Azambuja defende reformas e promete ser a voz dos municípios no Senado

Candidato critica tamanho do Governo Federal e cobra investimentos em ferrovia e hidrovia

BATANEWS/REDAçãO


Reinaldo Azambuja durante entrevista ao Campo Grande News sobre sua candidatura ao Senado Federal. (Foto Osmar Veiga)

Depois de passar pela prefeitura de Maracaju, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e Governo de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PL) tenta chegar ao Senado Federal apresentando a experiência acumulada nesses cargos como sua principal credencial. Em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, o candidato defendeu reformas no Estado brasileiro, mais recursos para municípios e uma presença maior da União na segurança da fronteira.

Azambuja governou Mato Grosso do Sul por dois mandatos e procura transformar os resultados de sua administração, especialmente a aproximação com as prefeituras, em argumento eleitoral. A proposta, segundo ele, é levar ao Senado o modelo municipalista adotado durante sua passagem pelo Executivo estadual.

“Quero ser o senador dos municípios', resumiu.

A decisão de disputar o Senado, porém, não é apresentada apenas como mais um passo em uma carreira que já percorreu diferentes esferas da política. Azambuja afirma que Mato Grosso do Sul precisará de representação forte durante a implantação da reforma tributária e a elaboração das leis complementares que definirão como o novo sistema funcionará na prática.

Na avaliação do candidato, o Estado corre o risco de perder receitas. Por isso, promete atuar para reduzir eventuais prejuízos e defender setores estratégicos da economia sul-mato-grossense. Entre as prioridades, citou a retomada das ferrovias, a utilização da Hidrovia do Rio Paraguai e a consolidação da Rota Bioceânica.

Azambuja considera insustentável que um Estado que dobrou sua produção em pouco mais de uma década continue dependendo quase exclusivamente de caminhões para transportar mercadorias. Além de elevar os custos, esse modelo sobrecarrega as rodovias. No caso do minério produzido em Corumbá, ele defende que o escoamento seja feito prioritariamente pela hidrovia, e não pelas estradas.

A Rota Bioceânica aparece como uma das maiores oportunidades de desenvolvimento, mas também como um desafio. Azambuja lembrou que a ponte internacional está concluída, enquanto os acessos ainda precisam ser finalizados. Para ele, a infraestrutura física não será suficiente se os quatro países envolvidos não criarem uma operação aduaneira integrada e menos burocrática.

A proposta é utilizar tecnologia, inteligência artificial, leitura eletrônica de documentos e rastreamento das cargas para reduzir o tempo de espera nas fronteiras. Segundo o candidato, uma alfândega lenta pode retirar parte da vantagem econômica do corredor.

Azambuja sustenta que a rota poderá reduzir em cerca de 17 dias o transporte marítimo até mercados asiáticos e tornar os produtos de Mato Grosso do Sul mais competitivos. Ao mesmo tempo, reconhece que o corredor também poderá ser usado pelo crime organizado. Por isso, defende que a expansão comercial venha acompanhada de reforço policial e integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

A segurança de fronteira ocupa espaço importante na agenda apresentada pelo ex-governador. Mato Grosso do Sul tem aproximadamente 1,4 mil quilômetros de divisa com Paraguai e Bolívia e lidera as apreensões de drogas no País. Na avaliação de Azambuja, o Estado assume praticamente sozinho uma responsabilidade que deveria ser dividida com o Governo Federal.

Ele cobrou maior presença da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, além de viaturas, embarcações, helicópteros e equipes permanentes nas regiões mais vulneráveis. O candidato reconheceu a importância dos núcleos de inteligência, mas advertiu que informações, sem policiais na ponta, não bastam para conter o tráfico.

Azambuja também questionou o custo dos presos por tráfico internacional mantidos no sistema penitenciário estadual. Segundo ele, cerca de 70% dos detentos de Mato Grosso do Sul estão ligados a crimes dessa natureza e representam uma despesa anual estimada em R$ 280 milhões.

A proposta é transferir essa responsabilidade financeira para a União. O dinheiro economizado pelo Estado, argumentou, poderia ser direcionado à construção de moradias populares. O candidato também defendeu penas mais duras para traficantes e criticou a rápida liberação de presos em audiências de custódia.

A defesa dos municípios é o elo entre boa parte das propostas. Azambuja recordou o programa Governo Presente, implantado em sua administração, que reunia prefeitos, vereadores, secretários, sindicatos e lideranças locais para escolher as prioridades de cada região. Segundo ele, aproximadamente R$ 8 bilhões foram investidos nas 79 cidades durante seus dois mandatos.

O candidato pretende adotar o mesmo método para distribuir emendas parlamentares. A bancada federal de Mato Grosso do Sul, formada por oito deputados e três senadores, dispõe de mais de R$ 500 milhões em emendas coletivas, além dos recursos individuais de cada parlamentar.

Azambuja afirma que não pretende decidir sozinho onde o dinheiro será aplicado. A promessa é ouvir as lideranças municipais antes de indicar os recursos, direcionando-os para hospitais, estradas, pontes, saneamento, habitação, programas sociais e outras necessidades apontadas pelas próprias comunidades.

“Quando você leva o dinheiro para a prioridade do município, atende a vontade do cidadão que mora naquela cidade', afirmou.

Na saúde, o ex-governador defendeu uma participação maior da União no financiamento do sistema público. Ele criticou a defasagem da tabela do SUS e disse que hospitais públicos e filantrópicos enfrentam dificuldades porque o Governo Federal reduziu, ao longo dos anos, sua participação proporcional nos gastos do setor.

O discurso municipalista vem acompanhado de uma crítica direta ao tamanho do Governo Federal. Azambuja classificou o Brasil como um país caro, endividado e pouco eficiente. Citou o número de ministérios, o crescimento da dívida pública e o volume de juros pagos anualmente como sinais de que a estrutura precisa ser reformada.

O candidato defendeu uma reforma administrativa, a redução dos gastos federais e a manutenção da autonomia do Banco Central. Na avaliação dele, o desequilíbrio das contas públicas pressiona os juros, encarece o crédito e aumenta o endividamento das famílias, das empresas e do agronegócio.

Azambuja responsabilizou o governo do PT pelo avanço das despesas e procurou relacionar a discussão fiscal à vida cotidiana. Segundo ele, o cidadão percebe o problema quando vai ao supermercado, encontra o carrinho mais vazio e paga juros elevados no cartão de crédito ou no financiamento.

A síntese dessa proposta é expressa em uma frase repetida durante a entrevista: “menos Brasília e mais Brasil'. Para o candidato, a União concentra receitas, enquanto estados e municípios assumem a maior parte dos serviços procurados diretamente pela população.

Na área política, Azambuja se apresentou como um dos articuladores da aliança que reuniu partidos de centro e de direita em torno da reeleição do governador Eduardo Riedel. Ele deixou o PSDB e filiou-se ao PL a convite do ex-presidente Jair Bolsonaro, assumindo a tarefa de reorganizar o partido em Mato Grosso do Sul.

A composição reúne antigos adversários das eleições de 2022, entre eles grupos ligados ao MDB, União Brasil e Capitão Contar. Azambuja considera que a aliança fortaleceu o palanque estadual e ampliou a base de apoio entre prefeitos e lideranças municipais.

Ele contestou informações de que dezenas de prefeitos estariam apoiando a candidatura de oposição ao Governo do Estado. Segundo Azambuja, a maioria está com a chapa formada por Riedel, Capitão Contar e sua candidatura ao Senado. Ressalvou, porém, que os prefeitos têm autonomia para decidir e não podem ser tratados como propriedade de qualquer liderança política.

No cenário nacional, Azambuja declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Disse que o senador provavelmente não participará de atos em Mato Grosso do Sul no primeiro turno, mas aparecerá no programa eleitoral e terá sua candidatura defendida pela coligação estadual.

O candidato também apresentou uma posição crítica sobre a relação entre os Poderes da República. Acusou o Supremo Tribunal Federal de avançar sobre atribuições do Legislativo e do Executivo e defendeu que o Senado exerça com mais firmeza sua função constitucional de fiscalizar ministros da Corte.

Ao comentar denúncias envolvendo integrantes do Judiciário, Azambuja afirmou que nenhuma autoridade está acima da lei. Disse que, se eleito, poderá votar favoravelmente ao impeachment de ministro do Supremo, desde que existam investigação, provas concretas e comprovação de irregularidades.

Em relação às emendas parlamentares, defendeu mais transparência e fiscalização, mas argumentou que os problemas devem ser enfrentados com mudança das regras, sem impedir que o dinheiro chegue aos municípios e às entidades. “Se está errado, muda a regra', afirmou.

Azambuja encerrou a entrevista evitando tratar a eleição como resolvida. Disse estar satisfeito com a receptividade encontrada nas ruas, mas reconheceu que apoio de lideranças, alianças partidárias e pesquisas não substituem o voto.

Com uma campanha curta, agendas em diferentes regiões e gravações diárias para o horário eleitoral, o candidato admite que dificilmente conseguirá visitar os 79 municípios. Ainda assim, pretende percorrer o maior número possível de cidades para apresentar uma candidatura apoiada no passado administrativo, mas que será julgada pelo que promete fazer no Senado.

“Ninguém tem eleição ganha', afirmou. “Vamos disputar, apresentar nossas propostas e respeitar o resultado das urnas.'