Saúde
Batayporã: Dengue: Com aumento de números de caso, todo cuidado é pouco
O vírus da dengue é transmitido pela picada do Aedes aegypti, um mosquito diurno, que se desenvolve em depósitos de água parada, comuns em quintais de casas residenciais
BATANEWS/REDAçãO
O Município de Batayporã-MS, não diferente de outros no estado, tem passado por momento que requer cuidados, para evitar um aumento de casos de dengue.
Nossa reportagem recebeu alguns questionamentos de munícipes que buscavam informações sobre a possível passagem do fumacê pelas ruas do perímetro urbano da cidade.
Fomos em busca de informações junto a coordenação de vigilância sanitária e entomológica do município, a qual o coordenador George Joaquim da Silva, nos repassou importantes informações sobre a situação.
Segundo ele, neste momento o estado do MS, não conta com a disponibilidade dos insumos que são utilizados para finalidades de uso através do fumacê. Mas os produtos já estão sendo requisitados pelo novo governo, e quando disponibilizados, serão distribuídos por prioridades. Mesmo Batayporã estando classificado como um município em epidemia, o mesmo não está na lista de prioridade para receber o produto de imediato, mas a administração está cobrando diariamente a inclusão de Batayporã nesta linha de prioridades.
O município, através da secretária de saúde, vem realizando ações que visam o bloqueio do aumento de casos, através da utilização do fumacê mecânico. Como havia uma reserva desses produtos disponível em Batayporã, vai ser possível atender todo perímetro urbano nos proximos dias.
Segundo George, esse insumo tem uma ótima eficácia, a qual atinge até 25 metros de alcance quando jogado através de fumasse mecânico.
“Quando o fumacê estiver passado, é de suma importância que as famílias permaneçam com as portas, janelas e portões em aberto, para uma melhor aplicação do produto” Concluiu.
Como se sabe, a dengue é uma doença causada por um arbovírus, ou seja, um vírus que é transmitido pela picada de insetos, especialmente os mosquitos. No caso da dengue, a transmissão é feita pela picada da fêmea do Aedes aegypti.
O Aedes aegypti é um mosquito diurno, que se multiplica em depósitos de água parada, que se acumulam principalmente em quintais e no interior de casas residenciais. Existem quatro tipos diferentes do vírus da dengue, os sorotipos 1, 2, 3 e 4, que causam as diferentes formas da doença.
A partir de 2014, seguindo a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil passou a utilizar a nova classificação da dengue. Dessa forma, a dengue é considerada uma doença única, dinâmica e sistêmica, de amplo espectro clínico, que pode apresentar ou não sintomas.
Transmissão
Após picar uma pessoa infectada, com um dos quatro sorotipos do vírus, a fêmea do Aedes aegypti se infecta com o vírus e, ao picar outras pessoas, passa a transmiti-lo. Além disso, existem também registros de transmissão do vírus da dengue por transfusão sanguínea.
Não há a transmissão de uma mulher grávida para o feto, porém a dengue pode provocar um aborto ou parto prematuro. Além disso, a gestante está mais suscetível a desenvolver o quadro grave da doença, que pode levar à morte.
Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis, embora as crianças ou idosos com mais de 65 anos tenham risco aumentado, porque a dengue pode interagir com doenças pré-existentes, gerando complicações nas condições clínicas de saúde da pessoa.
A dengue é uma doença cujo período de maior transmissão coincide com o verão, devido aos fatores climáticos favoráveis à proliferação do Aedes aegypti em ambientes quentes e úmidos.
As três formas da dengue
A maioria das infecções de dengue é assintomática. No entanto, quando surgem, os sintomas costumam evoluir em três formas clínicas:
Dengue clássica: forma benigna, similar à gripe;
Dengue com sinais de alarme: mais grave, caracterizada por alterações da coagulação sanguínea;
Dengue grave: forma raríssima, mas que pode levar à morte, se não houver atendimento rápido e especializado.
Dengue clássica
Nos adultos, a primeira manifestação é a febre alta (39ºC a 40ºC), de início abrupto, acompanhada de dor de cabeça, prostração, dores musculares, dores nas juntas e atrás dos olhos, vermelhidão no corpo (exantema) e coceira.
Anorexia, náuseas, vômitos e diarreia não volumosa podem estar presentes, mas são menos frequentes. Em um período de 3 a 7 dias, a temperatura começa a cair e os sintomas geralmente regridem, mas ainda pode persistir um quadro de prostração e fraqueza durante algumas semanas.
Nas crianças, o sintoma inicial também é a febre alta, juntamente com apatia, sonolência, falta de apetite, vômitos e diarreia. A vermelhidão pode estar presente ou não.
Dengue com sinais de alarme
As manifestações iniciais da dengue com sinais de alarme são as mesmas da dengue clássica. Entretanto, depois do terceiro dia, quando a febre começa a ceder, aparecem sinais de hemorragia, como sangramento nasal, gengival e vaginal, e rompimento dos vasos superficiais da pele (petéquias e hematomas).
A maioria dos sinais de alarme é resultante do aumento da permeabilidade vascular, a qual marca o início do deterioramento clínico do paciente e sua possível evolução para o choque por extravasamento de plasma.
Em casos mais raros, podem ocorrer sangramentos no aparelho digestivo e nas vias urinárias.
Dengue grave
Na dengue grave, o potencial de risco é evidenciado por algumas complicações como sintomas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural.
Alterações neurológicas como delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência e amnésia também podem ocorrer. Geralmente, as manifestações neurológicas surgem no final do período febril ou na convalescença.
A forma grave da doença pode manifestar-se com extravasamento de plasma, levando ao choque ou acúmulo de líquidos, que causa desconforto respiratório, sangramento grave ou sinais de disfunção orgânica atingindo o coração, os pulmões, os rins, o fígado e/ou o sistema nervoso central.
Atenção! A dengue é uma doença que pode evoluir rapidamente da fase febril para quadros de maior gravidade. É importante destacar que a pessoa só desenvolve imunidade para o tipo de vírus que contraiu e ainda pode infectar-se com outro sorotipo, o que aumenta o risco da doença na sua forma hemorrágica.
Diagnóstico
O diagnóstico de dengue é realizado por meio da anamnese, que é o levantamento do histórico de sintomas do paciente, realizado durante a consulta médica.
O teste rápido, utilizado para identificar anticorpos contra a dengue, é realizado em menos de 20 minutos, o que permite iniciar o tratamento mais rapidamente. Gratuito, pode ser feito nos postos de saúde, por qualquer pessoa e em qualquer momento, pois não é necessário fazer jejum.
No entanto, o diagnóstico definitivo só é realizado com exames laboratoriais. Nos três a cinco dias iniciais da doença, é possível realizar exame PCR (para identificar a presença do vírus no sangue) ou sorológico (para detectar anticorpos contra o vírus).
O exame PCR visa a identificar o vírus na corrente sanguínea e estabelecer o sorotipo, permitindo o diagnóstico diferencial para outras doenças causadas pela picada do Aedes aegypti e que causam sintomas semelhantes, além de permitir que o médico inicie um tratamento mais específico.
O exame sorológico tem o objetivo de diagnosticar a doença por meio da concentração de imunoglobulinas IgM e IgG no sangue, que são proteínas que têm sua concentração alterada em casos de infecção.
O hemograma, em que são verificadas as quantidades variáveis de leucócitos e linfócitos, e o coagulograma, que verifica a capacidade de coagulação do sangue, também são solicitados para diagnóstico da dengue, principalmente da dengue com sinais de alarme.
A prova do laço é um exame rápido que verifica a fragilidade dos vasos sanguíneos e tendência a sangramento, sendo muitas vezes realizado em caso de suspeita de dengue clássica ou dengue com sinais de alarme.
Esse exame consiste em interromper o fluxo sanguíneo no braço e observar o aparecimento de pequenos pontos vermelhos, havendo mais risco de sangramentos quanto maior a quantidade de pontos vermelhos observados.
Apesar de fazer parte dos exames indicados pela OMS para diagnóstico da dengue, a prova do laço pode fornecer resultados falsos quando a pessoa está fazendo uso de medicamentos, como aspirina ou corticoides, ou se encontra na fase pré ou pós menopausa.
Tratamento
Até o momento, não existe tratamento específico contra a dengue. Por isso, o tratamento é sintomático e exige ingestão de grande quantidade de líquidos, para evitar desidratação, além de medicamentos antitérmicos e analgésicos, para aliviar a febre e as dores.
Pacientes com dengue, ou com suspeita da doença, nunca devem recorrer à automedicação, pois jamais podem utilizar antitérmicos que contenham ácido acetilsalicílico na composição, nem anti-inflamatórios, porque tais medicamentos interferem no processo de coagulação do sangue.
Vacina contra dengue
Atualmente, no mundo, existe uma vacina chamada Dengvaxia, indicada para prevenir a dengue, causada pelos quatro sorotipos da doença. No entanto, a vacina não deve ser tomada por quem nunca teve a doença, porque o imunizante é considerado seguro apenas para aqueles que já foram infectados pelo vírus.
A Dengvaxia é vendida na rede privada e o indivíduo deve receber três doses, com intervalo de seis meses entre elas. Até o momento, a Dengvaxia não está disponível no Programa Nacional de Imunizações (PNI), que garantiria a gratuidade na aplicação da vacina para a população elegível.
Em contrapartida, desde 2009, o Instituto Butantan desenvolve uma pesquisa científica para uma vacina contra dengue, em parceria com a farmacêutica Merck e o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID, na sigla em inglês).
O estudo da vacina contra dengue está na etapa de acompanhamento, que consiste na avaliação dos voluntários durante cinco anos. A previsão é que a pesquisa seja concluída até 2024.
Prevenção: todos somos responsáveis!
A melhor forma de prevenir a dengue é evitar a proliferação do Aedes Aegypti, eliminando todos os focos de água parada no ambiente doméstico, que podem se tornar possíveis criadouros para o mosquito.
Dessa forma, é essencial retirar água parada de vasos de plantas, poças de água, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e/ou sem manutenção, e até mesmo de recipientes pequenos, como tampas de garrafas.
Outras medidas simples também podem ser adotadas, como substituir a água dos pratos dos vasos de planta por areia, tampar a caixa d´água e cobrir os grandes reservatórios de água.
Roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia, quando os mosquitos são mais ativos, proporcionam alguma proteção às picadas e podem ser uma das medidas adotadas, principalmente durante surtos da doença.
Repelentes e inseticidas também podem ser utilizados, seguindo as instruções de uso contidas no rótulo do produto. Telas anti-insetos proporcionam boa proteção para aqueles que dormem durante o dia, como bebês, pessoas acamadas e trabalhadores noturnos.
ELIMINE OS CRIADOUROS DO MOSQUITO
A prevenção é a melhor maneira para evitar a dengue, por isso, é responsabilidade de cada um cuidar do seu domicílio e cobrar dos vizinhos e amigos para que façam o mesmo. É simples e rápido combater o Aedes Aegypti (mosquito transmissor da dengue), siga as dicas:
· Garrafas PET e de vidro: As garrafas devem ser embaladas e descartadas corretamente na lixeira, em local coberto ou de boca para baixo.
· Lajes: Não deixe água acumular nas lajes. Mantenha-as sempre secas.
· Ralos: Tampe os ralos com telas ou mantenha-os vedados, principalmente os que estão fora de uso.
· Vasos sanitários: Deixe a tampa sempre fechada ou vede com plástico.
· Piscinas: Mantenha a piscina sempre limpa. Use cloro para tratar a água e o filtro periodicamente.
· Coletor de água da geladeira e ar-condicionado: Atrás da geladeira existe um coletor de água. Lave-o uma vez por semana, assim como as bandejas do ar-condicionado.
· Calhas: Limpe e nivele. Mantenha-as sempre sem folhas e materiais que possam impedir a passagem da água.
· Cacos de vidros nos muros: Vede com cimento ou quebre todos os cacos que possam acumular água.
· Baldes e vasos de plantas vazios: Guarde-os em local coberto, com a boca para baixo.
· Plantas que acumulam água: Evite ter bromélias e outras plantas que acumulam água, ou retire semanalmente a água das folhas.
· Suporte de garrafão de água mineral: Lave-o sempre quando fizer a troca. Mantenha vedado quando não estiver em uso.
· Falhas nos rebocos: Conserte e nivele toda imperfeição em pisos e locais que possam acumular água.
· Caixas de água, cisternas e poços: Mantenha-os fechados e vedados. Tampe com tela aqueles que não têm tampa própria.
· Tonéis e depósitos de água: Mantenha-os vedados. Os que não têm tampa devem ser escovados e cobertos com tela.
· Objetos que acumulam água: Coloque num saco plástico, feche bem e jogue corretamente no lixo.
· Vasilhas para animais: Os potes com água para animais devem ser muito bem lavados com água corrente e sabão no mínimo duas vezes por semana.
· Pratinhos de vasos de plantas: Mantenha-os limpos e coloque areia até a borda.
· Objetos d’água decorativos: Mantenha-os sempre limpos com água tratada com cloro ou encha-os com areia. Crie peixes, pois eles se alimentam das larvas do mosquito.
· Lixo, entulho e pneus velhos: Entulho e lixo devem ser descartados corretamente. Guarde os pneus em local coberto ou faça furos para não acumular água.
· Lixeira dentro e fora de casa: Mantenha a lixeira tampada e protegida da chuva. Feche bem o saco plástico.






