Ex-deputado e filho são denunciados por golpe a produtor rural

Sérgio Pereira Assis, o filho Mário e mais 2 empresários foram alvos da Operação Agro-Fantasma este ano

BATANEWS/CGNEWS


Sérgio Assis e o filho Mário Sérgio, ambos denunciados pelo MPMT (Foto: Reprodução)

O ex-deputado estadual Sérgio Pereira Assis foi denunciado por estelionato e associação criminosa em um esquema que provocou prejuízo de R$ 57,7 milhões ao produtor rural Silvano dos Santos. O filho dele, Mário Sérgio Cometki, e os empresários Pedro Henrique Cardoso e Wanderley Soares Barboza Júnior também são acusados de participar do esquema.

Segundo o MPMT (Ministério Público do Mato Grosso), o grupo teria usado as empresas Santa Felicidade Agro Indústria Ltda. e Imaculada Agronegócios Ltda. para realizar operações envolvendo grandes volumes de grãos e conquistar a confiança do produtor rural Silvano dos Santos.

O MPMT destaca o uso central de duas empresas no esquema: a Santa Felicidade Agro Indústria Ltda. e a Imaculada Agronegócios Ltda. A fiscalização da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda) do Mato Grosso e as investigações policiais revelaram diversas inconsistências. O promotor Leoni Carvalho Neto formalizou a denúncia na Vara Cível e Criminal de Comodoro (MT).

Com falta de estrutura física, a empresa Santa Felicidade declarava beneficiamento de grandes volumes de grãos, mas apresentava consumo irrisório de energia elétrica e insumos. Os grãos comprados por R$ 51,8 mil eram revendidos sucessivamente até chegarem a R$ 41 mil (queda de 21%), indicando que o objetivo não era o lucro comercial, mas sim a circulação fictícia de documentos e notas fiscais.

Registros fiscais apontaram que um mesmo caminhão teria sido carregado em Comodoro às 9h02 com destino a Alto Taquari (MT) (distante 1.124 km) e, apenas quatro horas depois (às 13h26), teria registrado um novo carregamento na mesma cidade, trajetos fisicamente inviáveis no intervalo.

O empresário Wanderley Soares Barboza Júnior é apontado como 'laranja'. Embora constasse como comprador de 100% das cotas da Santa Felicidade por R$ 2 milhões, sua capacidade financeira era incompatível e a gestão efetiva da empresa continuava sob responsabilidade de Pedro Henrique Cardoso.

Esquema - Conforme a investigação, o caso começou a partir do relato de um produtor rural de 56 anos, que afirmou ter sido procurado durante a colheita da soja em março de 2025 por um corretor que se apresentou como representante das empresas Imaculada e Santa Felicidade.

Conforme relato do produtor, inicialmente foram realizadas operações menores de venda de soja, todas pagas regularmente, conquistando a confiança dele. Em uma das negociações, 17 caminhões de grãos chegaram a permanecer retidos até a confirmação da compensação bancária, sendo liberados apenas após a confirmação do pagamento.

Até novembro de 2025 os pagamentos ocorreram normalmente. A partir de dezembro, quando venceram parcelas de maior valor, os investigados teriam cessado abruptamente os pagamentos, tornando-se inadimplentes e deixando o produtor responsável pelas dívidas contraídas junto a diversos fornecedores.

Para honrar parte das obrigações assumidas, o produtor declarou ter contraído empréstimo de R$ 16 milhões junto a uma cooperativa, além de R$ 5 milhões em outro banco e a prorrogação de financiamento de R$ 2,5 milhões.

O boletim também relata que parte significativa dos grãos adquiridos teria sido revendida por valores inferiores aos de compra, sem que os recursos fossem utilizados para quitar os compromissos.

Venda de aeronave - Além das negociações com soja, o produtor afirma ter vendido uma aeronave ao grupo por R$ 5.817.660,00, recebendo apenas R$ 2.071.563,03, restando saldo em aberto desde janeiro de 2026. O avião foi apreendido.

Como garantia das negociações, os envolvidos teriam indicado um imóvel registrado no 6º Serviço Notarial da 3ª Circunscrição de Cuiabá (MT). Mas, segundo o registro policial, o bem estaria envolvido em disputas judiciais e com indícios de sucessivas alienações sem comprovação de pagamento.

Operação - A investigação veio a público em março, quando a Polícia Civil deflagrou a Operação Agro-Fantasma e cumpriu 5 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Cuiabá e Alto Taquari (MT). Na ocasião, houve bloqueio de contas e indisponibilidade de bens dos investigados, além da apreensão de uma aeronave avaliada em cerca de R$ 5,8 milhões.

Sérgio foi alvo de busca em Campo Grande e acabou preso em flagrante após policiais encontrarem munições na residência. Ele pagou fiança de R$ 5 mil e foi liberado. Na época, a defesa negou que o ex-deputado tivesse qualquer vínculo com as empresas investigadas ou participação no suposto esquema.

Na época, a defesa de Sérgio negou a participação dele no esquema. Em março, o advogado afirmou que o ex-deputado não fazia parte do quadro societário da Imaculada Agronegócios e não exercia funções de administração ou gestão na empresa.

A defesa também sustentou que Sérgio não tinha procuração para representar ou negociar em nome da companhia e que seu envolvimento no episódio da operação policial ocorreu apenas em razão das munições encontradas em sua residência.

Além da investigação criminal, o caso também já havia provocado desdobramentos na Justiça. Em março, o empresário Pedro Henrique Cardoso afirmou ter sido ameaçado pelo produtor rural durante a disputa comercial e disse ter apresentado garantias patrimoniais superiores a R$ 150 milhões para tentar negociar o débito, incluindo uma aeronave.

A Justiça chegou a conceder medida protetiva ao empresário.  Em outro processo, a 9ª Vara Cível de Cuiabá suspendeu a cobrança de R$ 70.298,72 feita pela Imaculada Agronegócios contra a empresa MK Comércio de Grãos, após uma carga de soja ser retida durante fiscalização da Sefaz-MT.  A decisão também impediu o protesto do boleto e eventual restrição de crédito contra a empresa.

O Campo Grande News não conseguiu contato com as defesas dos acusados, mas o espaço segue aberto para manifestações.

(*) Com informações do portal Pauta Diária.

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