Boi subiu R$ 13,45/@, mas é “desesperador” o futuro

COMPRE RURAL


Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Os valores da arroba na primeira quinzena de julho fecharam com uma valorização de quase R$ 14,00/@, cenário esse que já deu sinais de mudanças, principalmente após o alongamento das escalas de abate. Com isso o mercado físico do boi gordo registrou preços de estáveis a mais baixos nesta sexta-feira, 15, a depender da praça pecuária avaliada.

Com uma queda de braço sendo travada entre pecuaristas e indústrias, a finalização da semana foi marcada pela inexpressiva fluidez dos negócios. Com maior conforto em suas escalas de abate, muitas indústrias frigoríficas estão ausentes da compra de gado. Dessa forma, o cenário para o curto prazo é desesperador para o produtor rural!

Ainda segundo alguns analistas, o cenário promove a expectativa de alguma queda dos preços no curto prazo, em linha com a posição mais confortável das escalas de abate, que hoje estão com 12 dias úteis em média geral.

Agora é o momento do pecuarista se unir e fazer sua parte, reter os animais para abate, criando uma lacuna na oferta de matéria prima para a indústria, foçando uma nova onda de valorização antes do término da primeira quinzena de agosto.

Segundo a Agrifatto, os impactos da menor oferta de boi gordo na entressafra ainda não foram vistos, o que resulta em escalas mais alongadas para os frigoríficos. Todas as praças acompanhadas se encontram com as programações de abate acima da média dos últimos 12 meses, enquanto a média nacional das escalas de abate está em 12 dias úteis, avanço de 2 dias no comparativo semanal.

A incidência de animais a termo favorece uma posição mais confortável da indústria frigorífica. O fluxo de exportação segue bastante positivo, com receitas espetaculares em 2022. Os preços médios internacionais da carne bovina seguem em elevação.

O Indicador do Boi Gordo Cepea, encerrou a primeira quinzena de julho com uma valorização de R$ 13,45/@, conforme o gráfico abaixo. Dessa forma, a variação mensal está em 1,78%. Já a cotação em dólar, encerrou a a sexta-feira, cotado a US$ 60,28/@, aproveitando a maior competitividade da carne brasileira frente aos seus concorrentes.

Segundo a Scot Consultoria, Com escalas de abate confortáveis, muitas indústrias permaneceram fora das compras nesta sexta-feira. Com isso, as cotações estão estáveis na comparação feita dia a dia nas praças paulistas. Boi, vaca e novilha gordos estão cotados em R$313,00/@, R$282,00/@ e R$304,00/@, na mesma ordem, preços brutos e a prazo.

Bovinos com até quatro dentes, destinados à exportação, estão sendo negociados em R$320,00/@. O app da Agrobrazil, trouxe como melhor negociação da última sexta-feira, o valor de R$ 315,00/@ com pagamento à vista e abate programado para o dia 08 de agosto.

Na B3, o futuro com vencimento para jul/22 encerrou a semana com sua primeira variação positiva, de 0,13%, cotado a R$ 319,75/@, relatou a Agrifatto em seu boletim diário.

“As escalas de abate alongadas, com volumes razoavelmente confortáveis para operação, dão espaço para a continuidade no ritmo de recuo dos preços do boi gordo', relata a IHS Markit.

Frigoríficos já consolidam um ambiente de negócios abaixo dos pisos observados nas semanas anteriores, o que tem deixado os pecuaristas mais desesperados neste momento, aceitando preços abaixo da referência para conseguir cobrir os custos elevados da manutenção destes animais na propriedade.

Por outro lado, observa a IHS, os pecuaristas optam por efetivar os negócios em patamares inferiores, já que o período de estiagem avança pelas regiões produtoras do País, retirando o volume verde das pastagens e condicionando perda de peso dos animais em retenção.

Outro fator que incentiva a maior oferta de animais, acrescenta a IHS, é o alto custo dos insumos, fator que também inviabiliza a manutenção do peso dos animais por meio de sistemas de confinamento e/ou semiconfinamento.

O mercado atacadista voltou a operar com preços em queda. Segundo Iglesias, a expectativa é de queda dos preços no decorrer da próxima semana, em linha com uma reposição mais lenta entre atacado e varejo. De acordo com o analista, isso é algo compreensível durante a segunda quinzena do mês, período que conta com maior apelo ao consumo.

O aumento dos valores envolvidos no Auxílio Brasil será um fator importante para estimular o consumo de produtos básicos, o que pode ser um ponto relevante para os preços da carne bovina no atacado.

O quarto traseiro foi precificado a R$ 22,35 por quilo, queda de R$ 0,20. O quarto dianteiro foi cotado a R$ 17,50 por quilo, queda de R$ 0,30. A ponta de agulha foi precificada a R$ 17,25 por quilo, queda de R$ 0,10.

Segundo Iglesias, a demanda na primeira quinzena de agosto terá capacidade para promover uma recuperação dos preços da carne bovina.

Todo o conteúdo áudio visual do CompreRural está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral, sua reprodução é permitida desde que citado a fonte e com aviso prévio através do e-mail [email protected]