Agricultura
Milho sobe 9,1% em agosto com dólar valorizado e demanda firme
Preço em Sorriso passa de R$ 42 para R$ 46 por saca na parcial do mês.
BATANEWS/OPR
As perspectivas para a safra de milho dos Estados Unidos passaram a influenciar o mercado internacional em agosto, após as preocupações com o clima terem sustentado as cotações em julho. No Brasil, o movimento foi diferente: os preços avançaram, apoiados pela valorização do dólar e pela demanda interna.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), a média do contrato de primeiro vencimento do milho ficou em US$ 4,43 por bushel em julho, alta de 6,3% em relação a junho. Naquele período, temperaturas elevadas e períodos de chuvas abaixo do ideal em algumas áreas do cinturão produtor norte-americano aumentaram as dúvidas sobre o potencial produtivo das lavouras.
O ritmo da demanda doméstica e das exportações dos Estados Unidos também contribuiu para sustentar os preços ao longo de julho. As incertezas em relação ao tamanho da produção estimularam ainda a recomposição de posições compradas por investidores.
O cenário mudou nas semanas seguintes. A melhora das condições climáticas em áreas produtoras dos Estados Unidos reduziu parte das preocupações relacionadas ao desenvolvimento das lavouras. Com isso, o mercado passou a concentrar as atenções nas estimativas para a produção norte-americana.
Na parcial de agosto, a média do primeiro contrato na CBOT ficou em US$ 4,41 por bushel, uma redução de 0,4% em comparação com a média de julho. Apesar da queda, as projeções seguem apontando para uma produção robusta nos Estados Unidos.
No Brasil, os preços do milho mantiveram trajetória de alta durante o período. O mercado acompanhou o avanço da colheita da segunda safra e o ritmo das exportações.
Em julho, a cotação média do milho em Sorriso (MT) ficou em R$ 42 por saca, alta de 1,1% em relação ao mês anterior. O aumento ocorreu mesmo com a maior disponibilidade de produto no mercado interno, cenário parcialmente compensado pela demanda doméstica.
Na parcial de agosto, o preço médio avançou para R$ 46 por saca, alta de 9,1% frente a julho. O movimento foi influenciado principalmente pela valorização do dólar e pela manutenção do interesse dos compradores.
Além das condições de oferta e demanda, o mercado internacional de trigo também pode continuar interferindo nas cotações do milho. A intensificação do conflito no Mar Negro e os ataques recentes à infraestrutura portuária da Rússia têm sustentado os preços do trigo. Como os dois cereais possuem relação de substituição em determinados mercados, esse movimento pode oferecer suporte indireto às cotações do milho na Bolsa de Chicago.



