Os candidatos Copa do Mundo aparecem de quatro em quatro anos

BATANEWS/REDAçãO


Foto: Divulgação

Existe uma espécie de candidato que o eleitor brasileiro conhece bem: aquele que aparece de quatro em quatro anos.

Durante o período eleitoral, surgem de todos os lados. Visitam bairros, apertam mãos, tiram fotografias, prometem ouvir a população, falam em mudança e, de repente, parecem conhecer todos os problemas da cidade.

Mas a eleição termina.

E, junto com ela, muitas vezes desaparece também o candidato.

É o chamado “candidato Copa do Mundo”: aquele que só aparece de quatro em quatro anos, como se a população também só precisasse de atenção durante a campanha eleitoral.

O problema não está apenas na ausência física. Está na falta de compromisso contínuo com a comunidade.

Durante a campanha, aparecem os discursos sobre proximidade com o povo. Depois da eleição, o cidadão pode passar anos tentando conseguir uma resposta, uma reunião ou simplesmente ser ouvido.

E há outro fenômeno que merece atenção: os chamados “líderes” que aparecem durante as eleições, movimentam grupos, fazem discursos em nome da população e, em alguns casos, transformam a política em negócio particular.

É importante deixar claro: receber recursos de campanha ou contar com apoio político não significa, por si só, irregularidade. O problema começa quando o cidadão deixa de ser tratado como eleitor e passa a ser tratado apenas como instrumento para conquistar poder.

Voto não é moeda de troca.

O eleitor não deveria ser lembrado somente quando chega a hora de pedir seu voto.

Uma candidatura deveria representar um compromisso que começa antes da eleição e continua depois dela. Afinal, os problemas de uma cidade não desaparecem quando as urnas são fechadas. A saúde continua precisando de atendimento, as ruas continuam precisando de manutenção, os bairros continuam precisando de infraestrutura e a população continua precisando ser ouvida.

Também é preciso ter cuidado com a ideia de que determinado político “roubou votos”. Voto é uma decisão individual do eleitor e, em uma democracia, pode ser influenciado por inúmeros fatores. O que cabe ao cidadão é observar quem esteve presente, quem prestou contas, quem apresentou propostas e quem manteve diálogo com a comunidade depois da eleição.

Porque política não deveria ser temporada.

Não somos Copa do Mundo.

A população não pode ser lembrada somente a cada quatro anos.

Antes de votar novamente, talvez seja necessário olhar para trás e fazer algumas perguntas:

Quem esteve presente quando não precisava do meu voto?

Quem prestou contas do que fez?

Quem continuou ouvindo a população depois da eleição?

Quem apareceu apenas quando precisava de votos?

No fim, talvez a maior fiscalização não esteja apenas nos tribunais ou nos órgãos de controle.

Ela começa no eleitor.

Porque quando chegar novamente a época das promessas, das fotografias, dos apertos de mão e dos discursos emocionados, vale lembrar uma coisa simples, quem realmente quer representar o povo não deveria precisar de uma eleição para lembrar que ele existe.