Quando a política ultrapassa os limites da fé e do respeito

BATANEWS/NEY OLEGáRIO


Foto: Divulgação

A política brasileira parece ter ultrapassado mais uma fronteira que jamais deveria ter sido cruzada, a utilização da fé, de símbolos religiosos e até da imagem de Nossa Senhora de Aparecida, Padroeira do Brasil, como instrumento de ataques, provocações e disputas políticas.

Não estamos falando de PT ou PL. Não estamos falando de esquerda ou direita. Estamos falando de pessoas e, sobretudo, de respeito.

É preocupante quando uma discussão política deixa de ser baseada em fatos, propostas e argumentos e passa a ser alimentada por ofensas, montagens, mensagens enganosas e conteúdos criados para provocar indignação. Mais preocupante ainda é quando símbolos que representam a fé de milhões de brasileiros são colocados no centro dessas disputas.

Nossa Senhora Aparecida não pertence a partido político. A fé não tem legenda, número eleitoral ou candidato. Uma imagem religiosa não deveria ser transformada em arma para atacar quem pensa diferente.

E existe outro problema, a velocidade com que informações falsas circulam pelas redes sociais. Muitas pessoas compartilham conteúdos sem verificar a origem, a autenticidade ou o contexto. Em poucos minutos, uma mentira pode alcançar milhares de pessoas e provocar conflitos que sequer precisariam existir.

Antes de compartilhar uma publicação, talvez seja necessário fazer uma pergunta simples, isso é verdade?

Discordar faz parte da democracia. Criticar políticos, partidos e decisões públicas também. O que não deveria fazer parte da vida pública é transformar a divergência em ódio, humilhação e desrespeito.

Também não se trata de colocar católicos contra evangélicos, ou qualquer outra religião contra outra. A questão é muito maior, trata-se de preservar o respeito à fé e à consciência de cada cidadão.

Política e religião podem coexistir na sociedade porque fazem parte da vida de muitas pessoas. Mas utilizar a fé como instrumento de manipulação política é outra coisa.

O eleitor não precisa abandonar suas convicções para exercer o pensamento crítico. Pode ter fé e, ao mesmo tempo, questionar uma mensagem. Pode admirar um político e discordar de uma atitude. Pode defender uma ideologia sem transformar quem pensa diferente em inimigo.

Talvez esteja na hora de diminuir o barulho e aumentar a responsabilidade.

Menos ataques.
Menos fake news.
Menos fanatismo.
Mais informação.
Mais respeito.
Mais responsabilidade.

Nossa Senhora Aparecida merece respeito. A fé de milhões de brasileiros merece respeito. E, acima de qualquer disputa política, o cidadão também merece respeito.

Porque, no fim das contas, nenhuma eleição deveria ser capaz de nos fazer esquecer aquilo que deveria ser básico em uma sociedade: respeitar o próximo, mesmo quando pensamos de maneira diferente.