Lula e Flávio Bolsonaro empatam até no medo que eleitores dizem ter deles

Custo de vida, violência e corrupção embaralham a disputa presidencial

BATANEWS/VEJA - JOSé CASADO


Lula e Flávio Bolsonaro — (Foto por MAURO PIMENTEL / AFP/AFP)

As pesquisas desta primeira semana de setembro fundamentam uma certeza: está mais fácil imaginar um epílogo para a crise do Supremo Tribunal Federal do que um desfecho para a eleição presidencial dentro de 26 dias, no domingo 4 de outubro.

Prevalece um clima de frustração, registra a pesquisa da Quaest divulgada nesta segunda-feira (7/9).

Nove em cada dez eleitores têm certeza de que o custo de vida subiu tanto ou mais que a renda da sua família no último ano.

E isso é notável, principalmente, porque pouco mais de dois terços (64%) admitem ter percebido aumento da renda pessoal ou familiar nesse mesmo período.

A sondagem mostra ampla maioria do eleitorado em situação de vulnerabilidade na reta final da temporada eleitoral. Um dos fatores decisivos para o voto tende a ser a erosão da renda.

Ela se reflete, por exemplo, na alta do endividamento das famílias — chegou a 82% em agosto, segundo a confederação do comércio. E é alavancada por uma das taxas de juros mais altas do planeta.

A sensação de instabilidade econômica está aumentando (subiu de 16% para 19%). Ainda assim, figura em segundo lugar na lista das maiores preocupações dos eleitores.

Ao lado se destaca a percepção de aumento da corrupção — impulsionada pelas revelações sobre a extensão da rede de proteção montada no governo, no Congresso e no Judiciário pelo antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias.

No topo, com um terço das citações, segue a insegurança pública, traduzida nos altos índices de violência urbana.

Até agora, as pesquisas se repetem ao indicar uma direção — a da insuficiência das propostas do governo e da oposição para aumentar a sensação de segurança nas ruas e de previsibilidade na vida econômica dos eleitores.

É ruim para o governo, que já sente efeitos da corrosão no apoio dos eleitores mais pobres com renda até dois salários-mínimos (3.242 reais por mês).

Segundo a Quaest, nas últimas três semanas houve queda de sete pontos percentuais (de 59% para 52%) na aprovação de Lula nesse estrato do eleitorado.

Mas, também é ruim para a oposição que ainda não apresentou propostas coerentes e consistentes para mitigar a insegurança pública, a instabilidade econômica ou mesmo o sentimento de aumento da corrupção.

Num exemplo, o candidato Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, vai completar três meses sem esclarecer em detalhes – como anunciou — suas transações com o antigo dono do Master que renderam dezenas de milhões de dólares, supostamente para pagar a cinebiografia do seu pai.

O resultado é o empate de Lula e Flávio Bolsonaro na rejeição de metade dos eleitores e até no medo declarado por uma parcela expressiva (43%) de mais um governo Lula ou da volta da família Bolsonaro ao poder.