Agronegócios
Sobretaxas derrubam em 25,4% exportações brasileiras de produtos aos EUA
Queda entre os itens sujeitos às alíquotas de 25% e 37,5% chegou a US$ 1,4 bilhão no acumulado do ano, apesar da recuperação das vendas totais em setembro.
BATANEWS/OPR
As exportações brasileiras de produtos sujeitos às maiores sobretaxas dos Estados Unidos caíram 25,4% entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. A retração corresponde a aproximadamente US$ 1,4 bilhão, com as vendas desse grupo somando US$ 4,1 bilhões. Os dados são do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em informações do sistema Comexstat.
No conjunto das exportações brasileiras para o mercado americano, a queda acumulada foi de 6,5%, equivalente a US$ 1,9 bilhão a menos em vendas. Entre janeiro e setembro, os embarques totalizaram US$ 27,5 bilhões.
Em setembro, porém, houve recuperação. As exportações brasileiras aos Estados Unidos cresceram 31,9% em relação ao mesmo mês de 2025 e alcançaram US$ 3,5 bilhões. O aumento ocorreu tanto em valor quanto em quantidade: o volume exportado subiu 3,1%, enquanto o preço médio avançou 28%. A comparação considera setembro de 2025, quando estavam em vigor tarifas adicionais de até 50% sobre produtos brasileiros.
Produtos com maiores tarifas concentram as perdas No acumulado de 2026, as exportações de bens sujeitos a sobretaxas recuaram 8,1%, enquanto as vendas de produtos sem essas tarifas diminuíram 5,1%.
O resultado mais negativo foi registrado entre os itens submetidos às alíquotas de 25% e 37,5%, cujas exportações somaram US$ 4,1 bilhões, queda de 25,4% em um ano.
Entre os dez principais produtos desse grupo, nove tiveram redução nas vendas aos Estados Unidos. A madeira de coníferas apresentou o maior recuo percentual, de 50,6%, seguida por granitos trabalhados (-34,1%), sebo bovino (-33,4%), fumo não manufaturado (-32,2%) e outras portas (-29,3%).
Os dados mostram que, apesar da recuperação mensal das exportações brasileiras, os produtos sujeitos às maiores alíquotas continuam registrando perdas expressivas no mercado americano.
Importações dos EUA crescem pelo terceiro mês seguido As importações brasileiras de produtos americanos aumentaram 2,1% em setembro, marcando o terceiro mês consecutivo de crescimento. Entre os principais destaques estão os combustíveis, com alta de 108,5%, e as máquinas de processamento de dados, cujas compras cresceram 31,4%.
No acumulado de janeiro a setembro, contudo, as importações provenientes dos Estados Unidos somaram US$ 31,8 bilhões, queda de 7,1% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Como as exportações brasileiras totalizaram US$ 27,5 bilhões no período, o comércio bilateral resultou em déficit de US$ 4,3 bilhões para o Brasil.
Exportações para outros mercados têm desempenho melhor A queda das vendas aos Estados Unidos contrasta com o desempenho das exportações brasileiras para outros destinos em setores importantes da economia.
Na indústria de transformação, as exportações para o mercado americano recuaram 1,2% entre janeiro e setembro, enquanto as vendas para os demais países cresceram 6,3%. Mesmo com a retração, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino dos produtos industriais brasileiros, respondendo por 15,7% das exportações do setor.
Na indústria extrativa, as vendas aos americanos caíram 32%, enquanto as exportações para os demais mercados aumentaram 21,2%.
Na agropecuária, o movimento foi semelhante: os embarques para os Estados Unidos diminuíram 17,8% no acumulado do ano, ao passo que as vendas para outros destinos cresceram 8,9%.
Os resultados indicam que a retração das exportações brasileiras aos Estados Unidos não se repetiu nos demais mercados. Nos três grandes setores da economia, as vendas para outros destinos tiveram desempenho superior ao registrado no comércio com os americanos.






