança deve existir pelo trabalho que realiza, pelas decisões que toma e pelos resultados que entrega à população.
É aí que a discussão precisa ser séria.
Sem filtro, mas com responsabilidade
A figura pública não deixa de ser observada quando entra de férias. Isso é inevitável. Ainda mais quando ela mesma escolhe compartilhar seus momentos com milhares de pessoas.
Juliano sabe disso.
Ao postar vídeos sem camisa, com bebida, em meio à festa e à gritaria, ele também sabe que será elogiado por uns e criticado por outros. Faz parte do pacote de ser, talvez, um dos políticos mais irreverentes e expostos das redes sociais em Mato Grosso do Sul.
Mas o fato de a imagem causar polêmica não significa, automaticamente, que exista algo errado em se divertir.
O prefeito tem férias.
E, durante as férias, tem o direito de viver.
De aproveitar.
De rir alto.
De fazer festa.
De ser exagerado, se essa for sua personalidade.
De voltar para casa com histórias para contar.
E também, quando necessário, de atender aquilo que não pode esperar, mesmo que esse trabalho aconteça longe das câmeras e não renda curtidas ou comentários.
No fim das contas, talvez o maior problema para alguns seja justamente o fato de Juliano Ferro não tentar parecer aquilo que esperam de um prefeito.
Ele é sem filtro.
E, goste-se ou não, nas férias resolveu mostrar exatamente isso.
Porque descansar é um direito.
E se divertir como ele está se divertindo, desde que as responsabilidades públicas sejam preservadas, também é.





