Apreensões de canetas emagrecedoras chegam a R$ 5,9 milhões em MS

Valor recolhido até julho é quase 4 vezes o de todo o ano de 2025 e acompanha avanço do mercado ilegal no País

BATANEWS/REDAçãO


Saco com dezenas de canetas emagrecedoras apreendidas pela polícia em Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo)

O valor das canetas emagrecedoras apreendidas pela Receita Federal em Mato Grosso do Sul chegou a R$ 5,9 milhões entre janeiro e 13 de julho deste ano, quase quatro vezes os R$ 1,5 milhão registrados durante todo o ano de 2025. O crescimento é ainda mais expressivo na comparação com 2024, quando as apreensões somaram apenas R$ 2 mil.

A escalada registrada no Estado acompanha um movimento observado em todo o País. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o valor das canetas emagrecedoras apreendidas pela Receita Federal passou de R$ 4 milhões no primeiro semestre de 2025 para mais de R$ 80 milhões no mesmo período deste ano. Em um ano, portanto, o montante nacional cresceu mais de 20 vezes.

Em Mato Grosso do Sul, os valores apreendidos representam aproximadamente 3,9 vezes o valor registrado durante os 12 meses de 2025, aumento de cerca de 293%. E os números podem aumentar em 2026, uma vez que ainda falta contabilizar outros 5 meses até o fim do ano.

O salto se torna ainda mais evidente quando a série é observada desde 2024, quando foram contabilizados apenas R$ 2 mil em apreensões no Estado. Em 2025, o montante alcançou R$ 1,5 milhão e, em pouco mais de seis meses de 2026, atingiu R$ 5,9 milhões.

Os valores não representam necessariamente apenas canetas em unidades físicas e também não permitem calcular quantos medicamentos foram retirados de circulação. No levantamento nacional divulgado pela Receita, conforme a Folha, não foi informado a quantas unidades correspondem os mais de R$ 80 milhões apreendidos.

Mercado irregular - O crescimento ocorre em meio à expansão da entrada irregular de medicamentos que não possuem autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para comercialização no Brasil. A importação e a venda desses produtos estão sujeitas às regras sanitárias brasileiras.

Durante o seminário Mercado Ilegal, realizado em Brasília por O Globo, Valor Econômico, Extra e CBN, o superintendente regional adjunto da 1ª Região Fiscal da Receita Federal, Erivelto Moysés Torrico Alencar, destacou que medicamentos sem registro ou cuja comercialização não seja autorizada pela Anvisa não podem entrar legalmente no País.

Ele também chamou a atenção para os riscos econômicos e sanitários desse comércio. Além de representar concorrência desleal para empresas que atuam dentro das regras, produtos irregulares podem chegar aos consumidores sem garantia de qualidade e segurança.

A Receita Federal identificou ainda a expansão da oferta irregular pela internet, com medicamentos anunciados em plataformas de marketplace, inclusive por vendedores não autorizados, além do avanço dos produtos por meio da fronteira com o Paraguai.

Por conta disso, o Brasil e o país vizinho ampliaram a cooperação entre a Anvisa e a Dinavisa, autoridade sanitária paraguaia, para troca de informações, compartilhamento de resultados de testes laboratoriais, apoio à fiscalização nas regiões de fronteira e ações conjuntas contra falsificações e contrabando.

Somente em uma operação realizada em 25 de junho deste ano, a Vigilância Sanitária apreendeu 2.225 canetas emagrecedoras e ampolas de produtos estéticos em uma transportadora, em Campo Grande. Os produtos foram avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão.

Conforme já publicado pelo Campo Grande News, a operação foi desencadeada após comunicação da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda) e fez parte da Visa Protege, que fiscaliza distribuidoras e agências dos Correios.

A dimensão da apreensão chamou a atenção dos fiscais, pois foram encontradas 2.225 unidades em um único dia, quantidade que corresponde ao volume que normalmente era recolhido durante um mês inteiro de fiscalização nos Correios.

*Com informações do Campo Grande News