Saúde
Robô em cirurgia plástica: brasileiro avança no uso da tecnologia para lifting facial
Método permite mais precisão e visualização mais ampla de área operada; estudos sobre técnica crescem 15,9% ao ano
BATANEWS/VEJA
Consolidados principalmente em procedimentos na área da urologia, como nas intervenções em pacientes com câncer de próstata, os robôs assistentes estão iniciando sua atuação em cirurgias plásticas. Estudos têm investigado o potencial do método para aumentar a precisão e evitar problemas que podem impactar nos resultados, caso dos tremores da mão humana, e, no Brasil, o uso da tecnologia teve sua estreia, abrindo portas para a adoção dos robôs na área da estética.
O procedimento realizado com o robô ocorreu no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, no final de agosto e foi um lifting profundo da face, também conhecido como “deep plane facelift”, técnica utilizada para atenuar sinais de envelhecimento no rosto, como flacidez e vincos nos cantos da boca.
A operação, realizada por Paolo Rubez, cirurgião plástico e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), seguiu as técnicas convencionais nas etapas iniciais.
“Na cirurgia, é feito um descolamento do rosto em um plano mais profundo, mais perto dos nervos motores da face, e o grande risco é que, se um nervo for lesionado, pode causar paralisia facial”, explica Rubez, que também integra a Associação Brasileira de Cirurgia Plástica (BAPS) e a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS).
Foi nessa fase mais delicada que o assistente robótico foi recrutado. “O robô aumenta a imagem, tornando mais seguro, e permite movimentos mais precisos.”
A presença do robô não tira o protagonismo do cirurgião plástico. Isso porque ele não tem autonomia e é totalmente controlado pelas mãos e decisões humanas.
Assim, a intervenção robótica tem a função de dar mais refinamento à cirurgia de forma estratégica e pontual. “O tempo de uso do robô durou em torno de 45 minutos.” A paciente, uma mulher de 57 anos, recebeu alta um dia depois da cirurgia.
Robôs e cirurgias plásticas
O campo de investigação sobre os benefícios do uso da cirurgia robótica em procedimentos estéticos está em ascensão.
Um artigo publicado em julho no periódico Nature Digital Medicine mostrou que a pesquisa na área de cirurgia plástica e reconstrutiva com robôs está crescendo cerca de 15,9% ao ano.
As investigações exploram não só a precisão do método, mas a possibilidade de intervenções minimamente invasivas e, no caso das reconstruções, nas microcirurgias. A incorporação de inteligência artificial também é estudada.
Rubez atravessou uma fronteira no Brasil e pode ter inaugurado um movimento no mundo. “Desconheço outros episódios em planos mais profundos. Há trabalhos russos, mas foram em camadas mais superficiais.”
Uma varredura em busca de registros sobre a participação de assistentes robóticos nessa área aponta para um estudo russo para avaliação da viabilidade do uso do robô da Vinci, um dos mais conhecidos, em relação ao acoplamento do equipamento. O caso foi de uma paciente de 67 anos submetida a um procedimento de rejuvenescimento facial – o lifting facial – em um hospital universitário.
Segundo os autores, o resultado “estabelece novos padrões para o uso da tecnologia robótica cirúrgica em cirurgia plástica estética, oferecendo métodos validados para procedimentos seguros e eficazes”.
Rubez acredita que esse movimento realmente deve ocorrer, especialmente se forem superados gargalos como o alto preço dos robôs.
“A tendência é que mais cirurgiões usem e, com a evolução dos robôs, eles serão mais acessíveis. A cirurgia robótica vai avançar em todas as áreas e também na cirurgia plástica. No futuro, acredito que teremos robôs para utilizar em áreas específicas.”






