Esportes
Paulo Bracks explica funções no Santos e promete corrigir rotas
Novo diretor-executivo diz que era sonho antigo trabalhar no Peixe, mostra urgência por análise de mercado para contratar reforços na janela e afirma que "chegou cedo" para próxima temporada
BATANEWS/REDAçãO GE
O Santos apresentou nesta quinta-feira Paulo Bracks como o novo diretor-executivo. O profissional é informalmente tratado como um CEO (Chief Executive Officer, em inglês) do clube, sendo responsável por realizar um diagnóstico de diversas áreas do Peixe, não se limitando ao departamento de futebol.
Bracks foi apresentado por Luiz Roberto Colombo, membro do Comitê de Gestão do clube. O vice-presidente Fernando Bonavides e Daniel Pereira Alves, também representante do Comitê de Gestão, estiveram presentes.
O novo diretor-executivo revelou um desejo antigo de poder trabalhar no Santos e buscou dar apoio ao diretor de futebol Alexandre Gallo, porém, garantindo que estará ao lado e acima do homem do futebol do Peixe.
– A conversa foi muito boa com presidente e comitê. Sei da identificação dele com o clube, tem experiência muito importante. As diretrizes, a história dele aqui dentro, ele é um conhecedor do Santos. Conversa muito boa no sentido de necessidades do clube. Liderança, controle, gestão, profissionalismo. Clube hoje precisa do que eu me vejo apto a fazer. Entra dentro do futebol profissional. O que me trouxe até aqui além da marca do Santos, é que sempre quis trabalhar aqui. Não falo da boca para fora. Hoje, o objetivo e a meta que o clube têm eu posso agregar.
– Gallo é um dos gestores de áreas que estão sob o meu guarda-chuva. Estive com ele em duas reuniões dentro do CT. Darei todo o respaldo para ele exercer a função dele, linha direta com comissão para ter o objetivo comum de voltar o clube para à Série A. Minha presença ao lado e acima na parte financeira no mercado.
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Apesar de ser responsável por coordenar diversas áreas dentro do clube, Bracks ressaltou que o futebol é o carro-chefe do Peixe e vê uma urgência para o Santos no setor de análise de mercado, uma vez que a janela de transferências abrirá em julho.
– O Santos é um clube de futebol e o carro-chefe é o futebol profissional. Embora minha área seja geral, base, feminino, marketing, comunicação... Obviamente, hoje o Santos está onde não deveria. Estarei ao lado e acima do departamento do futebol profissional para auxiliar em tudo. Faz parte do meu dia a dia estar ao lado do futebol. Inconcebível um trabalho que não seja de reconduzir o Santos à Série A. Não só as questões financeiras, mas análise de mercado, que precisamos otimizar. Estamos preparados.
Paulo Bracks também falou sobre a visão de como deverá funcionar o processo de contratação de atletas no Santos. Ele recordou o DNA ofensivo do Santos e falou que é preciso ter um processo consolidado para diminuir o risco de erros de contratações.
– Eu entendo o departamento de análise de mercado como algo essencial para que tenhamos análises dos jogadores, que se adequem não só a parte técnica, mas também a cultura do clube. Eu entendo o Santos como um clube de DNA ofensivo. Aprecio o Santos por isso. Trabalhar uma análise de mercado com valências que possam nos oferecer, saber o que está contratado e ir ao mercado negociar o jogador com as características possíveis. Interfere estar na B e não na A. Mas não interfere na análise. Para saber porque foi feita a contratação e se apresente um relatório. Se não tem análise de mercado, vai ter e se tiver vamos otimizar. Para diminuir risco. Precisa ser rápido. Valores de mercado e valência. Isso que será feito.
Ao invés de falar no desafio de assumir a função de CEO no meio de uma temporada conturbada, o profissional buscou apresentar uma visão otimista, com tempo para começar a projetar o próximo ano do Santos.
– Eu estou chegando antes da próxima temporada começar. Isso vai me permitir uma análise melhor, uma ação mais assertiva, para 2025. Hoje, é um momento de reconstrução do clube. Algumas decisões vão ter que ser tomadas para corrigir rotas. Vai fazer parte da minha função. Vejo pelo lado positivo de estar aqui meses antes de 2025. Vamos fazer de tudo para conseguir os resultados esse ano para começarmos bem maiores.
Confira outros trechos da entrevista coletiva de Paulo Bracks:
Chegada ao Santos
– Fui muito bem recebido por todos, é uma honra muito grande poder trabalhar no Santos, é um orgulho que poucos têm e eu terei. Todos conhecem muito a história do Santos. Não só conheço, mas agora vou contribuir: gestão, liderança, organização e uma bandeira de profissionalismo. Vou viver o clube 24 horas a partir de hoje.
Experiências anteriores
– Cada clube é diferente. Todo clube grande tem dificuldade para retornar à Série A. Em 2022, quando eu chego ao Vasco, no meio do ano, houve dificuldade para ter o acesso. No América foi diferente, fizemos um trabalho e projeto de ascender e permanecer na Série A. Tem acessos e descensos. O projeto foi de permanência na Série A. O trabalho que se assemelha é de união no CT, ambiente bom, objetivos únicos. E que todas as áreas remem para a mesma direção. Áreas conjugadas não só no papel, mas que o futebol possa desempenhar seu objetivo. Temporada de seis meses, mesmo que pareça longa. Sob orientação do Marcelo, que tem muita experiência. O trabalho tem um objetivo único. As outras áreas também terão minha atenção, subindo bandeiras do profissionalismo. Tudo é novo, a experiência ajuda, mas tudo é novo.
Possibilidade de mudança no futebol masculino e feminino
– Estive ontem com Thais Picarte, coordenadora do feminino, tive uma reunião rápida. Cheguei aqui na terça-feira, ainda não estive com o elenco profissional. Terei hoje um contato no CT. O feminino historicamente tem identidade forte. Precisamos perservá-la. Há uma dificuldade de resultados e faremos o que for possível para que não aconteça (o rebaixamento). Futebol precisa de investimento. Campos melhores para treinar, análise de contratos, um dos meus braços será a gestão do feminino. No profissional, times passam por momentos ruins. Vamos trabalhar para que não aconteça mais. Aproveitamento não é condizente com o que Santos precisa apresentar. Ao lado e acima do executivo e outras áreas para que as medidas necessárias sejam tomadas.
Avaliação do departamento médico
– São 24 horas de clube, seria leviano e injusto falar disso. Departamento médico está, sim, dentro da minha área. A atribuição de um CEO está em todas as áreas. Principalmente o futebol. Todas as áreas serão analisadas. Projetos, soluções e decisões. Fisioterapia, performance, tudo será analisado com cautela e de forma assertiva.
Diagnósticos do clube
– Algumas questões no clube já me chamaram atenção, mas vou tratar internamente. Dentro dos diagnósticos, vou passar plano de ação. Tem medidas de curto, médio e longo prazo. Além da força da camisa, da estrutura do CT, da estrutura do estádio, das pessoas, da cobertura do clube. Vou viver essa cidade. Isso é positivo, ajuda. A torcida precisa estar junto. Se tiver contra, será complicado. Eu nunca ganhei jogando contra o Santos. Fator casa, identidade. Abraçar o momento do clube. Remar todos para a mesma direção para a gente voltar de onde não deveríamos ter saído. Estou feliz e animado.
Funções
– Na linha executiva, sim, mas hoje eu tenho o Comitê de Gestão e o presidente para as tomadas de decisões. Na linha executiva, sim, a palavra final será minha. Com muito trabalho. Dedicação, intensidade, de analisar tudo o que precisa ser feito. Todo o clube costuma ter muitos funcionários, colaboradores. Falta um norte, uma organização e coordenação. Esse será meu papel. Vou coordenar tudo isso. Clube precisa de profissionalismo para que a gente faça um trabalho coletivo. Mas o clube está acima de todos.
Visão das categorias de base
– Base sempre foi a menina dos olhos. Quero ver eles primeiro jogando aqui. Precisa olhar cada vez mais para a base. Vai ser uma imersão minha grande dentro da base. Dar condições para os atletas performarem aqui dentro. Quando eu vejo o JP Chermont, quase um sub-18, atuando da forma como atua, conquistando espaço, a gente quer mais. Vamos produzir mais assim. Não é uma fábrica de talentos, mas precisamos dar elementos para ele. Momento correto é quando ele esta apto. Com pessoas que trabalharão comigo. As últimas grandes vendas do futebol brasileiro são do Santos. Geração do Robinho, Neymar e Rodrygo e produzir mais. Mas com trabalho.
Trabalhos anteriores com a base
– Vou pegar dois ou três atletas: o Vitor Roque no América-MG, Artur que hoje está na Alemanha. Não vou nem falar de Yuri Alberto, porque foi formado no Santos, no Vasco, o Andrei, Gabriel Pec. O trabalho com atleta de base exige mais dedicação. Precisa ter uma estrutura maior do que o mais experiente. Identificar o jogador, trabalhar com esse jogador. Análise individual de cada atleta, específico de desempenho. Áreas atuando em cima do atleta para ser profissional. Trabalho invisível aos olhos do torcedor, mas que é muito gratificante.
Trabalho
– O trabalho precisa ser analisado não só sobre o viés do resultado de campo. O executivo é responsável pela gestão e tudo o que passa por atribuições dentro de clube. Legado que fica. Ferramentas que foram dadas a ele dentro de um universo de cada clube. Anseios diferentes. O melhor é corrigir os erros cometidos. Obviamente, o aprendizado é diário. Me sinto mais preparado e mais experiente. Não faltará entrega, dedicação, trabalho, profissionalismo dentro das minhas atribuições.
Auxílio ao departamento jurídico
– O jurídico existe a parte contenciosa, quero atuar na parte de prevenção de algo que possa impedir o clube de atuar normalmente. Atuar preventivamente para que não haja nada que cesse o funcionamento. Seja para evitar ações, dívida. Minha experiência me permite também entrar dentro do jurídico não só na parte desportiva, mas na prevenção de ações que possam atrapalhar o desempenho do futebol.
Mudança de função na carreira
– Foi uma construção bilateral. Necessidades do clube hoje dentro de sua pasta e o que eu posso oferecer. Embora eu não tenha sido CEO nos últimos clubes, eu trabalhei com todas as áreas. Futebol não pode ficar isolado. Eu trago hoje de experiência é em prol de liderança e controle. Profissionalismo. Me sinto muito apto.
Profissionalização do clube
– Com o profissionalismo, se alcança resultados. A gestão traz resultados. Não tem clube com resultado sem gestão. Levantamos essa bandeira. Congregar áreas. Áreas isoladas prejudicam o futebol profissional. Liderança contribui de forma positiva. Profissionalismo de comissão técnica, parte física, mental, médica. E atinge outras áreas. Clube ser profissional como um todo.
Análise de mercado em outros trabalhos
– No América, criamos o departamento de análise de mercado. No Inter, a gente otimizou, mas trouxemos a ciência de dados. Um estatístico que nunca tinha trabalhado com futebol e hoje está na vanguarda. Uma otimização no mercado externo. No Vasco, a gente contribuiu para um departamento que já tinha agregando com outro departamento da empresa que comprou o clube. Análise dupla. Nos permitiu trazer Léo Jardim, Lucas Piton, Jair, Dimitri Payet, Medel, Paulinho... Perfomam em alto nível. Minha ideia é que a gente tenha um processo semelhante. Quanto mais elementos no relatório melhor. Quando mais assertivo, melhor. Quero que seja feito de imediato. Em 15 dias a gente tem janela se abrindo. Fazer funcionar. Não só para entrada, mas saída de jogadores.
Avaliação da comissão técnica e de Alexandre Gallo
– Novamente, vou precisar de tempo para responder. São questões sensíveis. Vou atacar e ter conhecimento de todas elas. Mas não estive com o CT funcionando a pleno. O que eu te garanto é que tudo isso será objeto de avaliação, análise e decisão conjunta visando performance. Tudo que precisar ser feito para termos performance melhor, será feito. Que a gente tenha melhor aproveitamento e tudo será feito. Entendo sua pergunta. Ainda não tenho elementos para te responder como terei daqui uns dias.
Quem é Paulo Bracks
Advogado e pós-graduado em direito desportivo, Bracks tem formação em gestão do futebol e análise de desempenho pela CBF e gestão técnica pela Universidade do Futebol. Além disso, fez cursos na Premier League (Inglaterra) e La Liga (Espanha) e é professor da CBF Academy.
O executivo iniciou, em 2007, o trabalho no meio esportivo com foco na legislação. Foi auditor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por quatro anos e, depois, presidente da comissão disciplinar do tribunal. Interrompeu o mandato em 2014 ao aceitar o convite da Federação Mineira de Futebol para ser diretor de competições num processo de reestruturação vivido pela entidade.
Mais de 10 anos depois do início como advogado desportista, Bracks iniciou sua primeira experiência no dia a dia de um clube. Em 2018, o dirigente assumiu a missão de gerir a base do América-MG, clube com tradição na formação de atletas. Teve bons resultados administrativos, que o levaram ao futebol profissional do Coelho em 2019.
Foi no América-MG que Bracks conseguiu melhor refletir o trabalho de organização da gestão em resultados esportivos. Ele subiu ao cargo de diretor executivo do futebol profissional com o time em uma situação delicada, no Z-4 da Série B, e o conduziu ao quase acesso.
A semente plantada em 2019 levou o América a um dos anos de maior êxito de sua história em 2020, quando o time deixou para trás adversários tradicionais, como Corinthians e Internacional, e chegou à semifinal da Copa do Brasil. Terminou a temporada na vice-liderança da Série B, com o mesmo número de pontos da campeã Chapecoense e com o acesso para a Série A garantido.
O bom trabalho no América-MG despertou o interesse do Internacional, que contratou Paulo Bracks no fim de 2020. O executivo chefiou o futebol colorado por 14 meses, mas não conseguiu repetir o sucesso em questão de resultados esportivos. Ele foi demitido em março do ano passado após a eliminação na Copa do Brasil para o Globo-RN. Deixou o clube sem conquistar títulos.
Por outro lado, o diretor teve sucesso internamente, deixando como legado a base de uma reestruturação administrativa e financeira. Criou ainda a ferramenta de ciência de dados dentro do departamento de análise de mercado e desempenho, um processo usado na contratação e saída de jogadores, além de dar informações para a comissão técnica rever conceitos e padronizar métodos de treinamento.
Bracks chegou ao Vasco em julho de 2022 para ser diretor esportivo. No entanto, foi demitido ao fim da temporada seguinte, um dia após o time confirmar a permanência na Série A, na última rodada do Campeonato Brasileiro.
A decisão foi tomada pelo então CEO Lúcio Barbosa, em conjunto com a 777 Partners. O entendimento é de que o objetivo do ano ficou longe. A expectativa da empresa era de ver o Vasco brigando na primeira parte da tabela, por uma vaga na pré-Libertadores.
Em entrevista ao ge, o dirigente revelou surpresa com a demissão um dia após o Vasco confirmar a permanência na Série A. Bracks defendeu o trabalho da sua equipe em ano de grande reformulação no futebol e justificou que os processos da 777 atrapalharam em certos momentos.
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