Policial
Operação da Anvisa apreende mais de 1 000 ‘canetas emagrecedoras’ e peptídeos ilegais
Ações ocorreram na primeira quinzena de setembro, em parceria com a Receita Federal e a Polícia Federal, no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro
BATANEWS/VEJA
Uma operação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em parceria com a Receita Federal e a Polícia Federal resultou na apreensão de mais de 1 000 peptídeos e canetas antiobesidade ilegais à base de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, e retatrutida, substância que ainda não chegou ao Brasil e não possui aprovação para uso comercial em nenhum país do mundo.
A fiscalização se deu ao longo de 19 ações durante a primeira quinzena de setembro, no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, considerado um dos principais pontos de tráfego ilegal de insumos e de medicamentos no país. As ações tinham como alvo produtos sujeitos ao controle sanitário em voos nacionais e internacionais.
Em nota publicada nesta terça-feira, 22, a Anvisa informou que a abordagem foi estratégica, com foco em passageiros vindos de Foz do Iguaçu, região de fronteira de grande circulação de produtos sensíveis, além de rotas internacionais oriundas de Dubai e Amsterdã.
“As operações conjuntas resultaram na retenção de expressivas quantidades de medicamentos e peptídeos sem registro, que estavam sendo trazidos nos voos, na tentativa de entrada irregular no país”, afirmou a agência.
Veja abaixo quais foram os produtos apreendidos:
O GHK-Cu é um peptídeo injetável que viralizou nas redes sociais sendo associado à regeneração da pele, cicatrização e até modulação genética, mas não possui comprovação científica. Além disso, a venda e uso do produto no país são ilegais.
Em julho, a Anvisa publicou uma nota para alertar sobre os riscos do uso de peptídeos amplamente divulgados na internet que não têm registro no órgão regulador.
“Os produtos que se apresentam como peptídeos denominados GHK-CU, BPC-157, TB500, CJC-1295 e Ipamorelina, que prometem efeitos estéticos ou melhora em quadros de saúde, também NÃO se encontram registrados na Anvisa”, alertou à época.
Anabolizantes também foram apreendidos
Anabolizantes também estão na lista dos produtos apreendidos pela operação da primeira quinzena de setembro, segundo a Anvisa.
“Foram apreendidos ainda anabolizantes em ocorrência que resultou na prisão de passageiro pela PF por crime contra saúde pública e contrabando“, afirmou o órgão.
De acordo com a agência, o viajante estava sendo monitorado desde a sua saída, por meio de um sistema de inteligência utilizado pela Anvisa, o que possibilitou o acionamento da Receita Federal e da Polícia Federal para ação conjunta.
O uso de anabolizantes para fins estéticos e de desempenho esportivo é um risco à saúde e pode causar até a morte, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).
Em posicionamento oficial sobre o tema, a Sbem já afirmou que o uso disseminado desses produtos para melhorar a aparência e o condicionamento físico dentro e fora do esporte de elite, especialmente no ramo fitness, é “uma verdadeira epidemia mundial e deve ser considerado um grande problema social e de saúde pública também no nosso país”.
“O uso dessas substâncias para fins de ganho de desempenho no esporte amador, fins estéticos ou como agentes anti-envelhecimento é desprovido de qualquer base científica e é acompanhado de riscos bem descritos na literatura, justificando a proibição de seu uso nestes casos pelo Conselho Federal de Medicina através da Resolução no 1999/2012″, afirmou a entidade.
Os riscos incluem danos importantes ao coração e aos vasos sanguíneos, além de pressão alta, insuficiência cardíaca, arritmias (alterações no ritmo do coração) e até morte súbita.
Os anabolizantes pioram ainda diversos fatores que favorecem doenças cardiovasculares. Eles aumentam os níveis do colesterol LDL (o “colesterol ruim”), reduzem o HDL (o “colesterol bom”), deixam o sangue mais espesso e facilitam a formação de coágulos. Calvície, infertilidade e comportamento agressivo também entram na lista de efeitos colaterais.






