Após 1 ano de tentativa, Rennan é homem trans radiante com gravidez

Homen trans, ele sempre quis engravidar e agora aguarda o nascimento da menina, que está previsto para outubro

BATANEWS/CGNEWS


No Centro de Campo Grande, Rennan mostra com orgulho a barriga. (Foto: Kísie Ainoã)

A camisa larga e preta não esconde a barriga de quem está no sétimo mês de gestação. Rennan Otávio de Oliveira, de 21 anos, é quem espera ansiosamente pela chegada da primeira filha após ter tentando engravidar durante um ano. Apesar de não saber se é o primeiro homem trans do Estado a vivenciar uma gestação, o vendedor está animado em formar uma família ao lado da noiva, que também está esperando uma menina.

A criança que ele espera se chamará Luna Gabrielly, enquanto a da noiva será Lizziê. A previsão do nascimento das filhas é em outubro, respectivamente, nos dias 19 e 20. Junto há três meses, o casal começou a relação quando ambos já estavam gestantes.

Ao Lado B, Rennan comenta sobre as tentativas e o momento onde o teste finalmente positivou. “Eu estava planejando ter esse filho no ano passado. Tentei, mas sempre deu negativo. Quando eu descobri a Luna eu estava de quatro meses, porque eu tinha parado de tentar e tinha desistido', fala. A princípio, ele diz que se sentiu surpreso. “Eu fiquei um pouco assustado e não esperava, porque tinha parado de tentar. Fiquei: ‘O que tá acontecendo?', relata.

No trabalho, o vendedor conta que descobriu a gestação após uma brincadeira entre os colegas da equipe. “Eu estava meio barrigudinho e falava que era comida e cerveja, porque sempre bebi. Minha patroa falou que era gravidez e eu falei: ‘Eu vou ali comprar um teste e mostrar pra todo mundo que não tô’. Cheguei aqui, deu positivo e eu fiquei pálido', ri.

A mãe dele, a Jackeline, foi a primeira a ser informada sobre a novidade. A comemoração da parte dela foi grande, pois segundo o vendedor, a menina é a primeira neta da família. “Tanto por parte de pai como por parte de mãe', explica. Como o pai mora em outra cidade, é  Jackeline quem está cuidando de Rennan durante o período gestacional.

Sem ter recorrido a fertilização, Rennan engravidou de forma natural. “Eu sou pan, então pra mim não foi nenhum problema. Esse negócio de inseminação é muito caro, é mais caro do que ter o filho', afirma.

Em relação a gestação, ele diz que o maior desconforto são as dores nas costas, enquanto a grande preocupação são certos cuidados com a criança. 'Eu tô bem treinado, mas tenho um pouquinho de medo por causa da moleira e cuidar do umbigo. Acho que pra isso não tô preparado', revela.

Preconceito diário - Na família, como todos sabiam o sonho que Rennan tinha de engravidar, a notícia deixou todos contentes. No ambiente familiar, trabalho e  círculo de amizades, o vendedor não sofre nenhum tipo de preconceito. “Não foi difícil. Eu sempre deixei bem claro que a minha sexualidade era uma e minha identidade de gênero era totalmente outra. Então, foi mais natural para todo mundo', destaca.

No entanto, os olhares, o julgamento e as perguntas invasivas e ofensivas partem constantemente de estranhos. “As pessoas perguntam: ‘Ué, você não era sapatão? Você quer ser homem e quer ter filho? Eu falo: ‘E dai? Todo homem tem filho e eu quero ter o meu, qual é o problema disso?' O povo acha que por a gente ser do meio LGBT a gente não pode ter uma família como eles, mas a gente pode', ressalta.

O vendedor releva esses e outros comentários que escuta e comenta estar preparado para enfrentar críticas. “Eu tô. A gente recebe isso no dia a dia, nas redes sociais. Eu tenho um Tik Tok engajado e lá eu recebo tudo quanto é tipo de comentário. Eu acho que nada mais me abala', declara.

Sem medo do mundo - Aos 14 anos, Rennan compreendeu a própria identidade de gênero e iniciou a transição. O pai foi quem demorou para aceitar, mas a mãe foi a primeira a oferecer apoio. “Graças a Deus tive uma mãe que me entendeu muito. Quando vi que tinha minha mãe ali do meu lado senti que não precisava ter medo do mundo', relata.

Devido a esse apoio, ele garante que nunca teve vergonha de ser quem realmente é. “Eu dei de cara mesmo, não fiquei nem aí para o que os outros iam falar ou pensar. Para mim não fazia diferença, porque eu tinha a minha mãe ali comigo e estava tudo certo. Eu falo que tive muita sorte, mas tem gente que não tem a mesma sorte que eu', conclui.

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