Quem está vencendo a largada da disputa Flávio x Lula no segundo turno

Para editor de VEJA, sequência de apoios dá ao candidato do PL um início mais dinâmico, enquanto o presidente revê a estratégia

BATANEWS/VEJA


Foto: Divulgação

Flávio Bolsonaro começou o segundo turno com uma movimentação mais favorável que a de Lula, na avaliação do editor de Política José Benedito da Silva. Enquanto o candidato do PL acumulou apoios e aparições com aliados, o presidente concentrou os primeiros dias em reuniões para avaliar o resultado do primeiro turno e definir os próximos passos da campanha (este texto é um resumo do vídeo acima).

“A campanha do Flávio começou num ritmo muito mais dinâmico, muito melhor do que a do Lula”, afirmou Benedito no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol. Para o editor, essa diferença ajuda Flávio a transmitir uma imagem de crescimento, mas exige cuidado para evitar o clima de “já ganhou”.

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Por que a largada favorece Flávio Bolsonaro?

As adesões de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Michel Temer permitem a Flávio ocupar o noticiário com demonstrações de articulação política. Mesmo quando são esperados, esses apoios produzem um efeito positivo sobre a percepção da candidatura, segundo Benedito.

Para o eleitor que acompanha menos o noticiário, a sucessão de encontros e fotografias passa a impressão de “uma candidatura em crescimento” e “ganhando musculatura”. Em uma campanha curta, de três semanas, essa exposição ajuda o candidato a apresentar sua trajetória como um movimento de expansão.

Onde Lula perde terreno nesse início?

O editor contrapõe essa movimentação às reuniões de Lula com a coordenação de campanha no Palácio do Planalto. Na avaliação dele, o presidente começou a nova etapa voltado a entender as dificuldades do primeiro turno, enquanto o adversário aproveitou o período para exibir adesões.

“Acho que o Lula demorou muito já pra sair às ruas de novo no segundo turno”, disse. O contraste, segundo ele, favorece Flávio ao colocar de um lado uma campanha em movimento e, de outro, um candidato ainda dedicado a traçar sua reação.

O que pode comprometer a vantagem de Flávio?

O principal risco é transformar a boa largada em uma postura de vitória antecipada. Benedito chama a atenção para as declarações de Flávio sobre mudar a Constituição, indicar ministros e discutir sua relação com o STF antes de conquistar a Presidência. “Começou a elencar várias coisas como se já tivesse eleito. E ele não está eleito”, afirmou.

Para o editor, falar em alterações constitucionais sem esclarecer quais seriam as mudanças cria preocupações desnecessárias durante a disputa. A prioridade, em sua avaliação, deve ser consolidar o resultado nas urnas: “Então eu acho que ele tem que tomar um pouco mais de cuidado pra não adotar uma postura de quem já tá eleito”.