O que acontece quando se troca caneta emagrecedora por comprimido de semaglutida

Estudo que observou a experiência de pacientes com obesidade apontou manutenção da queda de peso com a versão oral

BATANEWS/VEJA


Coletiva de imprensa da Novo Nordisk sobre estudos e inovações no tratamento da obesidade e do diabetes 2 (Paula Felix/VEJA)

Um estudo que comparou os efeitos da troca das canetas antiobesidade, mais conhecidas como canetas emagrecedoras, por uma pílula à base de semaglutida mostrou que a mudança de apresentação da terapia não interrompe a perda de peso. Segundo a análise de dados de pacientes que utilizavam semaglutida 2,4 mg ou tirzepatida (Mounjaro) e passaram para Wegovy em comprimidos de 25 mg, apresentada durante a reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), realizada em Milão, foi registrada uma redução de quatro quilos em um período de três meses.

A avaliação considerou informações de 194 pessoas com peso inicial médio de 100,5 kg, inscritas em plataforma americana de telessaúde chamada Ro, que estavam em tratamento com canetas emagrecedoras por cinco meses e continuaram com a versão em pílula.

Após a troca de caneta para pílula, houve uma perda média de 4,1% do peso e a quantidade de participantes com diagnóstico de obesidade caiu de 87,1% para 65,5% após três meses.

“Os pacientes tiveram reduções estatisticamente significantes no peso e no índice de massa corporal (IMC). Reportaram também experiências positivas com o tratamento: três em quatro pessoas ficaram satisfeitas e 82,4% relataram que tiveram melhoras significativas”, disse, durante a apresentação, Louis Aronne, coautor do estudo e diretor do Comprehensive Weight Control Center na Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos.

O objetivo do estudo OCTANE era coletar evidências a partir de experiências reais dos pacientes para complementar as investigações de ensaios clínicos controlados que já comprovaram segurança e eficácia do medicamento.

Semaglutida em comprimido

Os medicamentos à base de agonistas do GLP-1 se popularizaram na administração por meio de canetas injetáveis, mas há um movimento de ampliar a forma de apresentação por meio de comprimidos. Dessa forma, é possível atingir pacientes que não querem receber as picadas semanais ou têm dificuldades para lidar com a conservação e transporte dos medicamentos injetáveis.

O Wegovy em pílula já foi lançado nos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Alemanha. O México também deve iniciar o uso. E há demanda para o produto.

De acordo a Novo Nordisk, a aprovação da semaglutida em comprimido nos Estados Unidos ocorreu em dezembro do ano passado e, desde janeiro deste ano, foram dispensadas mais de cinco milhões de prescrições no país.

“A nossa escolha de trazer as pílulas para o tratamento é uma tentativa de tornar isso mais fácil, em alguns casos, para as pessoas. As pessoas tomam estatinas pelo resto da vida por causa do colesterol e não fazem a mesma pergunta, porque entendem que ainda não existe uma cura para o colesterol. Então, se você tiver que tomar uma pílula, talvez seja menos difícil ter que tomá-la pelo resto da vida”, disse, em coletiva de imprensa, Mike Doustdar, CEO da Novo Nordisk.

No Brasil, o pedido de aprovação foi feito para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro deste ano e o aval é aguardado. A expectativa é de que a liberação ocorra ainda neste ano.