Professora toma celular de aluna de mestrado; 'Levou como se eu tivesse 12 anos'

BATANEWS/REPóRTERMT


A mestranda J. V. M., de 45 anos, registrou um boletim de ocorrência por constrangimento ilegal contra uma professora do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática (PPGECM) da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Segundo a estudante, a professora tomou o celular das suas mãos e, na frente de mais de 20 alunos, e disse que ela “não sabe de nada”.

“Ela tomou meu celular da minha mão e levou para a mesa dela, como se eu fosse uma criança de 10, 12 anos. Na hora não falei nada, fiquei sem ação, não esperava por aquilo. Ela falou que eu estava tirando ela do sério e da próxima vez ia me colocar para fora da sala, porque quem manda na sala era ela. E quem não se encaixasse na forma que funciona o programa, ela iria desligar a pessoa. Aí eu fiquei quieta, não falei nada. Fiquei muito magoada, muito sentida. Perante 23 pessoas ela fazendo isso...foi um assédio moral”, disse em conversa com o RepórterMT.

Quando o aparelho foi retirado de suas mãos, na quinta-feira (13), a estudante falava com o marido. Ela conta que, após o fim do primeiro bloco da aula, foi direto para a delegacia registrar um boletim de ocorrência. J. V. M ainda ligou para o orientador para dizer que desistiria do curso, mas ele a convenceu a se acalmar e voltar para o segundo bloco da aula, já que há um limite reduzido de faltas no programa de pós-graduação.

Na sexta-feira (14), no fim da aula, a professora pediu a palavra e pediu desculpas para a estudante, que tinha exagerado no seu comportamento, mas que a culpa era dela “porque você não sabe de nada e só fica no celular”, disse, segundo J. V. M contou à reportagem.

“Novamente me expos, disse que eu não sabia nada, que eu fiquei no celular. O que mais ficou na memória, foi ‘você não sabe de nada, não leu o plano de ensino’, me diminuindo. Disse que ia abrir a oportunidade para eu falar. Eu disse que que não tinha nada para falar, que não aceitava o pedido de desculpas, porque não ia me tirar o que você me fez. Ela falou ‘ótimo, beleza. Não posso fazer nada’’, conta J. V. M.

Segundo ela, só não registrou um boletim de ocorrência no mesmo dia, porque quando a aula acabou a delegacia já estava fechada. Ela conta que desde o primeiro dia sente que é vista como um estranho no ninho, já que não é da área da Educação, mas formada em biomedicina e estudante de biologia.

“Estou em busca de qualificação. Estou num programa de formação de professores, não estamos no ensino médio. Uma professora doutora com mais de vinte anos de docência. Tenho 45 anos, sou mãe, sou avó”, desabafa.