“Se eu te pego terça-feira': relatório expõe conversa sexual entre missionárias e chefão preso na PCE-MT

O caso é resultado da Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil em julho.

BATANEWS/REPóRTERMT


Foto: Divulgação

Diálogos analisados pela Polícia Civil, no âmbito da Operação Fariseus, revelam conversas de conotação sexual envolvendo Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, integrantes do projeto evangélico 'Resgatando Vidas' e o preso Renildo da Silva Rios, conhecido como “Velhote” ou “Chapa”, que está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE) há mais de duas décadas.

Renildo é apontado pela investigação como liderança de uma facção criminosa que opera em Mato Grosso e mantinha relacionamento amoroso com Rhavenna mesmo estando preso. Em conversa de 11 de maio de 2026, Rhavenna relata a Wiara Lima Cadore uma frase atribuída a Renildo:

“Baixinha, você fica tiçando esse velhote. Ah, se eu te pego terça-feira.”

Wiara responde imediatamente: “Terça vai ser toma toma.”

A própria Polícia Civil registra no relatório que o diálogo possui “evidente conotação pessoal e sexual” e relaciona o episódio às demais conversas nas quais integrantes do projeto tratavam presos e lideranças como namorados, pretendentes e parceiros íntimos.

Em outros trechos do relatório, investigadores afirmam que Rhavenna e Renildo mantinham comunicação frequente por telefone e videochamadas, inclusive durante o período em que ele estava encarcerado.

Arquivo

Rhavenna e Renildo aos beijos no interior da unidade prisional, em contexto relacionado às atividades do projeto “Resgatando Vidas”.

O documento também registra fotografias do casal dentro da unidade prisional, além de presentes e benefícios que, segundo a investigação, teriam sido fornecidos à missionária.

A Polícia Civil utiliza o diálogo como um dos elementos para sustentar que a proximidade entre as integrantes do projeto religioso e os presos extrapolava a evangelização.

O grupo de WhatsApp 'As Faixa Rosa Evangélica'

Administrado por Rhavenna, o grupo reunia mulheres vinculadas formalmente ao projeto de evangelização carcerária 'Resgatando Vidas' (vinculado à Penitenciária Central do Estado - PCE).

No entanto, segundo a investigação policial, a atuação do grupo extrapolava completamente a assistência religiosa, revelando relacionamentos amorosos e sexuais com lideranças presas e foragidas de uma facção criminosa, além de intermediação de recados, favores, informações privilegiadas internas dos raios da prisão e expectativa de recebimento de dinheiro e benefícios financeiros.

Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida (Administradora do grupo): Apontada como principal investigada, mantinha vínculo amoroso e íntimo com o preso Renildo da Silva Rios (conhecido como 'Chapa', 'Velhote' ou apontado como conselheiro do CVMT).

Wiara Lima Cadore: Citada nas conversas por manter laços frequentes e visitas direcionadas a presos (como Pedro Antônio dos Santos, o 'Pedrinho/Cotonete', e Luiz Fagner Gomes dos Santos, o 'Zóio').

Karolina Lopes Padilha: Integrante do grupo que discutia abertamente os relacionamentos com os presos e mencionava o recebimento de benefícios.

Jéssi Mariane Araujo dos Anjos (conhecida como 'Mary' ou 'Maryyy'): Participava das conversas sobre os internos, viagens e contatos com o núcleo do Rio de Janeiro.

Lais Barbosa Lopes: Participava de chamadas de vídeo e visitas a detentos no interior do presídio.

Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi (conhecida como 'Lolo', irmã de Rhavenna): Integrante do núcleo familiar que também participava da dinâmica de repasses financeiros e interações com os presos.

Reprodução

Família do crime: Rhavenna, o 'Velhote, a mãe dela Orminda, seu primo Rhuan e suas duas irmãs Anatany e Lo Rhuama.

Projeto missionário

O caso é resultado da Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil em julho. Conforme já mostrou o RepórterMT, as investigações apontaram que integrantes de uma mesma família utilizavam o projeto religioso “Resgatando Vidas” para entrar em unidades prisionais. Segundo a Polícia Civil, o acesso que deveria ser destinado à assistência religiosa teria sido usado para manter contato com presos, transmitir recados e dar suporte a integrantes de uma organização criminosa.

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Projeto missionário na PCE era fachada para os crimes.

As investigações também identificaram movimentações financeiras atribuídas a integrantes da facção, com utilização de contas de familiares e terceiros, fracionamento de recursos, depósitos e sucessivos repasses. A Polícia Civil apontou ainda indícios de que dinheiro relacionado ao grupo teria custeado viagens, procedimentos estéticos e aquisição de veículos.

Rhavenna é apontada na investigação como uma das principais personagens do esquema. Relatório policial mostrou registros dela aos beijos, dentro de uma unidade prisional, com Renildo Silva Rios, o “Velhote”, apontado pela investigação como uma das antigas lideranças da facção em Mato Grosso. Os documentos também registraram troca de presentes, dinheiro e contatos frequentes entre os dois.

Reprodução/Fantástico

Rhavenna namorava com dois líderes de facção ao mesmo tempo, segundo o Gaeco.

Outra apuração revelada pelo RepórterMT mostrou que Rhavenna teria recorrido a integrantes da organização criminosa após sua casa ser furtada. Em uma das conversas analisadas pela polícia, um interlocutor informou que integrantes do grupo estavam procurando o suspeito do furto e chegou a enviar a imagem de um homem amarrado.

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O material reunido pelos investigadores também revelou conversas envolvendo integrantes do projeto religioso e presos da Penitenciária Central do Estado (PCE). A Polícia Civil identificou mensagens de teor sexual e afetivo que, segundo os investigadores, indicariam que algumas visitas extrapolavam a atividade religiosa.

Pai de Rhavenna morreu

O pastor Nivaldo de Almeida, pai de Rhavenna e marido de Orminda, também havia sido investigado no caso, mas não foi denunciado pelo Ministério Público porque morreu no dia 5 de setembro. A Justiça determinou que o MP apresente a certidão de óbito para posterior deliberação no processo.

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Nivaldo de Almeida era pai de Rhavenna e morreu de câncer em Cuiabá.

Já Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos e Lais Barbosa Lopes, indiciadas por falso testemunho, não integram o grupo dos seis réus desta ação. Conforme a decisão, o Ministério Público informou que pretende tratar separadamente de eventual acordo de não persecução penal com as quatro.

Rhavenna já teve a prisão preventiva decretada em procedimento cautelar separado. O juiz registrou que eventuais pedidos para revogar ou substituir a prisão deverão ser apresentados naquele processo específico.