Agricultura
Ferrugem-asiática triplica registros e reforça importância do vazio sanitário
Consórcio Antiferrugem registrou 379 ocorrências da doença em 2025/26, três vezes o número contabilizado no ciclo anterior. Entressafra também é período para corrigir o solo, organizar insumos e definir estratégias de manejo.
BATANEWS/OPR
O salto nos registros de ferrugem-asiática na última safra reforça a necessidade de tratar a entressafra como uma etapa efetiva do planejamento da soja. O Consórcio Antiferrugem contabilizou 379 ocorrências de Phakopsora pachyrhizi no ciclo 2025/26, ante 124 registros em toda a safra 2024/25. O número mais que triplicou de uma temporada para outra.
Nesse intervalo entre os ciclos, uma das principais medidas de controle é o vazio sanitário. A regra busca interromper o ciclo do fungo ao eliminar plantas vivas de soja durante o período estabelecido para cada região. Isso inclui as plantas voluntárias, conhecidas como tigueras, que podem permanecer nas áreas após a colheita e funcionar como hospedeiras para a doença.
A lógica é reduzir a quantidade de inóculo disponível para iniciar novas infecções. Quanto menor a presença de plantas de soja durante a entressafra, maior a dificuldade de sobrevivência e multiplicação do fungo até o início da nova temporada. “Quanto mais conseguimos retardar a entrada da doença, maiores são as condições de preservar a eficiência dos fungicidas e trabalhar de maneira mais racional ao longo da safra”, explica o engenheiro agrônomo e ambiental Renato de Souza Rodrigues.
O atraso no aparecimento da doença também tem efeito direto sobre o manejo ao longo do ciclo. Segundo Rodrigues, o descumprimento do vazio pode antecipar as primeiras infecções e aumentar a necessidade de intervenções químicas. “O descumprimento do vazio sanitário pode antecipar as primeiras infecções, elevar o número de aplicações de fungicidas, aumentar os custos de produção e comprometer a produtividade da safra. Além dos prejuízos agronômicos, o produtor fica sujeito a penalidades”, afirma.
Entressafra não é período de espera
O vazio sanitário é apenas uma das atividades que podem ser organizadas depois da colheita. O intervalo entre as safras também permite trabalhar sobre problemas que, durante a janela de plantio, costumam ser tratados com maior pressão de tempo.
É o caso do controle de plantas daninhas e de pragas, da manutenção e revisão de máquinas e da avaliação das condições físicas e químicas do solo. A antecipação dessas tarefas reduz a concentração de operações na abertura da próxima janela de semeadura e permite adaptar o manejo às características de cada talhão.
A análise de solo ocupa espaço importante nesse planejamento. Com os resultados disponíveis antes da implantação da cultura, o produtor consegue definir as necessidades de calagem, gessagem e adubação e antecipar a compra dos fertilizantes. “Um bom trabalho nessa fase reduz riscos e desperdícios, aumenta a eficiência operacional e cria condições para expressar o máximo potencial produtivo da cultura”, destaca Rodrigues.
A avaliação não precisa se limitar à camada superficial. A coleta em diferentes profundidades pode revelar restrições no perfil do solo que interferem no desenvolvimento das raízes e, consequentemente, na capacidade da planta de explorar água e nutrientes.
Entre os indicadores normalmente avaliados estão pH, teores de macro e micronutrientes, matéria orgânica, capacidade de troca de cátions (CTC) e saturação por bases. A análise das camadas mais profundas acrescenta informações para identificar limitações que não aparecem em uma amostra convencional da superfície.
Decisões da próxima safra começam antes da semeadura Com os dados de fertilidade e histórico de cada área em mãos, a entressafra também permite avançar em decisões sobre cultivares, tratamento de sementes e estratégia de manejo fitossanitário.
A antecipação dessas escolhas ajuda a dimensionar a necessidade de sementes, fertilizantes e defensivos, além de organizar máquinas, mão de obra e operações conforme as características dos diferentes talhões. O planejamento também permite considerar o histórico de ocorrência de doenças, pragas e plantas daninhas de cada área. “É nesse momento que conseguimos reunir os dados da propriedade e transformar essas informações em planejamento. Acreditamos que uma grande safra começa muito antes do plantio”, afirma Rodrigues.
Para o agrônomo, a assistência técnica durante esse intervalo deve contribuir para transformar os resultados obtidos no campo em decisões para o próximo ciclo. “Nossa equipe está presente no campo compartilhando conhecimento, planejamento e prestando assistência técnica para que cada hectare expresse seu máximo potencial produtivo e econômico”, ressalta.






