Impeachment de ministros do STF: novo Senado pressiona Supremo

Fontes ouvidas pelo blog dizem que o funcionamento do STF e possíveis pedidos de impeachment de ministros do Supremo são pautas das quais não vai dar para fugir. Sob pressão do novo Senado, movimentos de Moraes entram no radar da campanha de Flávio Bolsonaro.

BATANEWS/G1


Plenário do Senado Federal — Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

A nova composição do Senado acendeu um alerta no STF. A maioria dos novos eleitos prioriza pautas que avaliem o funcionamento da Corte e o impeachment de ministros.

O senador Rogério Marinho conversou com ministros na última terça-feira (6). Ele tem dito ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que não haverá vingança por parte da nova bancada conservadora da Casa.

A eleição para a presidência do Senado, em fevereiro, definirá a relação com a Corte. Rogério Marinho desponta como um dos nomes cotados para o cargo.

Enquanto as campanhas do 2 º turno das eleições seguem na rua, um movimento acontece nos bastidores: as movimentações da nova composição do Senado em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Para a maioria dos novos eleitos, a principal bandeira de atuação no ano que vem é o funcionamento do STF e o impeachment de ministros.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), que é coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), deu um giro no Supremo na última terça-feira (6). Nos bastidores, ele tem conversado com ministros e, principalmente, com o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin.

A Fachin, Marinho tem dito que não haverá uma vingança ou revanche por parte do novo Senado — que terá 19 cadeiras só para o PL, formando a maior bancada da Casa. Mesmo assim, o Supremo tem monitorado o cenário.

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Apesar das conversas com os ministros, Rogério Marinho não tem tido contato com os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Moraes, na visão do campo conservador, é tido como o símbolo do anti-bolsonarismo. Com o novo Senado, que tem a maioria alinhada ao posicionamento do PL, os movimentos do ministro entram no radar da campanha de Flávio.

Integrantes do Judiciário ouvidos pelo blog dizem que nem todo bolsonarista é a favor do impeachment de ministros. Ainda assim, os parlamentares relatam que foram eleitos muito por conta dessa pauta e querem fazer jus às promessas de campanha.

Um outro ponto determinante para a relação entre Supremo e Senado é a escolha do próximo presidente da casa legislativa, cuja eleição se dará em fevereiro do ano que vem.

O próprio Rogério Marinho tem sido um dos nomes mais cotados pelas fontes ouvidas pelo blog, e a expectativa é que ele saia na frente até mesmo de Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente do Senado. Ambas as campanhas presidenciais, de Flávio Bolsonaro e de Lula (PT), avaliam que Alcolumbre perde vantagem no atual cenário.

Alcolumbre é ligado à ala de Moraes no Supremo, e uma troca no comando do Senado pode colocar ainda mais pressão sobre o ministro.

Um terceiro nome que corre pelos bastidores para liderar o Senado é o de Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara e recém-eleito ao Senado. Fontes ouvidas pelo blog dizem que ele poderia representar uma liderança de meio de caminho, que consiga equilibrar as forças.

Uma coisa é unânime: neste novo Senado, ninguém vai conseguir fugir da pauta do Supremo.