Seca recua em Mato Grosso do Sul e passa a atingir 23% do território

Monitor de Secas aponta redução de 34% para 23% da área afetada no Estado entre julho e agosto

BATANEWS/CGNEWS


Vegetação queimada nas margens da BR-262, em Corumbá. (Foto: Reprodução)

A área de Mato Grosso do Sul afetada pela seca diminuiu entre julho e agosto, segundo a atualização mais recente do Monitor de Secas, que acompanha mensalmente a evolução do fenômeno em todo o Brasil. No Estado, a área com registro de seca caiu de 34% para 23% do território no período.

Apesar da redução da área atingida, a intensidade da seca permaneceu estável em Mato Grosso do Sul. A parcela do território classificada com seca moderada continuou em 12%, mantendo o Estado, em agosto, na condição mais severa registrada desde janeiro deste ano.

O comportamento de Mato Grosso do Sul foi diferente do observado em parte do Centro-Oeste e de outras regiões brasileiras. Enquanto o Estado teve redução da área afetada, Goiás registrou aumento da área com seca e Mato Grosso manteve o mesmo percentual. Em relação à severidade, Goiás e Mato Grosso do Sul permaneceram estáveis, enquanto Mato Grosso teve intensificação do fenômeno.

No levantamento nacional, a área total atingida pela seca passou de 4,43 milhões de km² em julho para 5,19 milhões de km² em agosto, o equivalente a 61% do território brasileiro. O texto de divulgação do Monitor também aponta que, considerando a evolução regional, a área total com o fenômeno aumentou de 52% para 67% do território nacional.

MS teve redução da área afetada - A redução observada em Mato Grosso do Sul significa que uma parcela menor do território estadual apresentou algum grau de seca em agosto na comparação com o mês anterior.

Ao mesmo tempo, a condição de seca moderada permaneceu em 12% do Estado, indicando que a redução territorial não foi acompanhada por uma mudança na categoria de severidade registrada para essa parcela.

O Monitor classifica a seca a partir de indicadores do fenômeno e dos impactos observados no curto e no longo prazo. Os impactos de curto prazo consideram déficits recentes de precipitação, de até seis meses. Acima desse período, são considerados os efeitos de longo prazo.

A metodologia também leva em conta que a classificação é relativa ao histórico climático de cada região. Assim, a indicação de seca representa uma condição anormalmente seca em relação ao padrão da própria área analisada.

Cenário nacional se agravou em agosto -Na comparação entre julho e agosto, 17 unidades da Federação tiveram intensificação da seca: Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.

Em sentido contrário, o fenômeno se abrandou no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraíba, a severidade permaneceu estável.

O mês também marcou o retorno da seca ao Amapá e ao Distrito Federal. Já o Paraná passou a ficar livre do fenômeno, juntando-se ao Rio Grande do Sul e a Santa Catarina.

Considerando a extensão territorial atingida, 11 estados tiveram aumento da área com seca entre julho e agosto: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima e Sergipe.

A área afetada diminuiu em quatro estados: Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Em outros sete (Acre, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Tocantins) o percentual permaneceu estável.

Cinco unidades da Federação registraram seca em 100% de seus territórios em agosto: Acre, Distrito Federal, Espírito Santo, Piauí e Roraima. Nos demais estados onde o fenômeno foi identificado, a parcela afetada variou de 7% a 99%.

Nordeste concentra quadro mais severo - Entre as cinco regiões brasileiras, o Nordeste apresentou o cenário mais severo em agosto, com seca grave em 16% da região. Também foi o território com maior percentual de área atingida pela seca na comparação entre julho e agosto, chegando a 90%.

O Sul apresentou a situação oposta e terminou agosto completamente livre de seca. O Paraná passou a integrar essa condição no mês, enquanto Rio Grande do Sul e Santa Catarina já permaneciam sem registro do fenômeno.

No cálculo da área absoluta afetada, o Amazonas liderou em agosto, seguido por Pará, Minas Gerais, Bahia e Goiás.

Monitor passa a detalhar seca por município

A atualização também trouxe novos produtos que permitem acompanhar a situação da seca com recorte municipal.

Entre eles está a SRM (Seca Relativa Máxima), que mostra, para cada município e mês de referência, a condição de seca mais intensa registrada naquele período.

Outro indicador é a PSRM (Persistência de Seca Relativa Máxima), que contabiliza quantos meses consecutivos uma determinada condição indicada pela SRM permanece inalterada no município.

O terceiro produto é a PSC (Persistência de Seca por Categoria). A ferramenta acompanha quanto tempo a seca permanece em cada uma das cinco categorias utilizadas pelo Monitor e permite contabilizar o tempo acumulado do fenômeno desde seu início, inclusive quando há períodos de intensificação.

Ferramenta acompanha seca desde 2014 - O Monitor de Secas acompanha continuamente o grau de severidade do fenômeno no Brasil e é utilizado como ferramenta de apoio ao planejamento e à execução de políticas públicas relacionadas à seca.

O projeto começou em julho de 2014, inicialmente com a região Nordeste. A expansão para as demais áreas do país começou em 2018 e foi concluída em dezembro de 2023, com a entrada do Amapá, passando a abranger os 26 estados e o Distrito Federal.