Justiça
De ‘Xandão’ a ‘ministro do Temer’: como Lula já tenta se afastar do desgaste de Moraes
Colunista de VEJA vê movimento do Planalto para evitar que a crise do Supremo contamine a campanha eleitoral
BATANEWS/VEJA
A crise envolvendo Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal já provocou uma mudança na maneira como o presidente Lula se refere ao ministro, segundo o editor de Radar Robson Bonin. Antes chamado pelo petista de “Xandão”, Moraes passou a ser tratado no Palácio do Planalto como “ministro do Temer”, numa referência ao presidente que o indicou para a Corte. Para Bonin, a alteração revela uma tentativa do governo de afastar Lula do desgaste provocado pela crise no STF. “O ministro Moraes virou um ativo tóxico em Brasília para todo candidato que quer se reeleger”, afirmou (este texto é um resumo do vídeo acima).
A avaliação foi feita no programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz, com a participação dos também editores Laryssa Borges e José Benedito da Silva. Segundo Bonin, há “um claro movimento do Palácio do Planalto” para desvincular Lula das explicações cobradas de Moraes em torno dos fatos discutidos no programa.
O raio-x dos ministros do STF
Por que Lula passou a chamar Moraes de “ministro do Temer”?
Bonin afirmou que a mudança de tratamento não é casual. Na leitura do colunista, a nova referência busca lembrar que Moraes chegou ao STF por indicação de Michel Temer e, ao mesmo tempo, estabelecer distância entre o magistrado e o atual presidente.
Bonin argumentou que Lula já enfrenta cobranças relacionadas a questões de seu próprio governo e de sua família e não teria interesse em assumir também o ônus político de responder pela crise de Moraes. Segundo ele, a tendência é que o presidente passe a cobrar publicamente explicações do ministro.
Moraes tenta mudar o foco para André Mendonça?
Essa é a avaliação compartilhada por Bonin e José Benedito. Para Bonin, Moraes e ministros que ainda lhe dão sustentação dentro da Corte estariam tentando ampliar o número de questões submetidas ao julgamento e colocar a atuação de Mendonça no centro da discussão.
Bonin classificou como uma “tentativa desesperada” o movimento para provocar nulidades e envolver outros integrantes do Supremo nas controvérsias. Na avaliação do colunista, isso poderia aumentar a possibilidade de que nenhuma decisão definitiva seja tomada na sessão.
“A chance de o Supremo continuar na lama, vamos assim dizer, como diz um dos colegas do ministro Moraes, por causa dessa confusão é tremenda”, afirmou. Segundo Bonin, há “um esforço muito grande para que nada seja resolvido” na sessão.
José Benedito também avaliou que Mendonça será colocado sob pressão independentemente de os procedimentos contra os dois ministros serem formalmente analisados em conjunto.
Qual seria a estratégia de defesa de Moraes?
Para José Benedito, a principal linha adotada por Moraes é atacar a atuação de Mendonça e questionar a validade da investigação conduzida pelo colega. “Está muito claro que a única estratégia de defesa que o Moraes tem é atacar o Mendonça e desqualificar o relator da investigação”, afirmou o editor.
Na avaliação do editor, mesmo que apenas o caso relacionado a Moraes esteja formalmente na pauta, a atuação de Mendonça inevitavelmente será discutida. Ele afirmou que Moraes deverá concentrar sua argumentação em questionar os procedimentos utilizados pelo colega e os elementos reunidos na investigação.
José Benedito classificou essa estratégia de desqualificação do responsável pela apuração como antiga e afirmou que ela “muitas vezes funciona”. Ele também apontou que Moraes encontra respaldo entre integrantes do plenário que já fizeram questionamentos sobre decisões tomadas por Mendonça.
Mendonça chega ao julgamento em desvantagem?
José Benedito considera que sim. “André Mendonça, como eu disse aqui outro dia, tem mais inimigos do que o Moraes, aparentemente”, afirmou.
Na avaliação do editor, Mendonça deverá sofrer pressão durante a sessão, mesmo que não esteja formalmente submetido a julgamento. A disputa, portanto, não deverá se restringir aos fatos atribuídos a Moraes, mas também à forma como a investigação foi conduzida.
José criticou a estratégia porque, em sua avaliação, ela desloca o debate das explicações que ainda seriam esperadas de Moraes. “Até o presente momento ele não disse nada sobre as acusações seríssimas”, afirmou.
Por que atacar Mendonça interessa ao governo?
José Benedito vê uma convergência entre a estratégia atribuída a Moraes e os interesses eleitorais do governo Lula. Segundo ele, associar Mendonça politicamente à candidatura de Flávio Bolsonaro permitiria questionar a imparcialidade das investigações conduzidas pelo ministro.
“A estratégia do Moraes de tentar desqualificar o Mendonça interessa ao governo Lula, interessa ao presidente Lula e interessa a esse lado da campanha eleitoral”, afirmou.
Na avaliação do editor, o objetivo político seria apresentar Mendonça como alguém alinhado à campanha de Flávio e, por consequência, atribuir motivação eleitoral às investigações sob sua responsabilidade.
As avaliações de Bonin e José Benedito apontam, assim, para duas movimentações paralelas antes da sessão do Supremo: enquanto Lula procura, segundo Bonin, aumentar a distância política em relação a Moraes, a disputa dentro da Corte se desloca também para a atuação de Mendonça. No centro das duas estratégias está o mesmo componente apontado pelos editores de VEJA: o potencial eleitoral de uma crise que deixou de ficar restrita aos corredores do STF.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.






