Política
Governo Lula 4: o que Mato Grosso do Sul pode esperar para 2027?
POR DIEGO MAIA
Com Riedel reeleito, dois novos senadores do PL e uma bancada federal majoritariamente formada por partidos de centro e direita, Mato Grosso do Sul inicia um novo ciclo político. Apesar das diferenças com o governo federal, o desafio para o MS será transformar sua força produtiva e representação política em investimentos, empregos e oportunidades de negócios.
As eleições terminaram. O Brasil reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva para seu quarto mandato presidencial. Mato Grosso do Sul, por sua vez, confirmou uma preferência eleitoral diferente daquela manifestada pela maioria dos brasileiros.
No segundo turno das eleições presidenciais de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59,60% dos votos válidos em Mato Grosso do Sul, totalizando 927.892 votos, contra 40,40% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 628.973 votos. O resultado evidencia a diferença entre a preferência majoritária do eleitorado sul-mato-grossense e a decisão nacional, que reelegeu Lula para seu quarto mandato.
O estado também reelegeu Eduardo Riedel (PP) governador, ainda no primeiro turno, com 67,07% dos votos válidos, equivalentes a 914.323 votos. Para o Senado, elegeu Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL, que se juntarão a Tereza Cristina (PP), cujo mandato se estende até 2031.
Na Câmara dos Deputados, partidos de centro e direita conquistaram sete das oito cadeiras, embora isso não signifique que todos os parlamentares terão comportamento uniforme diante do governo federal.
Forma-se, portanto, um cenário político que exigirá diálogo, capacidade de articulação e defesa dos interesses regionais.
Mas existe uma pergunta que considero ainda mais importante:
Como transformar essa representatividade política em desenvolvimento econômico, investimentos e oportunidades para quem trabalha e empreende em Mato Grosso do Sul?
Dourados e a força econômica do interior
Dourados ocupa uma posição estratégica na economia sul-mato-grossense.
O município é um importante polo regional de comércio, serviços, educação, saúde e agronegócio. Sua influência econômica ultrapassa os limites da cidade e alcança dezenas de municípios do sul do estado.
A produção de grãos, a pecuária, as cooperativas, as agroindústrias, os transportes e o comércio formam uma cadeia econômica que gera empregos e movimenta negócios diariamente.
A região também conta com oportunidades relacionadas à industrialização da produção agropecuária, à bioenergia, à tecnologia agrícola e à ampliação de sua infraestrutura logística.
Mas crescimento econômico não acontece por decreto.
Para que Dourados e os municípios vizinhos continuem se desenvolvendo, será necessário enfrentar obstáculos conhecidos: custo do crédito, infraestrutura, segurança jurídica, qualificação profissional e competitividade empresarial.
Os investimentos federais, as decisões do governo estadual e a atuação das bancadas parlamentares continuarão tendo importância nesse processo.
O desafio será construir resultados concretos, mesmo diante das diferenças políticas.
A divergência eleitoral não pode se transformar em barreira para o desenvolvimento regional.
O governo é federal. Mas os empregos são locais.
É natural que empresários, produtores e profissionais liberais acompanhem com preocupação os rumos da economia.
Juros elevados dificultam financiamentos, comprometem investimentos e encarecem o capital de giro. A carga tributária, as mudanças regulatórias e a incerteza sobre as contas públicas também influenciam as decisões empresariais.
Para uma região com forte presença do agronegócio, essas questões são especialmente relevantes.
O produtor rural precisa de crédito, tecnologia e condições para comercializar sua produção. A indústria precisa de energia, logística e previsibilidade. O comércio depende do poder de compra das famílias.
Nesse contexto, a relação entre Brasília e Mato Grosso do Sul deverá ser acompanhada com atenção.
A nova bancada do Senado terá representantes com trajetórias políticas distintas, mas vinculados a partidos que não integram a base tradicional do PT. Na Câmara, também haverá espaço para diferentes posições e negociações.
A oposição é parte legítima da democracia. Fiscalizar o governo, questionar decisões e defender alternativas são atribuições importantes dos parlamentares.
Mas a capacidade de negociar investimentos, aperfeiçoar projetos e construir soluções para problemas regionais também será decisiva.
A política pode dividir opiniões. O desenvolvimento econômico precisa atender à população inteira.
Reclamar da economia não é uma estratégia de vendas
Em mais de duas décadas dedicadas ao desenvolvimento de equipes comerciais, com mais de 1.800 palestras realizadas pelo Brasil, aprendi que o ambiente econômico influencia profundamente os negócios.
Mas aprendi também que empresas submetidas às mesmas dificuldades frequentemente apresentam resultados muito diferentes.
Enquanto algumas perdem mercado, outras conquistam clientes, ampliam operações e identificam novas oportunidades.
A diferença pode estar na gestão, na preparação das equipes, na produtividade e na capacidade comercial.
Isso vale para uma loja no centro de Dourados, uma concessionária de máquinas agrícolas, uma indústria em expansão ou uma empresa prestadora de serviços.
O empresário não controla a taxa de juros. O vendedor não determina a política econômica. O produtor rural não escolhe sozinho os preços internacionais das commodities.
Mas todos podem trabalhar para melhorar sua eficiência, desenvolver relacionamentos comerciais, reduzir desperdícios e conquistar novos mercados.
É evidente que o governo tem responsabilidades que não podem ser transferidas ao setor produtivo.
Entretanto, também é verdade que ficar paralisado à espera de condições econômicas ideais pode representar uma oportunidade perdida.
Reclamar da economia não é uma estratégia de vendas. Esperar que ela melhore, também não.
O desafio dos próximos quatro anos
Mato Grosso do Sul chega a 2027 com continuidade no governo estadual, uma bancada renovada em Brasília e perspectivas de desenvolvimento ligadas à sua capacidade produtiva.
Dourados também amplia seu espaço de representação política, com parlamentares ligados diretamente à região, entre eles Rodolfo Nogueira e Isa Marcondes.
Essa representação cria possibilidades de articulação, mas não garante, por si só, a chegada de novos investimentos.
Os próximos anos exigirão acompanhamento das políticas de crédito, melhorias logísticas, iniciativas de industrialização, condições para pequenos negócios e ampliação de mercados.
Também exigirão empresários preparados para uma economia cada vez mais competitiva e consumidores que pesquisam, comparam e negociam antes de comprar.
Depois de mais de duas décadas estudando e ensinando vendas, tenho uma convicção: nenhuma região prospera apenas por possuir riquezas naturais, terras produtivas ou localização privilegiada.
Prosperidade também depende da capacidade de transformar potencial econômico em negócios, empregos e renda.
O Brasil terá mais quatro anos de Lula. Mato Grosso do Sul terá uma representação política com diferenças importantes em relação ao governo federal.
Cabe aos representantes eleitos defender os interesses do estado, independentemente das divergências partidárias. E cabe ao setor produtivo continuar trabalhando para transformar oportunidades em resultados.
Porque a eleição acabou, mas as empresas precisam continuar vendendo, os produtores precisam continuar produzindo e as famílias precisam continuar prosperando.
O futuro de Mato Grosso do Sul não será definido apenas pelas decisões tomadas em Brasília, mas também pela capacidade de quem trabalha, investe, empreende e gera negócios todos os dias.
Eu sou Diego Maia e acredito verdadeiramente que “onde tem venda, tem vida”.
Diego Maia é palestrante de vendas, escritor e CEO do Grupo CDPV, organização que atua no mercado de palestras e treinamentos corporativos desde 2003. Com mais de 1.800 palestras realizadas e mais de 500 mil profissionais impactados, é autor de oito livros, incluindo 7 Princípios da Venda. Apresenta um dos mais longevos podcasts brasileiros dedicados a vendas e empreendedorismo, iniciado em 2009.







