10 anos da Copa de 2014: cabelereiros foram chamados às pressas para atender Cristiano Ronaldo

Dupla foi chamada às pressas após astro não gostar de outros cortes em resort de luxo de Campinas, onde delegação portuguesa ficou hospedada durante o Mundial

BATANEWS/REDAçãO GE


10 anos da Copa do Mundo no Brasil: relembre fatos marcantes em Campinas

Começava há dez anos, em 12 de junho de 2014, a Copa do Mundo no Brasil. É um tempo considerável para que memórias ficassem pelo caminho, mas quem viveu experiências únicas que o Mundial proporcionou lembra com detalhes do período.

É o caso dos cabelereiros Arlindo Moreira Filho, o Dia, e Luiz Gonçalves, responsáveis pelo corte de ninguém menos que Cristiano Ronaldo durante a passagem do astro por Campinas, base da seleção portuguesa antes do torneio e também entre um jogo e outro.

Uma década depois, eles se reencontraram para contar bastidores do atendimento ao craque. A dupla foi chamada às pressas depois de CR7 ter pedido outras opções a um resort de luxo de Campinas.

- Uma vez arrumei uma noiva para um casamento, e ela trabalhava aqui. Aí ela me mandou mensagem numa sexta perguntando se eu poderia cuidar de dois Vips no hotel. Eu aceitei, mas perguntei se eu poderia levar um assistente, porque não sou especialista em masculino - disse Luiz.

É aí que Dinho entra na história para receber uma oportunidade que vinha perseguindo:

- Quando eu fiquei sabendo que o Cristiano Ronaldo ficaria em Campinas, passei a ligar para o hotel e oferecer os serviços. Mas eles já tinham profissionais fixos aqui. Quando o Luiz me ligou, não pensei duas vezes.

Só que o hotel, por normas de segurança, preservou a identidade dos "clientes Vips". Então, Luiz e Dinho foram sem saber de quem cortariam o cabelo. Até uma revelação feita no elevador do resort:

- A moça que nos recebeu disse: "Ainda bem que vocês vieram, ele é muito exigente". Quando a gente ouviu "ele", um olhou para o outro e pensou a mesma coisa. Só poderia ser o Cristiano Ronaldo - conta Luiz.

A expectativa se confirmou quando a porta da sala se abriu, e o primeiro a entrar foi justamente o CR7.

- Quando ele entrou, falei: "não acredito que é ele". Imagina eu, do interior do Paraná, cortando o cabelo do Cristiano Ronaldo - lembra Luiz.

- Parece um sonho estar perto de um cara assim - completa Dinho.

O impacto foi tanto que Luiz ficou paralisado.

- Eu não consegui levantar da cadeira por uns dois minutos. E falei para o Dinho ir lá cortar.

- Ele foi tão bacana desde o começo. Assim que chegou cumprimentou, se apresentou, como se precisasse, né. Mas passou muita tranquilidade para a gente, sempre com muita humildade - recorda Dinho.

Apesar de todo fascínio que cerca o visual de Cristiano Ronaldo, Dinho diz que foi um corte "simples" de fazer.

- Perguntei como ele queria, aí ele pediu para passar a máquina nível um e meio dos lados e fazer o pé. O corte não tinha muito segredo, não precisava mexer na parte de cima. Eu cortei tão rápido, uns três minutos, que perguntei se podia dar uma desfiada em cima. Ele falou que confiava em mim e que eu poderia mexer.

Além de Cristiano Ronaldo, Dinho também deixou Nani na régua no primeiro dia. E com um toque extra de ousadia:

- O Nani pediu que eu fizesse o número 17, da camisa dele, e uma estrela. Ele ficou encabulado com o desenho.

A aprovação foi imediata, a ponto de Cristiano Ronaldo indicar a dupla para os outros jogadores da seleção portuguesa:

- Ele falou: "vocês prometem que vão vir semana que vem também?". A gente falou que se ele quisesse, é claro, que poderia contar com a gente. Aí o pessoal contou que ele desceu para o restaurante e começou a falar que tinha achado os caras certos para cortar o cabelo aqui. A partir disso começou a subir um jogador atrás do outro.

Foram três atendimentos ao todo com Cristiano Ronaldo. Com o convívio, eles também passaram a ter mais liberdade com o astro.

- Teve uma vez que eu falei para ele que aquele corte já estava manjado, o que ele achava de fazer outro. Ele pediu para fazer os desenhos que eu sabia, e mostrei as minhas redes sociais. Ele gostou de uma espécie de "Z" do lado, e fizemos. Também aproveitei para pedir dedicatória para as minhas duas filhas. Ele fez questão de fazer uma para cada, em folhas separadas - revela Dinho.

Depois de ficar sem reação no primeiro contato, Luiz também se soltou com o craque.

- Na terceira e última vez, como a gente sabia que Portugal provavelmente seria eliminado, aí encarei e fiz um moicano nele. Eu também aproveitei para levar umas dez camisas para ele autografar e até chamei de "Cris" na hora de pedir. A gente já estava íntimo dele para chamar de "Cris". Ele foi assinando uma por uma. Também consegui uma foto com ele. O pessoal do hotel falava que era proibido, mas o próprio Cristiano disse que tinha autorizado.

Luiz ainda colecionou resenhas curiosas com o craque.

- Eu perguntei para ele como ele gostaria da costeleta. Ele perguntou o que era, porque lá acho que chamam de outra coisa. Aí o time inteiro começou a dar risada. Também perguntei para ele do cabelo alisado. Eu tinha lido que, pela genética do Cristiano, o cabelo dele era crespo. Aí ele contou que ele mesmo levava e fazia o próprio alisamento.

Voltar no tempo reforçou para os dois o quanto aquele período da Copa do Mundo foi especial e deixou saudade:

- Um momento histórico nas nossas vidas, marcou demais - comenta Dinho.

- Como a gente saiu em várias revistas na época, até hoje tem gente que liga para marcar pedindo para fazer o corte do Cristiano Ronaldo - acrescenta Luiz.